Setor Brasileiro de Etanol de Milho
O setor brasileiro de etanol de milho está envidando esforços para demonstrar aos Estados Unidos que possíveis ações comerciais contra o Brasil podem ter repercussões também para empresas e consumidores americanos. Essa estratégia foi exposta em uma audiência pública realizada em Washington, a respeito da investigação da Seção 301.
Tom da Audiência
Em uma entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Andréa Veríssimo, que ocupa o cargo de diretora de Relações Internacionais e Comunicação da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), comentou que a audiência foi significativamente mais técnica e profissional em comparação à etapa ocorrida em setembro.
“Essa me pareceu mais profissional, muito mais técnica, muito mais séria”, afirmou Andréa.
Mobilização de Apoio
De acordo com Andréa, diversos setores brasileiros conseguiram mobilizar defensores locais, incluindo entidades e empresários americanos que dependem de produtos provenientes do Brasil. Para ela, o apoio de tais grupos é crucial, uma vez que o USTR busca argumentos que evidenciem os impactos sobre a economia dos Estados Unidos.
“O USTR quer ouvir os argumentos que favorecem a população americana. Não adianta também a gente trazer argumentos de impactos no Brasil. Eles estão querendo defender a sua própria população e a sua economia”, destacou.
Situação do Etanol
No que se refere ao etanol, Andréa informou que esse setor foi o único mencionado nominalmente durante a investigação. Além disso, ela destacou que a pressão por um maior acesso ao mercado brasileiro é uma demanda antiga das entidades do setor americano.
Os representantes dos Estados Unidos citam que as exportações de etanol americano para o Brasil têm diminuído desde 2017 e criticam a tarifa brasileira de 18%, juntamente com as regras de acesso ao RenovaBio.
A Unem contesta que a tarifa imposta pelo Brasil não é uma medida específica contra os Estados Unidos, mas uma alíquota de nação mais favorecida, que se aplica também a outros países. “Não há aí nada desfavorável e nem específico aos Estados Unidos”, assegurou.
Andréa também enfatizou que o RenovaBio não estabelece barreiras direcionadas às empresas americanas. Ela mencionou que, no último ano, uma empresa dos Estados Unidos foi aceita no programa, e a Agência Nacional do Petróleo desenvolveu documentos orientadores específicos para essas empresas.
“Ao serem aplicadas as regras, as empresas americanas estão sujeitas às mesmas condições que as brasileiras precisam cumprir”, declarou.
Acesso ao Mercado
A diretora da Unem argumentou que a tarifa brasileira não impediu o acesso do etanol dos Estados Unidos ao mercado brasileiro. Segundo informações, apenas nos quatro primeiros meses de 2023, o Brasil importou uma quantidade maior de etanol dos Estados Unidos do que em todo o ano anterior.
“Essa argumentação de que a tarifa que nós temos hoje impede o acesso ao nosso mercado não procede”, enfatizou.
Debate Técnico
Andréa considerou que a discussão sobre o etanol teve um caráter predominantemente técnico, mesmo diante do contexto político mais amplo que envolve a agenda comercial do governo americano. Ela mencionou que as perguntas feitas pelo USTR tinham a intenção de compreender quais seriam as alternativas de fornecimento caso produtos brasileiros fossem tarifados.
“Se não puder vir do Brasil, de onde viria esse produto?”, questionou, ao relatar o tipo de questionamento que foi levantado durante a audiência.
Alternativas de Fornecimento
A diretora observou que alguns setores argumentaram que, em muitos casos, a alternativa ao Brasil poderia ser a China. Ela ressaltou a relevância do Brasil como fornecedor ocidental, democrático e capacitado para fornecer produtos em larga escala para o mercado americano.
Impactos de Ações Comerciais
Andreá afirmou que, caso os Estados Unidos implementem medidas comerciais contra o Brasil, o impacto na cadeia brasileira do etanol de milho não seria positivo, mesmo que o país norte-americano não seja atualmente o principal mercado do setor.
“Claro que não seria bom, porque tornaria mais difícil, mais caro esse comércio. Mas hoje não é o nosso principal mercado e o nosso principal interesse”, disse.
Apesar disso, ela enfatizou que manter o mercado americano aberto é fundamental devido à influência dos Estados Unidos sobre outros países. Segundo Andréa, as entidades que se manifestaram contra o Brasil defenderam a adoção de medidas mais severas e a ampliação da sobretaxa para outros setores da economia brasileira.
Fonte: timesbrasil.com.br


