Rebaixamos a Wells Fargo após dois trimestres seguidos de decepções.

Rebaixamos a Wells Fargo após dois trimestres seguidos de decepções.

by Patrícia Moreira
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Desempenho do Wells Fargo no Primeiro Trimestre

Resumo Geral

Na última terça-feira, Jim Cramer descreveu o desempenho do Wells Fargo como "não foi um grande trimestre". No primeiro trimestre, a instituição financeira registrou um aumento de 6,4% na receita total, alcançando R$ 21,45 bilhões em comparação ao ano anterior. Contudo, este resultado ficou abaixo da previsão de consenso compilada pela LSEG, que era de R$ 21,8 bilhões. O lucro por ação (EPS) para os três meses encerrados em 31 de março subiu 15%, alcançando R$ 1,60, superando a estimativa de consensus de R$ 1,58.

Reação do Mercado

Após a divulgação dos resultados, as ações do Wells Fargo caíram quase 5%. Este recuo é atribuído não apenas aos números mistos, mas também aos resultados abaixo do esperado em certos indicadores-chave. Em consequência, a recomendação para as ações do banco foi rebaixada, passando para uma classificação equivalente a "manter" e o preço-alvo foi reduzido de R$ 100 para R$ 95 por ação.

Fundamentos e Expectativas

Apesar dos números abaixo das expectativas, os fundamentos do Wells Fargo continuam a apresentar um panorama positivo. A administração demonstrou confiança ao reafirmar sua perspectiva para o ano completo. O CEO Charlie Scharf mencionou, durante a teleconferência pós-resultados, que "mesmo que as condições de mercado possam mudar, a perspectiva para o setor de investment banking permanece forte, e entramos no segundo trimestre com um pipeline robusto, impulsionado por fusões e aquisições e mercados de capitais".

Crescimento de Receitas

Embora a receita não tenha alcançado as expectativas, o crescimento foi sustentado por níveis mais altos de Renda Líquida de Juros (NII) — que é a diferença entre os juros recebidos (em empréstimos) e os juros pagos (em depósitos) — e Receita Não-Relacionada a Juros, que inclui taxas e comissões. O aumento no EPS foi favorecido por uma redução de 7% no número de funcionários e provisões para perdas de crédito menores do que o esperado.

Indicadores de Desempenho

O Índice de Eficiência do Wells Fargo ficou ligeiramente acima das expectativas, mas ainda assim indicou uma melhoria significativa, com uma queda de 2 pontos percentuais ou 200 pontos-base em relação ao ano anterior. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido Tangível (ROTCE) apresentou um aumento expressivo, superando as expectativas, já que o banco fechou o trimestre com um nível de empréstimos e depósitos mais alto do que o esperado pelo mercado. Um dado importante a ser destacado é que, ao final do período, os saldos de empréstimos ultrapassaram R$ 1 trilhão pela primeira vez desde o início de 2020.

O Valor Patrimonial Tangível por Ação (TBVPS) aumentou 6,5%, alcançando R$ 44,98, mas esse valor ainda não atendeu completamente ao que se esperava. O Índice Comum de Capital de Nível 1 (CET1), que mede o capital em relação aos ativos ponderados pelo risco, ficou ligeiramente abaixo das expectativas. No entanto, esse resultado ainda estava dentro da faixa-alvo de 10% a 10,5% estabelecida pela administração e permanece acima do mínimo regulatório de 8,5%.

Retorno para Acionistas

Durante o primeiro trimestre, Wells Fargo retornou R$ 5,4 bilhões aos acionistas, por meio da recompra de 46,3 milhões de ações no valor de R$ 4 bilhões e pelo pagamento de R$ 1,4 bilhão em dividendos.

Estratégia e Exposição ao Crédito Privado

Razoáveis Exposições

A Wells Fargo foi adquirida como uma história de recuperação sob o comando de Charlie Scharf, que tem se empenhado para limpar as práticas da instituição. Esta reestruturação resultou na retirada da limitação de ativos de R$ 1,95 trilhões imposta pelo Federal Reserve em 2018.

A exposição da instituição ao crédito privado, que tem gerado grande preocupação, é de R$ 210,2 bilhões, distribuída em quatro categorias: 36% em gerenciadores de ativos e fundos, 30% em financiamento comercial, 18% em financiamento imobiliário e 16% em financiamento ao consumidor. O CFO Mike Santomassimo comentou que "existem riscos inerentes, mas estamos confortáveis com nossa exposição com base no perfil dos tomadores, na diversidade das garantias e nas práticas históricas de perdas e de subscrição".

Composição da Dívida

Dentre a exposição total, R$ 36,2 bilhões referem-se a financiamento de dívida corporativa, que tem atraído a atenção dos investidores. Este montante apresenta uma boa diversificação, com 19% em serviços empresariais, 18% sem especificação, 17% em software, 15% em cuidados de saúde, e o restante é composto por exposições de baixo percentual a equipamentos e produtos industriais, além de produtos e serviços financeiros, produtos de consumo, tecnologia não-software, e alimentos e bebidas, excluindo restaurantes.

O Wells Fargo afirmou que "a concentração média de obrigações em uma única instalação" é inferior a 2%, com mais de 98% da exposição por meio de empréstimos seniores garantidos, que têm prioridade alta no pagamento.

Setores de Atuação

No segmento de Consumer Banking and Lending, a receita no primeiro trimestre aumentou 6,6%. As receitas provenientes de cartões de crédito e empréstimos de automóveis cresceram 5% e 24%, respectivamente. Contudo, a receita de empréstimos pessoais caiu 1% e a de financiamento habitacional recuou 9%. O CEO Scharf observou que antes do aumento nos preços de energia, o gasto com gasolina representava 6% do total de gastos com cartões de débito e 4% dos gastos com cartões de crédito.

Perspectivas para 2026

Wells Fargo manteve sua previsão de NII para o ano em torno de R$ 50 bilhões, sendo cerca de R$ 48 bilhões ligados a atividades não relacionadas a mercados e R$ 2 bilhões provenientes do segmento de Corporate and Investment Banking. Isso contrasta com a estimativa de R$ 50,4 bilhões da FactSet.

No que diz respeito às despesas não relacionadas a juros em 2026, a previsão se manteve em torno de R$ 55,7 bilhões, alinhando-se às estimativas do mercado.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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