RPM destaca a prudência do BC diante das pressões inflacionárias e a limitação para acelerar os cortes de juros em abril.

RPM destaca a prudência do BC diante das pressões inflacionárias e a limitação para acelerar os cortes de juros em abril.

by Beatriz Fontes
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Relatório de Política Monetária do Banco Central

O Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC), que foi divulgado na manhã desta quinta-feira, dia 26, trouxe um maior detalhamento sobre as projeções macroeconômicas da autarquia. O relatório também destacou os riscos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio.

Projeções de Inflação para 2026 e Horizonte Relevante

No RPM, conforme já indicado na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, o BC aumentou suas estimativas para a inflação de 2026, passando de 3,4% para 3,9%. Além disso, as expectativas para o atual horizonte relevante da política monetária, que se refere ao terceiro trimestre de 2027, foram elevadas de 3,2% em janeiro para 3,3%. Esta última estimativa permanece abaixo da mediana do último Boletim Focus, que era de 3,8%.

O BC destacou que “os riscos para a inflação, que já estavam maiores do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”. Entre os fatores que têm contribuído para a alta, estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que indica que a atividade econômica está operando acima da capacidade potencial.

Expectativas de Inflação até 2028

O documento também aponta que a inflação continua prevista acima da meta de 3% até o terceiro trimestre de 2028, de acordo com as estimativas do Banco Central.

Segundo a análise de economistas consultados pelo Money Times, o conteúdo do RPM está alinhado com a ata e o comunicado do Copom. Isso reforça o cenário de incertezas geopolíticas com o conflito no Oriente Médio, além dos riscos, tanto para alta quanto para baixa, que a guerra pode trazer para a inflação.

BC deve manter cautela diante dos riscos inflacionários

O economista Carlos Lopes, do Banco BV, avalia que o Banco Central deve adotar uma postura cautelosa no ciclo de afrouxamento monetário, considerando os riscos inflacionários associados ao conflito no Oriente Médio.

“Apesar disso, o BC indica que estamos em um nível de taxa de juros muito elevado e ainda assim faz sentido iniciar o ciclo de afrouxamento, pois o colegiado teria tempo para calibrar esse ciclo de acordo com o desenvolvimento da situação no Oriente Médio”, observa Lopes.

Se a guerra se prolongar, o economista acredita que o Banco Central deve manter o ritmo atual de cortes, que é de 0,25 ponto percentual.

Além disso, mesmo em um cenário de normalidade, que desconsidera os efeitos da guerra, o RPM sugere que a inflação no horizonte relevante deve permanecer acima de 3%. Isso impõe uma certa cautela ao BC no seu ciclo de cortes, conforme explica Lopes.

Expectativas de Redução da Selic

No cenário base do Banco BV, há uma expectativa de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic para a reunião do Copom em abril. Os cortes podem ser acelerados a partir de junho, dependendo do desenrolar da guerra, resultando em uma taxa básica de 12% ao final de 2026, afirma o economista.

RPM reduz espaço para aceleração do ritmo de afrouxamento monetário em abril

De acordo com a avaliação do Itaú Unibanco, o conjunto de informações contidas no RPM — que ainda poderá sofrer alterações conforme a evolução do conflito no Oriente Médio — diminui a possibilidade de uma aceleração do ritmo de afrouxamento monetário na reunião do Copom que ocorrerá em abril.

O banco também observa que a projeção do BC para a inflação no horizonte relevante da próxima reunião, referente ao quarto trimestre de 2027, indica uma alta de 3,3%. Esta projeção foi obtida mesmo considerando os preços do petróleo seguindo a curva futura de mercado até o final deste ano.

Essa hipótese, conforme o Itaú, é mais otimista e não foi tão evidente nos documentos divulgados após o Copom de março.

Projeção de Inflação e Impactos de Curto Prazo

Além disso, o Itaú enfatiza que a estimativa do Banco Central chega a essa projeção com números que podem subestimar as leituras futuras para a inflação no curto prazo.

O banco também ressalta que a projeção de inflação para o horizonte mais longo, apresentada no relatório, que é para o terceiro trimestre de 2028, é de 3,1%. Isso sugere que a autoridade monetária “não enxerga uma convergência plena em direção à meta de inflação mesmo quando considera a trajetória de juros apresentada na pesquisa Focus.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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