Prefixados 2035 atingem 14%. Vale a pena investir antes da alteração nas taxas de juros? – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Prefixados 2035 atingem 14%. Vale a pena investir antes da alteração nas taxas de juros? – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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Absorção do Mercado e Taxas em Queda

O mercado financeiro conseguiu absorver totalmente a oferta dos títulos, resultando em uma significativa vantagem para o Tesouro, que conseguiu captar R$ 4,36 bilhões. Simultaneamente, as taxas de rendimento dos papéis pré-fixados diminuíram, passando de 14,11% na semana anterior para 13,80%. Os grandes investidores institucionais mostraram disposição em aceitar taxas apenas ligeiramente inferiores às observadas no leilão anterior. Essa dinâmica levantou questões sobre o impacto para o investidor pessoa física.

Leilões do Tesouro e Títulos Acessíveis

É fundamental esclarecer que, apesar de os leilões do Tesouro serem direcionados a bancos, corretoras e outras instituições financeiras, títulos como as Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) estão disponíveis para aquisição por investidores comuns. Na plataforma Tesouro Direto, esses papéis são negociados sob a denominação de Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035. Os juros desses títulos chegaram a 14% na primeira semana de setembro, mas recuaram para 13,78% em 12 de setembro, refletindo a volatilidade típica dos leilões.

Indicadores Positivos nos Últimos Leilões

Claudio Ianface Júnior, economista e sócio da The Hill Capital, aponta que a redução nas taxas dos títulos prefixados reflete uma interpretação mais otimista do mercado. Ele explica que títulos prefixados de longo prazo, como a NTN-F 2035, tendem a apresentar oscilações maiores, uma vez que suas variações dependem da confiança em políticas fiscais e nas expectativas em relação à inflação.

Embora as taxas tenham caído ligeiramente nas semanas recentes, o patamar ainda é considerado elevado, principalmente devido à desconfiança do mercado em relação à capacidade do governo atual de conduzir a política econômica. O aumento na oferta de títulos pode ser interpretado como um sinal de incerteza fiscal, levando os investidores a exigir taxas maiores. Portanto, o provável aumento futuro das taxas não pode ser descartado. Ianface Júnior enfatiza que o foco deve estar no investimento a longo prazo, e que os investidores não devem se deixar influenciar por flutuações momentâneas nos leilões.

Relação entre Juros e Preço dos Títulos

A relação entre a taxa de juros e o preço dos títulos é inversamente proporcional. Isso gera confusão entre os investidores de pessoas físicas, pois quando as taxas de juros aumentam, o preço do título adquirido, ou Preço Unitário (PU), tende a cair. Por exemplo, as taxas de 14% observadas na primeira semana de setembro são usadas para descontar o valor do título de R$ 1.000 que o Tesouro apresenta ao mercado. Quando a taxa diminui, o preço do título aumenta devido à redução do desconto aplicado.

Na prática, o PU da NTN-F 2035 subiu de R$ 819,78 na primeira semana de setembro para R$ 834,82, resultando em uma valorização de R$ 15,05 por título.

Apostas em Títulos Prefixados de Longo Prazo

Diante deste cenário, fica a dúvida: seria um bom momento para investir em títulos prefixados de longo prazo? Elisiane Moreira, advogada e influenciadora do setor financeiro, sugere que, ao travar um investimento em um título prefixado longo agora, o investidor pode estar fazendo uma aposta válida na tendência de queda da Selic. Aqueles que estão dispostos a suportar alguma volatilidade de preço e manter o investimento até o vencimento para garantir a taxa podem estar fazendo uma escolha acertada.

A expectativa de um possível ciclo de redução da taxa Selic pode iniciar em 2025 ou no começo de 2026, o que motiva essa análise.

Volatilidade e Diversificação

Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, ressalta que as surpresas relacionadas à inflação e ao equilíbrio fiscal ainda podem impactar a volatilidade das taxas em títulos prefixados de longo prazo. Ele sugere que a diversificação é essencial para uma carteira equilibrada, além de manter uma parte dos investimentos em liquidez, como o Tesouro Selic ou em títulos pós-fixados de curto prazo, para garantir uma reserva de emergência e aproveitar oportunidades de investimento.

Para aqueles que acreditam que a inflação continuará acima da meta estipulada, o Tesouro IPCA+ pode servir como uma proteção, mas é importante ter em mente que os títulos de longo prazo apresentam maior volatilidade em resposta a alterações nas taxas de juros.

Diversificação como Estratégia de Mitigação de Riscos

Mesmo investidores mais conservadores estão observando que as taxas atuais dos títulos prefixados apresentam uma oportunidade significativa. Marcia Dessen, planejadora financeira certificada pela Planejar, enfatiza que, embora não seja uma grande entusiasta de títulos prefixados, ela reconhece que a perspectiva atual, com juros a 14%, é histórica. Dessen afirma que o Brasil teria que enfrentar um cenário extremamente adverso para que a taxa Selic média nos próximos 10 anos se mantivesse nesse patamar.

Apesar de reconhecer a oportunidade apresentada, Dessen alerta que investir em títulos prefixados representa uma aposta. Essa aposta se baseia na expectativa de que os juros se aproximem de 12% ao final de 2026, conforme as previsões de mercado. Ela ressalta que a diversificação continua a ser uma estratégia crucial para reduzir riscos neste tipo de investimento.

Dessen sugere que investidores conservadores e moderados priorizem títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, em vez de se concentrar no Tesouro Prefixado ou no Tesouro IPCA+. Para pequenos investidores, ela recomenda permanecer no Tesouro Direto, dada a taxa de apenas 0,20% ao ano, que é inferior à taxa cobrada por muitos fundos de investimento.

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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