UE vê o Brasil como aliado estratégico em minerais essenciais.

A União Europeia e a Parceria com o Brasil

Enquanto a União Europeia busca diversificar suas fontes de fornecimento de minerais críticos, o Brasil se posiciona como um parceiro estratégico nesse esforço. De acordo com Jozef Síkela, comissário europeu para Parcerias Internacionais, a proposta da UE é considerada mais "benéfica" do que a de outras nações que competem pelas matérias-primas brasileiras, conforme informações divulgadas à Reuters.

Visita ao Centro de Pesquisa da Viridis

No último sábado, 20, Síkela visitou o centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, localizado em Poços de Caldas, Minas Gerais. Este centro é um dos quatro projetos prioritários selecionados para acelerar a colaboração entre a União Europeia e o Brasil.

Enfoque na Sustentabilidade

Síkela acredita que a abordagem da União Europeia é um diferencial, devido à ênfase na sustentabilidade dos negócios e na promoção do processamento local de terras raras. Essa estratégia se alinha com a diretriz do governo brasileiro de produzir e lhe exportar minerais que agregam tecnologia e valor à cadeia produtiva. O Brasil possui a segunda maior reserva global de minerais críticos.

Avanços e Parcerias

"É extremamente importante que o Brasil também avance além de negócios de baixa margem, ou seja, que o valor seja criado aqui no país", ressaltou Síkela em entrevista durante sua visita à unidade da Viridis. Ele destacou a posição do Brasil como o parceiro mais estratégico da UE na América Latina, além de uma economia em crescimento.

O comissário acrescentou que, por meio de acordos de compra, a União Europeia pode satisfazer suas necessidades, enquanto o Brasil poderá desenvolver sua capacidade de refino e novas tecnologias, promovendo avanços na cadeia de suprimentos que possibilitem a geração de margens mais altas.

Detalhes sobre o Projeto da Viridis

O projeto piloto da Viridis, inaugurado em maio, tem a capacidade de processar 100 quilos de minério por hora, com uma produção anual de até 2,92 quilos de carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês). Este é um pó esbranquiçado que contém uma mistura dos elementos de terras raras, ainda não separados.

A mineradora planeja investir 360 milhões de dólares para a construção de uma planta comercial que terá a capacidade de produzir 15 mil toneladas de MREC anualmente a partir de 2028. O projeto Colossus, em Minas Gerais, abrange um total de 228,62 quilômetros quadrados de licenças.

Benefícios Sociais

Síkela expressou entusiasmo pelo projeto da Viridis, destacando que ele atende a objetivos importantes: criação de empregos, estabelecimento de novas parcerias, introdução de novas tecnologias, promoção da educação e transferência de conhecimento, todos fundamentados em padrões ambientais, sociais e técnicos de alta qualidade.

Além disso, o comissário enfatizou uma carta de intenções não vinculante assinada recentemente entre a Viridis e a empresa química belga Solvay. Esse documento prevê o fornecimento de MREC e pode evoluir para uma parceria que inclua suporte tecnológico para o processamento.

Discussões Avançadas com a UE

Rafael Moreno, presidente-executivo da Viridis, declarou à Reuters que as discussões com a União Europeia a respeito de apoio ao projeto estão avançadas. Ele mencionou que um possível acordo com a Solvay poderá ser finalizado até o final de julho. Moreno comentou sobre a importância de um preço mínimo no acordo, ressaltando que a conclusão dos detalhes é vital, embora não tenha especificado prazos.

Síkela afirmou que sua função é oferecer apoio político e mecanismos de mitigação de riscos, sem substituir o financiamento privado. "Não estamos aqui para substituir o financiamento privado ou atuar como fornecedores de capital próprio, mas nosso papel é ajudar a mobilizar investimentos privados", disse ele, sem entrar em detalhes.

Corrida Global por Minerais Críticos

O avanço da Viridis no Brasil ocorre em um contexto de crescente competição global por terras raras e minerais críticos. Governos da Europa e dos Estados Unidos estão empenhados em reduzir a dependência da China, que é o maior produtor global desses materiais essenciais para a fabricação de veículos elétricos e sistemas de defesa.

Diversificação no Ocidente

Síkela foi questionado sobre essa dinâmica e afirmou que o foco da estratégia europeia não se resume à China. Ele explicou que a intenção é reduzir "dependências" na cadeia de suprimentos globais, levando em consideração os impactos causados por eventos como a pandemia e a guerra na Ucrânia.

Projetos Prioritários no Brasil

Além das terras raras, Síkela mencionou outros minerais críticos que são considerados prioritários pela União Europeia no Brasil, como níquel e lítio. Ele indicou que estão sendo negociados planos para avançar em um memorando de entendimento entre a UE e o governo brasileiro.

Proposta de Valor da UE

Ao ser indagado sobre um possível atraso na competição por ativos no Brasil, levando em conta os avanços de Estados Unidos e China, Síkela afirmou que "a proposta de valor é mais benéfica do que a dos outros. Primeiro, é mais sustentável. A segunda coisa é criação de empregos e educação".

O comissário lembrou que o Brasil desempenha um papel ambiental fundamental, devido à presença da floresta amazônica e a riqueza de seus recursos naturais. "O que quer que o Brasil faça, se fizer certo, terá impacto global. E, se fizer errado, terá um impacto negativo", explicou. Ele ressaltou que a intenção é apoiar padrões ambientais, sociais e de governança que são relevantes.

A Visão da Viridis

Rafael Moreno, presidente-executivo da Viridis, declarou que a empresa está em conformidade com as diretrizes europeias e busca um mercado diversificado para a cadeia produtiva de terras raras. "Estamos adotando uma abordagem em que queremos que todos tenham direitos, seja na Argentina, no Paraguai, na Europa ou na Austrália. Portanto, estamos felizes em manter uma mentalidade europeia ou ocidental", compartilhou.

No final do mês passado, Moreno informou à Reuters que a Viridis estava em negociações avançadas com potenciais compradores de minerais críticos na Europa e nos Estados Unidos, enfatizando que a empresa não está buscando compradores chineses.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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