Desempenho da Target no Terceiro Trimestre
Queda nas Vendas e Ajustes nas Projeções
A Target divulgou uma redução nas vendas trimestrais, além de ter revisado para baixo sua previsão de lucro para o ano, conforme a grande varejista experimentou um cenário de consumo instável, com os clientes em busca de boas oportunidades. Apesar dos desafios enfrentados, a empresa manteve suas orientações de vendas para o importante período de festas, prevendo que as vendas caiam entre um percentual de um dígito baixo no quarto trimestre. A empresa espera que o lucro ajustado por ação fique entre US$ 7 e US$ 8, diminuindo o limite superior da faixa anterior, que era de US$ 7 a US$ 9. O novo intervalo é inferior ao do ano passado, quando o lucro ajustado por ação foi de US$ 8,86.
Declarações do Novo CEO
Em uma entrevista com jornalistas, o novo CEO, Michael Fiddelke, não especificou quando as vendas da empresa poderiam retornar ao crescimento positivo, mas afirmou que a Target está avançando nessa direção. "Estamos focados todos os dias em fazer os investimentos e decisões corretas para que a Target volte ao crescimento o mais rápido possível", declarou Fiddelke.
Ele, que é o diretor de operações da Target e ex-diretor financeiro, assumirá o cargo de CEO em 1º de fevereiro. A empresa anunciou em agosto que ele sucederá o CEO de longa data, Brian Cornell. Fiddelke indicou que a Target aumentará os investimentos no próximo ano, visando reverter a situação de suas lojas e aumentar as vendas ao elevar os gastos de capital para US$ 5 bilhões, uma alta de 25% em relação ao ano anterior.
Resultados Financeiros
Abaixo estão os resultados financeiros da Target para o período de três meses encerrado em 1º de novembro, comparando com as expectativas do mercado:
- Lucro por ação: US$ 1,78 ajustado, comparando-se a uma expectativa de US$ 1,72, que não foi imediatamente clara.
- Receita: US$ 25,27 bilhões, em contraste com os US$ 25,32 bilhões esperados.
As vendas da Target têm permanecido praticamente estagnadas por quatro anos, enfrentando uma concorrência acirrada e um enfraquecimento em áreas que outrora a diferenciavam, como a mercadoria atrativa, a organização das lojas e o atendimento ao cliente, que era conhecido por ser amigável e prestativo. Além disso, alguns consumidores boicotaram a varejista após a diminuição de importantes programas de diversidade, equidade e inclusão, um fator que a Target atribuiu, em parte, aos seus resultados de vendas mais fracos em maio.
Desempenho das Ações
As ações da Target também apresentaram uma queda significativa. Até o fechamento da última terça-feira, os papéis da varejista haviam caído cerca de 67% desde o pico histórico registrado no final de 2021, além de uma redução de aproximadamente 35% somente neste ano.
Prioridades e Mudanças
No dia em que foi nomeado como próximo CEO, Fiddelke delineou três prioridades principais: fortalecer a reputação da Target como varejista de mercadorias elegantes e bem desenhadas, oferecer uma experiência de compra mais consistente tanto online quanto nas lojas, e utilizar a tecnologia para impulsionar o negócio.
Ele enfatizou que não aguardaria para começar a implementar mudanças. No mês passado, a Target anunciou a demissão de 1.800 funcionários corporativos — a maior onda de demissões em uma década. A empresa também tomou medidas para aprimorar sua mercadoria e recuperar sua identidade de moda, inclusive enviando seus designers para rodeios e estações de esqui em busca de inspiração. Além disso, ajustou sua estratégia de atendimento online nas lojas para liberar o tempo dos funcionários, permitindo que eles reabastecessem prateleiras e ajudassem os clientes.
