Desempenho do Setor de Máquinas e Equipamentos
O setor de máquinas e equipamentos enfrentou uma diminuição na receita líquida em março em comparação ao mesmo mês do ano anterior. A queda foi confirmada em dados divulgados nesta quarta-feira (29) pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), encerrando o primeiro trimestre de 2026 com uma redução significativa.
Receita Líquida e Comparativo Anual
O faturamento do setor em março alcançou R$ 23,8 bilhões, representando um declínio de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do trimestre, essa diminuição foi ainda mais acentuada, com uma queda de 11%, totalizando R$ 61,7 bilhões.
Expectativas para o Ano
Com os resultados do primeiro trimestre, a Abimaq projeta um crescimento de 0,3% na receita para o ano de 2026, embora com um "viés de baixa", conforme afirmado por Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da associação, em uma entrevista a jornalistas.
Queda nas Vendas e Aumento das Importações
O desempenho do setor foi marcado por uma redução nas vendas no Brasil. A receita líquida caiu 0,9% em março e 12,6% no trimestre. Este cenário ocorre em um contexto de aumento de 21,4% nas importações do setor em março, que cresceram 4,2% no acumulado do trimestre.
Capacidade Instalada e Carteira de Pedidos
Em março, a indústria brasileira de máquinas registrou uma ocupação de capacidade instalada de 79,9%, em comparação a 77,6% no mesmo mês de 2025. A carteira de pedidos do mês aumentou em relação a fevereiro, alcançando 9 semanas, mas apresentou uma queda de 1,5% em comparação ao nível do ano anterior.
No acumulado do trimestre, o setor experimentou uma queda de 5,2% na carteira de pedidos em relação a 2025. De acordo com a Abimaq, essa situação indica que as receitas líquidas de vendas devem continuar enfraquecidas ao longo de 2026.
Exportações do Setor
As exportações de máquinas e equipamentos brasileiros mostraram-se praticamente estáveis em março, totalizando US$ 1,03 bilhão em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Contudo, no trimestre, houve um aumento de 7,5%, somando US$ 2,9 bilhões.
As vendas destinadas aos Estados Unidos no primeiro trimestre atingiram US$ 709 milhões, mostrando um crescimento em relação aos US$ 631 milhões do mesmo período do ano passado. Esse avanço ocorre apesar de um aumento na tarifa de importação dos EUA em 50 pontos.
Comparativo com o Quarto Trimestre de 2025
Entretanto, em uma comparação com o quarto trimestre de 2025, as exportações para os Estados Unidos nos três primeiros meses de 2026 apresentaram uma queda de 10,5%. Essa análise é impactada por reduções de 32% nas máquinas para agricultura, 16% em componentes e 13,5% nos mercados de logística e construção civil.
Participação nas Exportações
A participação das vendas aos Estados Unidos, principal destino das exportações do setor, foi de 24,3% no último trimestre, em comparação a 23,3% do total do ano passado, e um pico de 29,3% registrado em 2023, conforme as informações da Abimaq.
Crescimento e Desempenho Econômico
Segundo Cristina Zanella, a elevação da fatia dos Estados Unidos é baseada em uma base bastante reduzida, uma vez que o desempenho da economia norte-americana no ano anterior foi considerado fraco, influenciando as compras de máquinas e equipamentos.
Zanella também mencionou que o desempenho geral das exportações para os Estados Unidos mantém uma trajetória de desaceleração desde a adoção das tarifas que impactaram as relações comerciais entre os países. Ela destacou que o percentual de março "foi bastante baixo", atingindo 21%.
Tarifas de Importação e Investigações
Atualmente, as tarifas de importação dos Estados Unidos que se aplicam à maioria do setor de máquinas e equipamentos brasileiros estão fixadas em 10%. Essa determinacão foi resultado de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, que, no final de fevereiro, derrubou as sobretaxas amplas que haviam sido implementadas pelo ex-presidente Donald Trump, com base em uma legislação de emergência nacional.
No entanto, a indústria se mostra preocupada com a possibilidade de Trump iniciar uma investigação para avaliar as práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana. Segundo a Abimaq, essa análise deve ser concluída em julho, podendo resultar na imposição de novas penalidades aos exportadores brasileiros.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


