O Brasil vive um momento de economia aquecida, caracterizado por um índice de desemprego que se encontra em níveis historicamente baixos e por uma atividade robusta em diversos setores da economia.
No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou um crescimento de 1,1%. Esta informação foi divulgada na última sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e sugere a possibilidade de que o país retome sua posição como a 10ª maior economia do mundo até o ano de 2026.
Entretanto, ao analisarmos a comparação do Brasil com o resto do mundo, um alerta negativo se torna evidente: a renda gerada por cada brasileiro cresce a um ritmo significativamente mais lento do que o observado em outras economias.
O PIB per capita é o indicador mais utilizado para medir esse atraso. Esse indicador divide o valor total da produção de um país ao longo de um ano pelo número total de habitantes.
Embora o PIB per capita não reflita diretamente o ganho real de cada cidadão, ele fornece uma visão do tamanho da economia em relação à sua população e é uma das ferramentas mais comumente utilizadas para comparar países. Quando esse número cresce, geralmente indica um aumento no emprego, no consumo e na qualidade de vida.
Brasil apresenta desempenho inferior em comparação global
Entre os anos de 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu de aproximadamente US$ 3.300 para pouco mais de US$ 26.000. No entanto, o Brasil apresentou um avanço menos expressivo no mesmo período, passando de US$ 4.400 para US$ 23.300, conforme dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Destaque para a observação de Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, que ressalta que o crescimento do Brasil tem sido inferior ao dos países desenvolvidos. Segundo Mendes, a lógica esperada seria que o Brasil, por sua situação atual, crescesse a um ritmo mais acelerado do que o dos Estados Unidos, uma vez que ainda existem muitas oportunidades de crescimento a serem exploradas.
Um estudo conduzido pelo economista-chefe da MB Investimentos, Sérgio Vale, aponta que a desaceleração do crescimento brasileiro teve seu início precisamente nos anos 1980. Ele explica que essa desaceleração é amplamente atribuída ao contexto de crise enfrentado na transição da ditadura militar, bem como à mudança de um modelo de crescimento dependente de investimentos provenientes de empréstimos externos, acompanhados de um aumento nas taxas de juros nos Estados Unidos.
Vale ainda complementa que o país acabou optando por um tipo de crescimento que não se mostrou sustentável. Com isso, a hiperinflação se tornou um fator significativo na configuração da economia brasileira. “Após esse contexto, continuamos enfrentando dificuldades em resgatar um crescimento mais sustentável, frequentemente experimentando o chamado ‘voo de galinha’”, afirma.
Causas estruturais: desequilíbrio fiscal e baixa produtividade
Os economistas praticamente concordam sobre as principais causas dessa disparidade: a baixa produtividade do setor econômico, os investimentos aquém do necessário e um ambiente tributário excessivamente complexo.
Essa desvantagem se tornou mais evidente em 2015, quando o Brasil enfrentou uma recessão severa. Durante os anos de 2015 e 2016, o PIB nacional sofreu uma queda de 3% em ambos os anos.
Esses números são reflexos do desequilíbrio nas contas públicas. Quando o governo promove a injeção de grandes quantidades de dinheiro na economia, isso tende a aumentar a demanda e os preços, resultando em um crescimento inflacionário.
Zeina Latif, economista e sócia-diretora da Gibraltar, observa a insuficiência de previsibilidade como um fator que impacta diretamente as decisões de investimento e a vida cotidiana das pessoas. “As pessoas se tornam cautelosas em relação ao planejamento, especialmente em um cenário de altos níveis de endividamento. Tornar-se previsível financeiramente no Brasil é um desafio”, afirma.
Os economistas entrevistados para esta reportagem destacam que a intervenção excessiva do Estado na economia gera oportunidades para a corrupção, ao criar benefícios seletivos que desvirtuam a política econômica e suas práticas normais.
Soluções para o progresso
Conforme os especialistas, a análise das economias que superaram o Brasil revela que o investimento em capital humano — principalmente na área da educação — é um dos principais fatores para a superação da renda média, além de exigir reformas estruturais, uma gestão mais eficiente dos recursos públicos e um ambiente regulatório mais robusto.
Zeina enfatiza a importância de uma agenda de ajuste fiscal, não apenas para conter o crescimento da dívida pública, mas também para recuperar a capacidade de ação do Estado.
Sérgio Vale defende que o país precisa de uma “consolidação fiscal mais intensa na economia brasileira, um progresso contínuo nas reformas econômicas e um foco maior em investir na população mais jovem, especialmente nas crianças, além de um investimento substancial em educação”.
Ele ainda aponta que os países que apresentaram crescimentos econômicos significativos foram aqueles que se abriram mais intensamente para o mercado internacional, indicando que a abertura comercial é um aspecto essencial para que o Brasil possa avançar em termos de produtividade e, consequentemente, no desempenho do PIB per capita.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