Inovações e Desafios
Em uma chamada com jornalistas sobre os resultados do terceiro trimestre, Fiddelke mencionou algumas outras iniciativas implementadas pela empresa. Ele destacou o Target Trend Brain, uma ferramenta alimentada por inteligência artificial generativa que auxilia os designers e compradores da companhia a identificar as cores e estilos em alta. A Target também utiliza públicos sintéticos, modelos de IA que simulam como clientes reais poderiam reagir a produtos ou campanhas de marketing antes do lançamento.
No entanto, os desafios para conquistar a preferência dos consumidores persistiram no trimestre mais recente. O número de visitas às lojas e ao site da Target caiu, assim como o valor médio gasto durante essas visitas. O tráfego reduziu-se em 2,2% e a quantidade média de transações diminuiu em 0,5% ano a ano. As vendas comparáveis, um indicador do setor que exclui fatores pontuais como aberturas e fechamentos de lojas, apresentaram uma queda de 2,7%. As vendas digitais, por outro lado, cresceram 2,4%, impulsionadas por um aumento superior a 35% nas entregas no mesmo dia.
Resultados do Terceiro Trimestre
No terceiro trimestre fiscal, a receita líquida da Target caiu cerca de 19%, totalizando US$ 689 milhões, ou US$ 1,51 por ação, comparado a US$ 854 milhões, ou US$ 1,85 por ação, no mesmo período do ano anterior. A receita recuou de US$ 25,67 bilhões no trimestre do ano anterior. Excluindo custos excepcionais, como pacotes de rescisão, o lucro ajustado por ação foi de US$ 1,78.
As vendas digitais aumentaram 2,4% ano a ano, impulsionadas por um crescimento superior a 35% nas entregas no mesmo dia. Fiddelke relatou que a Target enfrentou "alguma volatilidade" durante o trimestre. As vendas em agosto e outubro permaneceram praticamente estáveis, à medida que os consumidores compravam itens para o retorno às aulas e Halloween, porém as vendas em setembro caíram cerca de 4% em comparação ao ano anterior.
Comportamento do Consumidor
Rick Gomez, diretor comercial da empresa, afirmou que o comportamento do consumidor não sofreu alterações em relação ao trimestre anterior, com os clientes "ajustando orçamentos e priorizando valor", especialmente em categorias como alimentos, itens essenciais e produtos de beleza. Gomez e Fiddelke reconheceram outros desafios específicos enfrentados no terceiro trimestre, como a suspensão dos benefícios do Programa de Assistência Nutricional Suplementar, ou SNAP, durante a paralisação do governo.
Para atrair consumidores de baixa renda, a Target anunciou na semana passada a redução de preços em 3.000 produtos alimentícios e de uso doméstico. Além disso, a varejista estabeleceu preços em itens-chave para as festas de fim de ano de maneira a parecerem verdadeiras barganhas, como enfeites a partir de US$ 1, velas a partir de US$ 5 e mantas a partir de US$ 10.
A Target também está se esforçando para se destacar com uma oferta de produtos exclusivos que os clientes não encontram em outros lugares. A companhia colocou 20.000 novos itens em sua seleção para as festas de fim de ano, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que mais da metade desses itens é exclusividade da Target. Para atrair clientes para além das mercadorias, a empresa se uniu à Starbucks para oferecer uma bebida exclusiva que não está disponível em outros locais, um frappuccino de Chocolate Quente Peppermint Congelado.
Expectativa Durante o Período de Festividades
Historicamente, a Target costuma ver um aumento nas vendas durante as festividades e mudanças sazonais. No entanto, Gomez observou que, mesmo nesses períodos, os consumidores se mostraram seletivos. Durante o Halloween, por exemplo, ele mencionou que os clientes fizeram "substituições", com a empresa observando um aumento nas vendas de doces e uma queda nas vendas de decoração.
Gomez concluiu que espera que esse padrão se mantenha durante a temporada de festas. "Acreditamos que o consumidor irá priorizar o que vai para debaixo da árvore em comparação ao que vai em cima da árvore", afirmou.
Fonte: www.cnbc.com


