Tarifa dos EUA pode chegar a 70% nas exportações do Rio Grande do Sul para o mercado americano – Times Brasil

Tarifas Adicionais dos Estados Unidos e Impactos nas Exportações Gaúchas

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode afetar até 70% do valor das exportações gaúchas para o mercado americano, caso essa medida entre em vigor. Essa é a avaliação de Luciano D’Andrea, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema Fiergs.

Preocupações da Indústria

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, D’Andrea expressou que a decisão gera preocupações significativas para a indústria do Rio Grande do Sul, especialmente para setores que já enfrentavam desafios devido a tarifas anteriores.

Os segmentos que se encontram mais vulneráveis a essa nova taxa incluem:

  • Tabaco
  • Máquinas e equipamentos
  • Produtos de metal
  • Armas
  • Calçados
  • Couro
  • Setor coureiro-calçadista
  • Móveis e partes de móveis

“Esses são setores essencialmente industriais. Por isso, a Fiergs recebeu essa decisão com muita preocupação”, afirmou D’Andrea.

Propostas de Negociação

D’Andrea destacou que a entidade defende a negociação direta com os Estados Unidos como um meio prioritário para tentar reverter ou pelo menos aliviar essa tarifa. Ele observou que, até o momento, apelar à Organização Mundial do Comércio (OMC) não tem oferecido resultados relevantes em um cenário de crescente protecionismo.

“A Fiergs acredita que o melhor enfoque é a diplomacia, ou seja, a negociação direta com os EUA”, acrescentou.

Análise dos Argumentos Americanos

O executivo manifestou que o Brasil precisa avaliar detalhadamente os argumentos apresentados pelo governo americano e seguir o protocolo estabelecido para essa medida, incluindo a realização de audiências públicas. De acordo com D’Andrea, essa decisão aumenta a tendência protecionista que caracteriza a política comercial dos Estados Unidos.

Alternativas para as Empresas Gaúchas

Além disso, D’Andrea mencionou que as empresas do Rio Grande do Sul já estão buscando alternativas desde a primeira imposição de tarifas, que incluem a diversificação de mercados e, em alguns casos, a transferência de parte da produção para os Estados Unidos. No entanto, esse movimento parece estar mais concentrado em empresas maiores e mais bem estruturadas.

“Existem mais de 100 empresas gaúchas que exportam para os Estados Unidos. Este país representa o nosso segundo maior destino de exportações”, disse.

Impacto nas Exportações

D’Andrea também destacou que as medidas tarifárias anteriores já tiveram um impacto negativo sobre as vendas externas do estado. Entre julho do ano passado e dezembro de 2025, as exportações gaúchas para os Estados Unidos caíram 37%. De janeiro a abril deste ano, a queda acumulada foi de 22%, conforme informações apresentadas por D’Andrea.

União Europeia como Alternativa

Em meio ao aumento das barreiras comerciais dos EUA, a União Europeia se apresenta como uma alternativa promissora. Para D’Andrea, o acordo entre Mercosul e União Europeia chega em um momento oportuno, em meio a tensões geopolíticas e ao avanço do protecionismo.

Considerações sobre o Acordo Mercosul-União Europeia

D’Andrea manifestou que a Fiergs vê o acordo de forma positiva, embora reconheça que existem setores industriais que poderão sentir um impacto significativo. Ele mencionou que produtos como vinho, queijos, lácteos, chocolates, assim como máquinas e equipamentos, estarão mais expostos a concorrências.

“Acreditamos que o acordo ocorre em um momento crítico, em que questões geopolíticas estão em pauta, e o protecionismo está se intensificando”, afirmou.

Contribuição da União Europeia

De acordo com D’Andrea, a União Europeia é responsável por cerca de 12% das exportações do Rio Grande do Sul e pode potencialmente ampliar fluxos de comércio, investimentos, inovação e tecnologia na região. Contudo, ele salientou que o custo Brasil continua a ser um obstáculo relevante para a competitividade da indústria nacional.

Fonte: timesbrasil.com.br

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