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Reportagem do Wall Street Journal revela como o PCC se tornou uma potência global no tráfico de drogas – Times Brasil

by Fernanda Lima
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Primeiro Comando da Capital: A Ascensão e a Estrutura Global

O Primeiro Comando da Capital (PCC) cresceu significativamente desde os primeiros dias em que seus fundadores solicitavam itens básicos como sabão e papel higiênico nas celas da penitenciária de Taubaté, em São Paulo. Uma extensa reportagem do The Wall Street Journal, reconhecido como um dos jornais mais influentes ao redor do mundo, retrata o PCC como o maior grupo criminoso das Américas. Este grupo possui uma presença estabelecida em quase 30 países do globo, exceto na Antártida, evidenciando uma estrutura que combina escala, eficiência e um alcance global considerável.

Assinada pela jornalista Samantha Pearson, a reportagem descreve uma organização com aproximadamente 40 mil membros que operam tanto dentro das prisões quanto nas ruas. O PCC é capaz de funcionar como uma verdadeira multinacional do crime, possuindo uma divisão atuante na América do Norte, uma rede de lavagem de dinheiro sofisticada e alianças com algumas das máfias mais influentes e temidas no mundo.

Exportação de Cocaína: O Principal Negócio

A cocaína é a base das atividades do PCC. O Wall Street Journal enfatiza que o tráfico de cocaína continua sendo o principal negócio do grupo. Essa dependência da droga produzida na Colômbia, Peru e Bolívia é apontada como um dos principais fatores que justificam a expansão do PCC pelo território brasileiro.

Para reduzir os custos operacionais, o PCC tem avançado sobre comunidades ribeirinhas na Amazônia, ocupando vilas que carecem de médicos e policiamento. Nesses locais, já existem traficantes recrutando jovens por meio do futebol e impondo uma justiça paralela e brutal. Essa estratégia proporciona acesso direto às rotas fluviais que ligam o Brasil aos países produtores, eliminando a necessidade de intermediários que anteriormente controlavam o fluxo de drogas.

Amazônia: Corredor do Tráfico

A presença do PCC no Norte do Brasil se estende pelo Nordeste e pelo coração da floresta amazônica. Lideranças do grupo, em uma tática astuta, chegaram a se disfarçar de pastores evangélicos para conquistar a confiança de comunidades isoladas e recrutar novos membros.

O jornal relata que toneladas de cocaína são movimentadas mensalmente na região. Os produtos são transportados utilizando caminhões, balsas, aviões pequenos e helicópteros em direção ao litoral, onde são enviados em contêineres para pontos de trânsito na África Ocidental, e posteriormente para mercados em expansão na Europa.

Porto de Santos: Rota para a Europa

De acordo com o Wall Street Journal, o Porto de Santos, considerado o maior da América Latina, é o principal ponto de saída da droga com destino ao continente europeu. Nos últimos anos, mergulhadores e soldadores foram detidos por tentativas de esconder cocaína nos cascos de navios que seguem para a Europa e África, utilizando câmaras submersas construídas à noite para esse fim.

Cidades como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo estão entre os principais destinos, onde a chegada da droga tem alimentado conflitos intensos entre facções locais, resultando em ataques com granadas, tiroteios e sequestros, como documentado pela polícia portuária, segundo a reportagem.

Alianças com Máfias Globais

A sofisticação da organização, no entanto, não se restringe apenas à logística. O PCC estabeleceu parcerias com várias organizações criminosas ao redor do mundo, incluindo a ‘Ndrangheta italiana, a Yakuza japonesa, e gangues albanesas e sérvias na África Ocidental. O promotor Lincoln Gakiya, que está envolvido na persecução do PCC em São Paulo há duas décadas, descreve essas colaborações como uma “convergência criminal.”

“Eu acredito que hoje essa seja a organização criminosa que mais cresce em todo o mundo”, afirmou Gakiya ao WSJ.

Essa estrutura horizontal, que carece de uma hierarquia rígida, dificulta grandemente o desmantelamento da organização. O histórico líder, Marcola, está preso desde 1999, mas o grupo continua a prosperar sem depender de uma única figura central.

Lavagem de Dinheiro: Diversificação de Métodos

Os recursos financeiros provenientes do crime seguem caminhos diversificados. O PCC utiliza uma série de operações de lavagem de dinheiro através de postos de gasolina, fundos imobiliários, fintechs, motéis, concessionárias e construtoras. Em 2023, autoridades no Rio Grande do Norte investigaram uma célula do PCC acusada de ter criado pelo menos sete igrejas com a finalidade de lavar dinheiro oriundo do tráfico, uma prática que já é denominada de narcopentecostalismo pelas autoridades competentes.

Em um episódio reportado em fevereiro deste ano, uma operação na cidade de São Paulo desmantelou uma rede associada a um grupo de origem chinesa que, de acordo com os investigadores, lavou mais de 200 milhões de dólares através da venda de produtos eletrônicos em parceria com afiliados do PCC.

Financiamento de Campanhas Políticas

O alcance do PCC também se estende à política. A reportagem menciona a prisão, em fevereiro, de um operador de uma fintech milionária que, segundo autoridades, pode ter financiado campanhas eleitorais durante as eleições municipais de 2024. O objetivo seria garantir contratos de coleta de lixo, concessões de transporte e fornecimento de combustível.

O então chefe de inteligência da polícia militar de São Paulo, coronel Pedro Lopes, comentou ao WSJ que a infiltração do PCC na política do estado mais rico do Brasil tem surpreendido até os investigadores mais experientes na área.

Presença nos Estados Unidos

Desde 2024, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos congelou os ativos de Diego Gonçalves do Carmo, acusado de lavar mais de 1 bilhão de reais para o PCC. Investigadores conseguiram identificar participantes do grupo em cinco estados americanos: Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.

Em Massachusetts, o Ministério Público Federal divulgou denúncias contra 18 brasileiros suspeitos de ligação com o PCC por tráfico de armas, incluindo fuzis e espingardas, além de fentanil, substância altamente perigosa.

Pedido de Classificação como Organização Terrorista

De acordo com o WSJ, promotores e agentes da polícia brasileiros solicitaram ao presidente Donald Trump que o PCC seja classificado como uma Organização Terrorista Estrangeira. Essa designação o colocaria ao lado de mais de uma dezena de outras redes criminosas latino-americanas já reconhecidas dessa forma. Entretanto, a reportagem não revelou os nomes dos promotores ou policiais responsáveis por essa solicitação.

Esse movimento adquire relevância em um contexto onde Washington tem expandido essa lista de forma agressiva desde o início do segundo mandato de Trump. Em fevereiro de 2025, o secretário de Estado Marco Rubio incluiu oito organizações com raízes na América Latina como Organizações Terroristas Estrangeiras, abrangendo o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nueva Generação e o MS-13. Desde o começo de 2025, o governo Trump adicionou 26 novos grupos a essa lista de organizações terroristas estrangeiras, que representa o maior aumento em um único ano desde que essa lista foi criada, em 1997. No entanto, até o presente momento, o PCC ainda não foi incluído nesse repertório.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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