Importância da Diversificação em Momentos de Estresse
A especialista em investimentos Bianca Azevedo resume que, mais do que buscar ganhos táticos, o essencial é compreender que determinados ativos financeiros ajudam a equilibrar a carteira em momentos de estresse. Esses ativos não substituem uma estratégia de longo prazo, mas são fundamentais para a diversificação e proteção, especialmente em um cenário global que se torna cada vez mais suscetível a eventos geopolíticos.
Por que Falar de Proteção Agora
Recentemente, o ambiente financeiro foi fortemente afetado pela aversão ao risco, manifestada através de receios em relação ao fornecimento global de petróleo, preocupações com a inflação e a volatilidade nas taxas de juros.
O conflito no Oriente Médio impactou significativamente o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, resultando em um aumento notável nos preços da commodity, que subiram de cerca de US$ 60 para níveis próximos a US$ 120 por barril.
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, observa que essa situação gera um alerta importante. Ele destaca que o petróleo é um vetor direto da inflação global. No contexto em que os países já enfrentavam uma intensa batalha contra a inflação, utilizando altas taxas de juros como estratégia, uma elevação de tal magnitude traz uma preocupação adicional que o mercado não pode desconsiderar.
O efeito do aumento do preço do petróleo ultrapassa o mercado financeiro, como lembra Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos. Ele ressalta que o petróleo é um elemento essencial para a economia global; quando seus preços sobem, isso resulta em aumentos nos custos de frete, alimentação e produtos diversos, contribuindo para um aumento generalizado da inflação. Caso a inflação cresça, os Bancos Centrais podem hesitar em reduzir as taxas de juros como desejavam, e a consequência direta é que essas taxas cairão menos do que inicialmente projetado.
Em relação ao ouro, tradicionalmente considerado um ativo de proteção, Leonardo Santana comenta que o metal experimentou um movimento, ao menos, curioso. Apesar de ter seguido uma trajetória consistente de valorização, com a eclosão do conflito, a valorização foi interrompida e ocorreram realizações de lucros — um exemplo do fenômeno do mercado onde os preços sobem em expectativa e caem na concretização.
O dólar, por sua vez, manteve suas características como moeda de reserva global buscada em tempos de estresse. Leonardo aponta que houve um fortalecimento global da moeda, impulsionado pela maior aversão ao risco e pelas taxas de juros elevadas nos Estados Unidos. No Brasil, o diferencial de juros contribui para amortecer certos movimentos locais da taxa de câmbio em determinados momentos.
Jeff reforça que, mesmo com as flutuações pontuais, o dólar permanece como um porto seguro global.
Qual é o Papel Desse Ativos na Carteira?
De acordo com Leonardo Santana, o ponto central é que ativos como ouro, dólar e petróleo funcionam como amortecedores durante períodos de alta volatilidade. Santana afirma que esses ativos desempenham um papel essencial dentro de uma carteira bem estruturada, proporcionando proteção e diversificação em momentos de estresse financeiro.
Jeff Patzlaff faz uma analogia desses ativos a um seguro de carro, afirmando que, embora ninguém deseje sofrer um acidente, pagar o seguro oferece tranquilidade. Ele explica que, ao ter uma porção reduzida de ouro, exposição ao dólar ou ao petróleo, os investidores podem se proteger em momentos conturbados. Ele enfatiza que não é o momento para alocar toda a riqueza nesses ativos com a expectativa de multiplicação imediata do patrimônio. O adequado é reservar uma pequena parte da carteira para esses ativos, de modo que, em um cenário de instabilidade, essa quantidade possa valorizar e ajudar a mitigar grandes perdas nos demais investimentos. Em suma, a proteção não visa gerar lucros extraordinários, mas sim evitar perdas significativas em cenários extremos.
Como Investir em Ouro, Dólar ou Petróleo
Jeff faz uma brincadeira ao dizer que não é necessário ter uma barra de ouro guardada em casa ou um barril de petróleo na garagem para investir. Existem meios acessíveis de se expor a esses mercados na B3, a bolsa brasileira.
Ouro: A exposição ao ouro pode ser alcançada tanto por meio de ETFs (fundos de índices) quanto através de contratos futuros.
Dólar: O investimento em dólar pode ser realizado por meio de contratos futuros de dólar disponíveis na B3. Além disto, ativos como BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que representam ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras, além de ETFs globais, também proporcionam uma forma de dolarização da carteira.
Petróleo: Similar ao caso do ouro, é possível ter exposição ao petróleo tanto através de ETFs quanto de contratos futuros. Investir em ações de empresas petrolíferas, como Petrobras e PRIO, é outra maneira de se expor às movimentações do mercado de petróleo.
Em suma, é viável encontrar diversas formas de investimento que atendam a diferentes perfis e necessidades de proteção financeira em períodos de incerteza.
Fonte: borainvestir.b3.com.br
