Trabalhadores da JBS iniciam a primeira greve em frigoríficos nos EUA em 40 anos

Trabalhadores da JBS iniciam a primeira greve em frigoríficos nos EUA em 40 anos

by Ricardo Almeida
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Greve de Funcionários da JBS

Funcionários em greve da JBS (JBSS32) realizaram uma manifestação nas ruas de Greeley, Colorado, nos Estados Unidos, antes do amanhecer nesta segunda-feira, dia 16, como forma de protesto contra a maior produtora de carne do mundo. Esse ato representa uma rara paralisação em um frigorífico norte-americano e é indicativo de um clima de insatisfação no setor de carne bovina.

Histórico da Greve

O sindicato que representa cerca de 3.800 trabalhadores da unidade de processamento de carne informou que esta é a primeira vez que trabalhadores de frigoríficos nos Estados Unidos entram em greve em quatro décadas. A mobilização, que tem a duração prevista de duas semanas, seguirá até que a JBS se disponha a negociar de maneira justa com os empregados.

Os trabalhadores decidiram cruzar os braços devido a aumentos salariais que, segundo eles, não refletem a alta da inflação, além de darem voz à necessidade de melhorias nos equipamentos de segurança. A JBS, por sua vez, declarou que apresentou uma oferta considerada justa.

Impacto da Greve na Produção de Carne Bovina

A greve resulta em uma redução da capacidade de produção de carne bovina nos Estados Unidos em um momento em que os consumidores estão enfrentando preços elevados para hambúrgueres e bifes. A situação é ainda mais complexa, pois o presidente norte-americano, Donald Trump, tem prometido medidas para combater a inflação, que tem afetado vários setores, incluindo o de alimentos. Os preços da carne aumentaram substancialmente em decorrência de uma seca prolongada, que levou pecuaristas a reduzirem rebanhos ao nível mais baixo em 75 anos.

Tradicionalmente, os frigoríficos procedem com o abate rápido de gado para atender à demanda do varejo, no entanto, a escassez de oferta de gado fez com que os processadores de carne enfrentassem altos custos ao adquirirem os animais. Esse fator pode resultar em uma resistência por parte da JBS em resolver a greve de maneira rápida, segundo análise de economistas.

“Por que você teria pressa se já está perdendo dinheiro com o funcionamento da fábrica?”, questionou Altin Kalo, economista do Steiner Consulting Group. Recentemente, os processadores de carne nos Estados Unidos estavam enfrentando prejuízos superiores a 300 dólares por cabeça em cada animal abatido, conforme apontou o serviço de consultoria de marketing de gado HedgersEdge.com. Contudo, nesta segunda-feira, o lucro foi estimado em cerca de 60 dólares por cabeça, apresentando uma melhora em relação aos meses anteriores, em parte por conta da antecipação da greve, que pressionou os preços do gado. Apesar disso, a demanda por carne bovina permanece elevada.

Mobilização dos Trabalhadores

“Queremos ser tratados como seres humanos”, declarou a funcionária da JBS, Deborah Rodarte, em um comunicado do sindicato. Antes do início da greve, a JBS reduziu a produção na fábrica e, em um comunicado recente, informou que planejava operar em um dos dois turnos na segunda-feira. Não está claro qual é a capacidade atual da empresa para processar carne bovina, uma vez que o sindicato representa todos os trabalhadores da produção.

De acordo com a porta-voz da JBS, Nikki Richardson, muitos membros da equipe optaram por se apresentar ao trabalho em vez de aderir à greve convocada pelo UFCW Local 7, e a expectativa é que esse número aumente nos próximos dias. A empresa revelou que alterará a produção conforme necessário, transferindo operações para outras instalações que apresentem capacidade de processamento disponível.

O Cenário do Setor de Frigoríficos

A paralisação na JBS agrava a situação da capacidade de processamento de carne nos Estados Unidos, após a Tyson Foods ter fechado uma planta de carne bovina em Nebraska no início deste ano e reduzido as operações em uma instalação no Texas. Esta redução da capacidade concede mais poder de influência aos frigoríficos sobre os preços do gado, conforme afirmam analistas do setor. Alguns pecuaristas, em resposta à situação, têm redirecionado suas remessas para outras instalações enquanto a disputa prossegue.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos declarou que está acompanhando atentamente o impacto da greve sobre o suprimento de carne bovina no país. Dados do governo mostram que os preços de varejo da carne moída 100% bovina atingiram um patamar histórico de 6,70 dólares por libra no mês passado, representando um acréscimo aproximado de 17% em comparação com o ano anterior. Embora alguns consumidores tenham optado por carnes mais econômicas em resposta à alta de preços, analistas notam que a demanda por carne bovina continua robusta.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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