Proposta de Reestruturação da Raízen
Recentemente, uma nova proposta para reestruturação da Raízen (RAIZ4) foi apresentada. A empresa Shell teria sugerido um caminho distinto após a Cosan (CSAN3) e fundos do BTG proporem uma conversão de 25% da dívida da Raízen em ações, além de uma divisão da companhia em duas partes, conforme informações divulgadas pelo Pipeline, do Valor Econômico.
Dívida e Controle da Companhia
A dívida acumulada pela Raízen atingiu R$ 55,3 bilhões no último trimestre. Neste contexto, diferentes alternativas para reduzir a pressão financeira sobre a companhia estão sendo discutidas. Atualmente, tanto a Shell quanto a Cosan atuam como controladoras da empresa de açúcar e etanol, possuindo cada uma 44% do capital, enquanto os 12% restantes estão nas mãos do mercado.
Proposta Inicial e Estruturação da Companhia
Para relembrar, a proposta inicial inclui a conversão de 25% da dívida em ações e a criação de duas novas empresas: uma dedicada às operações de açúcar e etanol, e a outra voltada para combustíveis. Ambas as empresas seriam listadas na bolsa.
De acordo com o modelo apresentado, o braço de commodities ficaria responsável por receber cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto — que é o controlador da Cosan — e aproximadamente R$ 1,5 bilhão provenientes da Shell.
Aporte do BTG Pactual
Outro elemento fundamental da operação envolve o BTG Pactual, que deve realizar um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões através de fundos de private equity.
Novo Caminho Proposto pela Shell
A Shell, por sua vez, está aberta a fornecer um aporte maior para buscar uma solução que não envolva a divisão da Raízen, conforme informações apuradas pelo Pipeline. A proposta sugere a capitalização de R$ 5 bilhões, na qual a Shell entraria com R$ 3,5 bilhões enquanto o restante seria destinado pela Cosan.
Além disso, os sócios poderiam considerar injetar ainda mais capital e realizar um follow-on para atrair mais recursos no mercado.
Venda de Ativos e Objetivos Financeiros
A Raízen está atualmente em um processo de venda de ativos e já conseguiu levantar R$ 5 bilhões ao longo dos últimos 12 meses. Espera-se que a venda de ativos na Argentina seja finalizada até o término deste ano. O objetivo da companhia é alcançar uma alavancagem entre 2 e 2,5 vezes ao final deste processo.
Para atingir essa meta, a empresa precisaria de aproximadamente R$ 20 a R$ 25 bilhões, conforme cálculos realizados pelo UBS BB. No entanto, a Raízen enfrentou significativos rebaixamentos de suas classificações de risco por parte de agências de rating, o que resultou em um impairment de R$ 11 bilhões e um prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Entretanto, apenas a venda de ativos em andamento pode não ser suficiente para solucionar os problemas financeiros enfrentados pela companhia.
Declarações do CEO
Durante uma teleconferência com analistas sobre os resultados financeiros divulgados, o CEO, Nelson Gomes, destacou: “A gente chega num ponto de inflexão onde claramente toda a execução do nosso plano de transformação operacional de maneira isolada não é suficiente para mitigar o desequilíbrio”.
*Com Seu Dinheiro
Fonte: www.moneytimes.com.br

