
As ações da SpaceX (NASDAQ:SPCX) apresentaram uma queda de 4,6% nas negociações pré-mercado. Essa diminuição ocorreu após a KeyBanc adotar uma perspectiva mais cautelosa em relação ao papel, ressaltando que a avaliação da empresa se tornou cada vez mais exigente em decorrência de seu forte desempenho desde a abertura de capital.
Tal queda reflete o crescente debate entre os investidores, que questionam se as oportunidades de crescimento a longo prazo da SpaceX são suficientes para sustentar sua capitalização de mercado atual, especialmente após uma valorização significativa após o IPO.
KeyBanc adota posição neutra em relação às ações
A KeyBanc iniciou a cobertura da Space Exploration Technologies com a classificação de “Peso do Setor”, o que sugere que uma parte substancial do potencial de crescimento futuro da empresa já está incorporada no valor das ações.
Entre os analistas que acompanham a ação, seis mantêm atualmente recomendações de compra. A KeyBanc, por sua vez, optou por uma postura neutra, enquanto a CFRA é a única grande corretora com recomendação de venda.
A empresa caracterizou a SpaceX como “líder dominante em lançamentos espaciais e setores adjacentes ao espaço”, no entanto, acredita que o perfil de risco-recompensa está atualmente equilibrado até que os investidores consigam uma visão mais clara do desenvolvimento do programa Starship.
A avaliação premium atrai atenção
Conforme estimativas da KeyBanc, as ações da SPCX estão sendo negociadas a aproximadamente 29 vezes a receita projetada para 2027 e 71 vezes o valor da empresa em relação ao EBITDA.
Esses múltiplos representam um prêmio significativo em comparação com empresas que atuam nos setores espacial, de inteligência artificial e de comunicações.
A corretora argumenta que, embora a SpaceX possua ativos de crescimento excepcionais, as avaliações atuais já refletem uma parte considerável dessa oportunidade.
Starlink continua sendo o principal motor de lucro
Atualmente, a SpaceX opera por meio de três divisões principais: Conectividade, Espaço e Inteligência Artificial (IA).
O segmento de Conectividade abrange o negócio de banda larga via satélite Starlink, que gerou cerca de 61% da receita total do grupo em 2025.
A Starlink permanece como a maior fonte de lucros da empresa, tendo gerado aproximadamente US$ 11,4 bilhões em receita e uma margem EBITDA ajustada de 63% no ano passado.
A KeyBanc acredita que a robustez desse negócio fornece uma base importante para sua avaliação.
“Em escala suficiente, a Conectividade, por si só, é capaz de sustentar uma parte significativa do valor da empresa, o que acreditamos limitar as perdas no cenário geral e permitir que os segmentos restantes (IA e Espaço) sejam valorizados mais como um potencial de crescimento incremental do que como requisitos para a sustentação da tese”, disseram os analistas.
Negócios com IA oferecem significativo potencial de crescimento
A divisão de Inteligência Artificial foi estabelecida após a fusão, em fevereiro de 2026, entre a SpaceX e a xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk.
Esse segmento inclui a plataforma de chatbot Grok e a infraestrutura de computação de suporte.
Apesar de a empresa ainda não gerar lucro nesse segmento, conseguiu assegurar vários contratos importantes de longo prazo, incluindo um acordo com a Anthropic, avaliado em aproximadamente US$ 1,25 bilhão por mês, além de outro com o Google no valor de cerca de US$ 920 milhões por mês.
A KeyBanc projeta que a receita proveniente da IA poderá alcançar aproximadamente US$ 50,6 bilhões até 2027, posicionando-se como o principal motor de crescimento da empresa no médio prazo.
No entanto, os analistas observaram que o Grok ainda apresenta desvantagem em relação a seus principais concorrentes em termos de adoção empresarial. A estimativa é que a adoção empresarial nos Estados Unidos seja de 3,1%, em comparação com 41% para a Anthropic e 39,5% para a OpenAI.
Como resultado, a KeyBanc acredita que os próximos um ou dois anos representarão uma “fase de comprovação” para a plataforma.
O progresso da Starship continua sendo crucial
A corretora destacou a Starship como uma das variáveis mais relevantes que impactam o investimento na SpaceX.
Espera-se que o foguete de próxima geração desempenhe um papel central no lançamento dos futuros satélites Starlink V3, reduzindo os custos de lançamento por meio da reutilização completa e, eventualmente, oferecendo suporte à infraestrutura de data centers orbitais.
O voo 13 da Starship está programado para ocorrer em 29 de junho.
Ainda que os analistas mantenham uma visão otimista quanto ao sucesso final do programa, alertaram que “adotamos uma abordagem conservadora em relação ao seu cronograma de desenvolvimento”.
A disponibilidade limitada de ativos continua a influenciar a dinâmica das negociações
A SpaceX conta com aproximadamente 13 bilhões de ações em circulação, das quais apenas cerca de 5% estão disponíveis para negociação pública.
Além disso, a participação de Elon Musk, que equivale a aproximadamente 42% das ações da empresa, permanece vinculada a um acordo de bloqueio que vigora até junho de 2027.
A oferta restrita de ações negociáveis é vista por alguns participantes do mercado como um fator que contribui para a volatilidade das ações desde sua estreia na bolsa.
A SpaceX também é negociada na B3 por meio da BDR (BOV:SPCX34).
Este conteúdo é apenas para fins informativos e não deve ser considerado como aconselhamento financeiro ou de investimento. A participação no mercado envolve riscos, incluindo a possível perda do capital investido. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. É recomendável realizar uma pesquisa própria e consultar um especialista financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento.
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Fonte: br.-.com

