Recuperação judicial atinge recorde e revela o peso dos juros.

Recuperação judicial atinge recorde e revela o peso dos juros.

by Fernanda Lima
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Recuperação Judicial em Debate

A recuperação judicial se tornou um assunto central nas discussões econômicas no Brasil, e não sem motivos. O país terminou o ano de 2025 com um total de 5.680 empresas em recuperação, o que representa um crescimento de 24,3% em comparação ao ano anterior. Esse aumento é alarmante, mas é importante analisar esses números com mais atenção.

Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF, ressalta que essa possibilidade de recuperação é uma “ferramenta excelente para manter as empresas em pé”. Ele enfatiza que o número de empresas em recuperação abrange uma variedade de negócios, que incluem desde pequenas e médias empresas até grandes corporações. Dentro deste contexto, cerca de 2,5 milhões de CNPJs estão efetivamente movimentando a economia do país, excluindo microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e estatais.

Análise Setorial da Recuperação Judicial

Ao se analisar a situação por setor, o quadro se torna ainda mais elucidativo. A média nacional de empresas em recuperação é de 2,3 a cada mil. Entretanto, o setor agropecuário se destaca pela negatividade, apresentando um índice de 13,53 empresas em recuperação por mil. Esse número é significativamente superior à média nacional.

A indústria também apresenta um índice elevado, com 6,64 empresas em recuperação por mil. Os setores de construção, energia e saneamento têm uma taxa de 4,11. Em contrapartida, comércio e serviços mostram um cenário relativamente melhor, com índices de 1,81 e 1,0 empresas em recuperação por mil, respectivamente. Este panorama indica que setores que dependem mais de crédito intenso ou que estão mais expostos a flutuações externas são os que estão mais vulneráveis neste momento.

Custo da Dívida e Taxas de Juros

Um elemento central nessa discussão é o custo da dívida. Gallegos afirma que o “denominador comum” entre essas empresas que enfrentam dificuldades financeiras é a alta taxa de juros. Com a Selic se mantendo em torno de 15%, o crédito real para as empresas varia entre 18% e 20% ao ano, podendo até alcançar 25% ou 30% para aquelas que já estão em uma situação financeira delicada. Em muitos casos, o fluxo de caixa simplesmente não é suficiente para suportar esses custos.

No setor agropecuário, além dos desafios financeiros impostos por essas taxas, as adversidades climáticas observadas no Rio Grande do Sul e no Centro-Oeste têm comprometido safras e, consequentemente, as receitas dessas empresas. Isso demonstra que a questão da recuperação judicial é complexa e multifacetada, envolvendo não apenas aspectos econômicos, mas também ambientais que afetam diretamente a produtividade e a viabilidade financeira das empresas.

Fonte: veja.abril.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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