Visita do Presidente Russo a Pequim
O presidente russo Vladimir Putin está programado para chegar a Pequim na terça-feira para uma cúpula com o presidente chinês Xi Jinping, que se estenderá por dois dias. A visita ocorre em um momento em que a China mal teve tempo de desmantelar as instalações cerimoniais preparadas para a recepção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apenas dias antes.
Cúpula de Maio
A cúpula, marcada para os dias 19 e 20 de maio, representa o segundo encontro entre os líderes chinês e russo no último ano, à medida que Pequim busca equilibrar suas relações com Washington e Moscou, ao mesmo tempo em que se posiciona como uma potência central na diplomacia global. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 resultou na isolação efetiva de Moscou, que se tornou fortemente dependente de Pequim para o comércio em meio às sanções ocidentais.
“Temos expectativas muito sérias para esta visita”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres na segunda-feira, descrevendo a agenda como um avanço na “parceria privilegiada e estratégica” entre os dois países.
Os Estados Unidos há muito pressionam Pequim a reduzir o suporte econômico a Moscou, que, segundo oficiais ocidentais, ajuda a sustentar a capacidade militar da Rússia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) denominou a China como um “facilitador decisivo” da guerra na Ucrânia, citando o fornecimento de bens de uso dual por empresas chinesas, que são utilizados para reabastecer as munições russas.
Triângulo Estratégico
A China exerce “forte influência” nesta cúpula, dado que seu apoio se tornou cada vez mais crucial para Putin, em meio a crescentes pressões econômicas na Rússia e retrocessos militares na Ucrânia, conforme destacou Andrius Tursa, consultor da Teneo para a Europa Central e Oriental.
Moscou revisou sua previsão de crescimento para este ano, reduzindo-a de 1,3% para 0,4%, uma medida decorrente dos ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera e aos terminais de exportação, que sustentam o financiamento da guerra russa, além da incerteza em relação ao futuro das isenções das sanções dos EUA.
Putin buscará garantias de que qualquer melhora nas relações da China com Washington não alterará o “triângulo estratégico” que mantém a China e a Rússia mais próximas uma da outra do que de qualquer uma das duas nações com os Estados Unidos, segundo Dennis Wilder, ex-oficial da inteligência norte-americana e professor da Universidade de Georgetown.
A visita de Trump na semana passada contou com um banquete estatal exuberante e resultou em diversos acordos, incluindo a compra de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas anuais até 2028, um pedido de 200 aeronaves da Boeing e uma reunião do líder chinês em Washington em setembro.
Por outro lado, a visita de Putin é considerada mais prática, fazendo parte das interações rotineiras entre os dois países, conforme relatou Tursa. Entretanto, o tamanho e a composição da delegação russa sugerem que Putin espera expandir a cooperação bilateral em múltiplas áreas, acrescentou.
A mídia estatal chinesa, por sua vez, destacou a importância do sequenciamento das visitas. O Global Times descreveu essa sequência como uma evidência de que Pequim está “emergindo rapidamente como o ponto focal da diplomacia global”, ressaltando que receber os líderes dos EUA e da Rússia em uma mesma semana é “extremamente raro na era pós-Guerra Fria.”
Os Estados Unidos certamente estarão atentos ao que poderá surgir dessa cúpula. “Se houver assistência significativa da China à Rússia, os EUA provavelmente farão reclamações a respeito”, comentou Kurt Tong, sócio-gerente do The Asia Group, durante uma entrevista à CNBC.
Acordo Energético
O setor energético deve dominar a pauta da cúpula. A China tornou-se o maior comprador de petróleo e gás da Rússia, adquirindo suprimentos russos a preços muito baixos, em um momento em que a demanda da Europa caiu para os níveis mais baixos desde a década de 1970.
Com o fechamento do Estreito de Hormuz elevando as preocupações sobre a segurança energética em toda a Ásia, Pequim tem um incentivo renovado para garantir o fornecimento russo, enquanto Moscou precisa de receita para sustentar sua economia.
Na semana passada, Putin sinalizou que a Rússia está próxima de fechar um acordo “sério” de gás e petróleo com a China. “Estamos em um estágio muito avançado de acordo para dar um passo substancial na área de gás e petróleo”, disse Putin em uma coletiva de imprensa, acrescentando que “se for possível finalizar esses acordos e colocá-los em prática durante a visita à China, ficarei muito satisfeito.”
Os analistas também apontam que investimentos chineses no setor estatal russo devem ser discutidos. O comércio bilateral entre os dois países disparou para níveis recordes desde 2022, com a China absorvendo mais de um quarto das exportações da Rússia.
Fonte: www.cnbc.com

