Vendas do Comércio Varejista em São Paulo
As vendas do comércio varejista do estado de São Paulo apresentaram uma queda de 7,5% em fevereiro, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior. Esses dados foram revelados pela PCCV (Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista), que é elaborada mensalmente pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em colaboração com a Sefaz/SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo).
Esse resultado é considerado um dos piores da série histórica para o mês de fevereiro. O faturamento real do comércio varejista totalizou R$ 110,1 bilhões, o que representa uma redução de R$ 8,9 bilhões em relação aos valores registrados no mesmo mês de 2025.
Conforme a avaliação realizada pela FecomercioSP, a desaceleração no consumo familiar já era uma expectativa, influenciada por uma base de comparação forte e por fatores macroeconômicos, como as taxas de juros elevadas, que afetam as vendas de produtos duráveis que dependem de crédito.
É importante destacar que essa queda foi acentuada por um efeito calendário, uma vez que o carnaval deste ano ocorreu em fevereiro. No ano passado, a festividade aconteceu em março, resultando em um menor número de dias úteis e impactando negativamente o faturamento do setor.
Desempenho no Primeiro Bimestre
No que diz respeito ao desempenho acumulado no primeiro bimestre, a variação foi negativa em 5,4%, representando um faturamento inferior em R$ 13,1 bilhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado ao longo de 12 meses, o varejo ainda demonstra um crescimento de 1,8%, sugerindo que a desaceleração no setor é uma ocorrência mais recente, concentrada especialmente nos últimos meses.
Segmentos com Retração
Entre as atividades analisadas, oito delas apresentaram uma redução em seu faturamento. As categorias mais afetadas incluem:
- Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento: -23,2%
- Lojas de móveis e decoração: -13,9%
- Materiais de construção: -13,1%
- Outras atividades: -12,4%
- Autopeças e acessórios: -9,9%
- Concessionárias de veículos: -5,7%
- Supermercados: -3,5%
- Lojas de vestuário, tecidos e calçados: -3,4%
Esses dados indicam um movimento de queda generalizada entre os diversos segmentos do comércio varejista.
Por outro lado, apenas farmácias e perfumarias mostraram um desempenho estável, mantendo o nível de faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.
Observações da FecomercioSP
De acordo com a FecomercioSP, as quedas mais significativas ocorreram em segmentos que dependem de financiamento e são sensíveis ao custo do crédito. Essa situação refletiu a redução nas compras, especialmente em um cenário de orçamento familiar já pressionado.
Os técnicos da entidade afirmaram que “nos segmentos relacionados ao consumo básico, como supermercados e farmácias, o desempenho se mantém mais resiliente”. Isso sugere um processo de recomposição do orçamento das famílias, onde os consumidores ajustam seus gastos, substituem produtos e buscam alternativas mais econômicas, sem deixar de atender às necessidades essenciais de seus lares.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

