Proposta de Proibição de Sobrevoo
A administração do ex-presidente Donald Trump apresentou, na quinta-feira (9), uma proposta para proibir companhias aéreas da China de sobrevoar o espaço aéreo da Rússia ao realizar voos de ida e volta para os Estados Unidos. A justificativa para essa iniciativa é que o tempo de voo reduzido proporcionado por essas rotas favorece as transportadoras chinesas, colocando as companhias aéreas americanas em desvantagem competitiva.
Contexto e Consequências
A proposta ocorre em um contexto de crescente tensão na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Este anúncio foi feito após a China endurecer, também na quinta-feira, os controles sobre as exportações de terras raras, materiais essenciais para diversas indústrias norte-americanas.
Companhias aéreas dos Estados Unidos criticam há tempos a permissão para que empresas chinesas utilizem o espaço aéreo russo em seus voos para os EUA. Essa prática resulta em trajetos mais curtos, o que implica em menor consumo de combustível e custos reduzidos para as transportadoras da China.
É importante destacar que a Rússia havia imposto proibições ao sobrevoo de companhias aéreas americanas e de várias outras nacionais, como uma retaliação à limitação imposta pelos EUA a voos russos sobre território americano. Essa restrição foi implementada em março de 2022, em resposta à invasão russa da Ucrânia.
Impactos na Aviação Chinesa
As companhias aéreas chinesas não foram incluídas nas proibições da Rússia e têm utilizado essa vantagem para expandir sua participação nas rotas internacionais. O Departamento de Transporte dos EUA manifestou, em sua proposta, que a configuração atual é “injusta” e tem gerado “efeitos competitivos adversos substanciais” para as transportadoras aéreas americanas.
A proposta em questão se aplicaria às permissões de transporte aéreo estrangeiro emitidas pelos EUA, mas não teria efeito sobre voos exclusivamente de carga, segundo o Departamento de Transporte.
Reação da China e Detalhes das Companhias Aéreas
Em reação a essa iniciativa, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China declarou na sexta-feira (10) que as restrições “não favorecem as trocas interpessoais”. A proposta pode impactar os voos realizados por algumas das principais companhias aéreas da China, incluindo Air China, China Eastern, Xiamen Airlines e China Southern.
A proposta não menciona a Cathay Pacific, que tem sede em Hong Kong e está entre as companhias que realizam sobrevoos pela Rússia na rota entre Nova York e Hong Kong. A Cathay Pacific não respondeu imediatamente a um pedido de comentário a respeito.
Além disso, entidades como a Administração da Aviação Civil da China, a embaixada chinesa em Washington e a Airlines for America, que representa companhias como American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines, também não se pronunciaram sobre a proposta até o momento.
Impacto nas Ações das Companhias Aéreas
As ações das três maiores companhias aéreas estatais da China caíram nesta sexta-feira, com a China Southern apresentando uma queda de 1,3%. A Air China e a China Eastern tiveram recuos de 1,26% e 0,95%, respectivamente. Estes desafios foram exacerbados pela crise provocada pela pandemia de Covid-19, a qual resultou em cinco anos consecutivos de prejuízos anuais para essas empresas.
Tensões Comerciais em Ascensão
A proposta de proibição das companhias aéreas chinesas sobrevoarem o espaço aéreo russo surge em meio a um aumento nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. A Boeing, por sua vez, está em negociações para vender até 500 aviões para a China. Essa venda representaria um avanço significativo para a empresa no segundo maior mercado de aviação do mundo, que atualmente enfrenta desafios devido às restrições comerciais EUA-China.
Espera-se que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, se encontrem pessoalmente na Coreia do Sul no final de outubro. Durante esse período, o Departamento de Transporte está concedendo um prazo de dois dias para que as companhias aéreas chinesas faça suas considerações sobre a proposta, que pode resultar em uma ordem final já em novembro.
Desenvolvimentos Recentes nos Voo Entre EUA e China
Em maio de 2023, o governo dos EUA aprovou o aumento de voos operados por companhias aéreas chinesas, desde que elas concordassem em não sobrevoar a Rússia em novas rotas. No ano anterior, o Departamento de Transporte havia informado que as companhias aéreas chinesas poderiam expandir os voos semanais de ida e volta para os EUA para um total de 50. Entretanto, a aprovação de mais voos foi suspensa após pressões de sindicatos e das próprias companhias aéreas dos EUA.
Antes das restrições impostas no início de 2020 devido à pandemia, mais de 150 voos de ida e volta por semana eram autorizados para cada lado. Algumas companhias americanas relataram que voos diretos da Costa Leste para a China se tornaram economicamente inviáveis sem o sobrevoo da Rússia. Isso gerou a necessidade de deixar assentos vagos e reduzir a carga transportada, devido ao aumento do tempo de voo exigido por rotas alternadas.
Fonte: www.moneytimes.com.br
