Reunião Bilateral em Busan
BUSAN, COREIA DO SUL – 30 DE OUTUBRO: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, caminham para uma sala para uma reunião bilateral na Base Aérea de Gimhae em 30 de outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul.
Andrews Harnik | Getty Images News | Getty Images
Expansão da Abordagem de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou sua estratégia tarifária, emitindo uma série de avisos e iniciativas políticas que impactam os interesses de Pequim, sem, no entanto, aumentar diretamente as tarifas sobre produtos chineses.
No entanto, analistas se mostram otimistas de que a recente turbulência geopolítica não deve comprometer a frágil trégua comercial entre EUA e China, uma vez que Pequim parece acreditar que as ameaças de Trump não serão implementadas de maneira a prejudicar significativamente a China. Ambas as partes estão se esforçando para manter os planos para a próxima reunião de líderes, programada para abril.
"Pequim está observando", mas é provável que responda com cautela às últimas ameaças tarifárias de Trump, afirmou Deborah Elms, chefe de política comercial da Hinrich Foundation. Ela destacou que Trump é improvável que cumpra suas ameaças, como a imposição de tarifas de 100% no Canadá ou em muitos dos seus outros avisos aos parceiros comerciais.
"Não há razão para provocar qualquer outra reação de Washington neste momento, uma vez que tanto os EUA quanto a China estão tentando manter a trégua frágil até a visita planejada de Trump à China em abril", acrescentou Elms.
Gabriel Wildau, diretor-gerente da consultoria Teneo, comentou que os líderes chineses podem duvidar que Trump cumpra suas novas ameaças tarifárias, considerando que ele já recuou de medidas anteriores após reações negativas de mercados financeiros e da comunidade empresarial.
A Escalada das Ameaças Tarifárias
Nos últimos trinta dias, a administração Trump tomou o controle dos fluxos de petróleo da Venezuela, um recurso crucial para a China, e ameaçou impor uma tarifa de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã, uma medida que pode impactar Pequim, já que o país iraniano é o maior cliente de petróleo da China.
Trump também havia ameaçado tomar posse da Groenlândia, o que gerou preocupações em Pequim, que busca desenvolver rotas de navegação no Ártico e já demonstrou interesse nos recursos de terras raras da ilha. O presidente americano recuou em suas ameaças de força e tarifas, mas afirmou que havia "o esboço de um futuro acordo".
A situação do Canadá emergiu como um novo ponto de tensão. Trump advertiu que iria impor tarifas de 100% sobre os produtos canadenses, caso Ottawa avançasse com um acordo comercial com a China, em um contraste marcante com seus comentários anteriores de que tal acordo poderia ser "algo positivo".
"‘Nunca interrompa seu adversário quando ele está cometendo um erro’ parece ser o princípio orientador [para a China]."
— Gabriel Wildau, Diretor-Gerente da Teneo
O Primeiro-Ministro Mark Carney firmou um acordo comercial com a China, que é o segundo maior parceiro comercial do Canadá, atrás apenas dos EUA, após sua viagem a Pequim no início deste mês. Com esse acordo, Ottawa reverteria tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses, enquanto Pequim eliminaria tarifas retaliatórias sobre sementes e farelo de canola canadenses.
O tom de Trump em relação ao acordo Canada-China se alterou após o discurso de Carney em Davos, onde ele incentivou nações de médio porte a se unirem contra táticas coercitivas de potências maiores. Posteriormente, Carney afirmou que o Canadá não tem planos de buscar um acordo de livre comércio com Pequim, considerando o acordo recente como algo limitado em escopo.
Trump deixou claro que "se você for longe demais na direção da China, seremos bastante duros com você", disse Kurt Tong, diretor-gerente do The Asia Group, enquanto os oficiais se preparam para uma renegociação do acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México.
Pequim afirmou que o acordo comercial com o Canadá "não é direcionado a nenhum terceiro" e está alinhado com os interesses comuns dos dois países.
Os líderes chineses podem ver com bons olhos a abertura criada pela interação e pelo acordo de Carney, mas reconhecem as limitações de como o Canadá pode se desviar de seus laços profundos com Washington, conforme comentou David Meale, chefe da prática do Eurasia Group sobre a China.
A Estrategia Chinesa em Resposta
Oficiais chineses têm se esforçado para transmitir estabilidade nas relações com Washington, mesmo diante da crescente tensão das últimas semanas.
Dong Yan, vice-ministro do Comércio da China, afirmou em uma coletiva na segunda-feira que as duas partes mantiveram comunicação regular desde a reunião entre Trump e Xi Jinping, realizada na Coreia do Sul, em outubro.
A China demonstrou disposição para trabalhar com os EUA para gerenciar diferenças e aprofundar a cooperação a fim de garantir uma relação bilateral estável e saudável, conforme declarado por Yan, enfatizando que essa relação deve ser baseada no respeito mútuo e na cooperação vantajosa para ambos.
Ambos os lados parecem ter se adaptado a um mundo onde "trocamos ameaças — ou pelo menos as anunciamos — sem prejudicar os planos para a reunião dos dois líderes", conforme afirmou Stephen Olson, bolsista visitante sênior no ISEAS-Yusof Ishak Institute.
É do interesse de ambos continuar com a reunião programada para abril, acrescentou Olson.
A resposta contida da China também reflete seu esforço em fortalecer sua posição contra os EUA, ao mesmo tempo em que tranquiliza líderes globais de que suas relações com Washington permanecem estáveis, já que Pequim recebe uma nova leva de líderes estrangeiros.
Diversos líderes mundiais visitaram a China este ano, incluindo o Primeiro-Ministro da Irlanda, Michael Martin, e o Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Xi se encontrou com o Primeiro-Ministro da Finlândia, Petteri Orpo, na terça-feira, enquanto o Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deve visitar a China ainda esta semana, marcando a primeira visita de um líder britânico em oito anos.
Separadamente, Xi afirmou em uma ligação telefônica na segunda-feira com a Presidente da Índia, Droupadi Murmu, que Pequim e Nova Déli são "bons vizinhos, amigos e parceiros", pedindo por uma cooperação mais profunda.
Houve poucos sinais de que Pequim planeja respostas políticas concretas — como sanções, restrições comerciais ou deslocamentos militares — para reagir às recentes provocações de Trump, segundo Wildau.
Aparentemente, "a estratégia abrangente da China parece estar em maximizar a desconfiança global em relação aos EUA, através de comentários que destacam a percepção de intimidação por parte dos Estados Unidos, enquanto apresenta a China em termos contrastantes como apoiadora da moderação, do multilateralismo, do livre comércio e da cooperação vantajosa para todos", afirmou Wildau.
Ele acrescentou que a China pode fazer isso sem minar diretamente a contínua desescalada com os EUA.
"‘Nunca interrompa seu adversário quando ele está cometendo um erro’ parece ser o princípio orientador [para a China]", ele concluiu.
Fonte: www.cnbc.com