Mudança na Política Externa dos EUA
Wall Street considera a operação militar na Venezuela como um indicativo de uma mudança nas operações militares exteriores dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. Essa situação possui implicações diretas para as ações do setor de defesa. No sábado, Trump anunciou a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, afirmando que eles seriam levados aos Estados Unidos enfrentando acusações de narco-terrorismo. Ele declarou que os Estados Unidos poderiam "administrar" o país sul-americano até que uma transição política adequada fosse concretizada, após essa operação militar.
Expectativas dos Investidores
Atualmente, os investidores estão se questionando se as ações e declarações de Trump, tanto em relação à Venezuela quanto a outros países como o Irã, sinalizam uma mudança para uma política militar agressiva que prioriza ataques diretos, seguidos de negociações diplomáticas. Caso isso se concretize, o resultado poderia ser um aumento no gasto com defesa, o que, por consequência, elevaria as ações desse setor. O analista Andy Laperriere, da Piper Sandler, informou aos clientes que a grande mensagem para os investidores é que Trump está se tornando cada vez mais confiante e confortável com o uso da força militar. "Seu primeiro ano no segundo mandato foi caracterizado por energia ilimitada e disposição para assumir riscos, e isso se estendeu ao uso das Forças Armadas", comentou.
Ações Anteriores de Trump
Meses antes da operação na Venezuela, Trump lançou ataques a alvos no Irã e, mais recentemente, afirmou que os EUA poderiam "destruir completamente" o país do Oriente Médio caso este reativasse seu programa nuclear. Além disso, Trump tem falado sobre a possibilidade de adquirir a Groenlândia, apresentando essa ideia como uma estratégia-chave sob a ótica da segurança nacional. Laperriere ressaltou que, no Natal, Trump realizou ataques contra terroristas islâmicos na Nigéria e autorizou voos de drones sobre o México para monitorar atividades de cartéis.
Críticas e Reações
As declarações de Trump sobre a administração da Venezuela receberam críticas amplas de opositores políticos e líderes globais. As preocupações centram-se na possibilidade de que os Estados Unidos estejam se comprometendo em um exercício prolongado de construção de nações, em vez de realizar apenas uma operação militar pontual. Matthew Aks, da Evercore ISI, sugeriu que os clientes interpretassem as declarações de Trump como uma "metáfora colorida e uma tática de negociação". Aks argumentou que Trump poderia estar se expressando dessa forma para pressionar os aliados de Maduro, que ainda se encontram no poder, a renunciar ao controle do país.
Navegando em um Terreno Familiar
"Por enquanto, os investidores têm que navegar por um cenário já conhecido da ambiguidade deliberada de Trump sobre seus próximos passos", afirmou Aks. "A nossa intuição é que Trump geralmente não está interessado em mudanças de regime em larga escala com a presença de tropas, como aconteceu nas guerras do Iraque e do Afeganistão, que ele criticou amplamente".
Impacto no Setor de Defesa
Após a última operação militar, o mercado está atento ao que pode ocorrer em relação ao gasto militar. Normalmente, analistas esperam que um aumento nas ameaças de ação militar resulte em orçamentos maiores, conforme explicou Douglas Harned, analista da Bernstein. Segundo ele, já existem empresas de consultoria em defesa e engenharia dos EUA desenvolvendo propostas sobre o futuro da Venezuela. Trump mencionou que as companhias de petróleo americanas investirão bilhões na nação rica em petróleo após a saída de Maduro.
Supervisão Governamental
Ainda não está claro qual organização governamental será responsável pela coordenação do planejamento dos EUA na Venezuela, especialmente após cortes significativos no orçamento da agência de desenvolvimento internacional dos EUA, mencionou Harned. Contudo, ele acredita que alguma forma de investimento com sede nos EUA será necessária para apoiar a Venezuela daqui em diante. Esse investimento poderá surgir diretamente dos orçamentos de segurança do governo ou de empresas de petróleo que busquem estabelecer uma presença no país.
Expectativas de Investimento
Entretanto, Harned destacou que qualquer gasto provavelmente resultará em um aumento nos orçamentos, dada a atual posição do governo, que deve ser mantida em relação a iniciativas como a construção de novos navios e a estratégia do "dome dourado". Dependendo de como, e se, um plano tomar forma, ações relacionadas ao setor de defesa, como CACI International, AECOM, KBR e Parsons, poderão se beneficiar. As ações globais de defesa, em geral, avançaram nas negociações iniciais de segunda-feira.
Desempenho do ETF
O ETF iShares U.S. Aerospace & Defense (ITA) subiu mais de 1% na sessão, atingindo um novo recorde histórico intradiário. O ETF apresentou um crescimento superior a 47% em 2025, marcando seu quinto ano consecutivo de altas. Harned indicou que "quase sempre, quando aumentam as ameaças de ação militar, os orçamentos de defesa se elevam, resultando em tendências positivas para ações do setor". No ETF ITA, os maiores ganhadores na segunda-feira incluíram tecnologias de drones, com AeroVironment e Red Cat holdings se destacando como empresas que produzem tecnologias consideradas cruciais para a nova política de ataques rápidos e contundentes de Trump.
Crescimento do Orçamento Militar
As grandes empresas de defesa, como a General Dynamics e a Lockheed Martin, também apresentaram um aumento de mais de 2% nas suas ações. A analista Sheila Kahyaoglu, da Jefferies, observou que os gastos militares estrangeiros já estavam em ascensão ao comparar o período de três anos entre 2023 e 2025 com o de 2020 a 2022. A região da América do Sul, incluindo a Venezuela, não tem sido historicamente um grande contribuinte para esses gastos, segundo ela. Um fator que pode impulsionar os gastos no futuro poderá estar relacionado aos custos operacionais da frota naval dos EUA, que, segundo Kahyaoglu, foi amplamente reforçada nas últimas semanas.
Conclusão sobre o Interesse de Trump
Enquanto o mercado se pergunta sobre o significado da recente operação militar de Trump para várias classes de investimento, os negociantes estão se tornando cada vez mais conscientes de uma mudança clara em relação ao comportamento anterior do presidente sobre intervenções militares no exterior. Laperriere, da Piper Sandler, observou que Trump usou esse tipo de força de maneira infrequente durante seu primeiro mandato e evitou ataques ao Irã. Contudo, ele mencionou que o sucesso dos ataques ao Irã pode ter incentivado Trump a adotar abordagens semelhantes em alvos menores. "Trump tem sido um presidente extremamente ativo, inclusive na arena de segurança nacional, e essa energia agora está se estendendo ao uso da força militar", concluiu Laperriere. "No entanto, Trump só recorre à força quando o alvo não é uma ameaça para o poder militar dos EUA."
Fonte: www.cnbc.com


