Desempenho do Mercado de Crédito Brasileiro em Junho
O mercado de crédito brasileiro demonstrou um crescimento significativo em junho, com destaque para a participação das empresas nesse avanço. De acordo com a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada na segunda-feira, dia 27 de julho, a expectativa é de que a carteira total de crédito do país tenha crescido 0,8% em comparação ao mês de maio. Caso essa projeção se confirme, o volume de operações deverá apresentar um incremento de 9,8% nos últimos 12 meses, superando a taxa anterior de 9,5%.
A Pesquisa Especial de Crédito
Esta pesquisa compila dados das principais instituições financeiras atuantes no Brasil e serve como uma antecipação dos dados da Nota de Crédito do Banco Central, programada para ser divulgada na quinta-feira, 30 de julho. Apesar de que os números oficiais ainda estejam pendentes da confirmação pela autoridade monetária, a análise sugere que o mercado continua sendo sustentado por programas de crédito com garantias governamentais, além de uma demanda robusta por financiamentos.
Desempenho das Empresas
Um dos principais destaques do relatório é a carteira de crédito voltada para as empresas. Há expectativa de um crescimento de 1,5% em junho em relação a maio, o que elevaria o crescimento anual de 6,8% para 7,7%. Este aumento é impulsionado principalmente por operações com recursos livres, que devem apresentar uma elevação de 1,7% no período. Essa tendência é em parte explicada pelo efeito sazonal usual do encerramento de trimestres, quando cresce a procura por linhas de antecipação de recebíveis.
Comparação com o Ano Anterior
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a carteira livre destinada a pessoas jurídicas também tende a apresentar um desempenho positivo. A pesquisa prevê um crescimento de 1,9% em junho, após um período de estabilidade anteriormente. Esse resultado é em grande parte influenciado por uma base de comparação mais fraca, uma vez que o aumento na alíquota do IOF em junho de 2025 havia reduzido o fluxo das operações de desconto de recebíveis. Posteriormente, a reversão dessa medida favoreceu a recuperação dessa modalidade de crédito.
Linhas com Recursos Direcionados
A expectativa de expansão se estende também às linhas de crédito com recursos direcionados para empresas. A carteira deverá registrar um crescimento de 1,2% no mês, sustentada por novos aportes ao Programa Emergencial de Acesso a Crédito com garantia do FGI (FGI-Peac). Apesar de uma leve desaceleração na taxa anual, que passaria de 18,2% para 17,4%, esse segmento continua apresentando o crescimento mais vigoroso entre os variados tipos avaliados pela pesquisa.
Crédito para Famílias
Em relação ao crédito destinado às famílias, o crescimento permanece positivo, embora com um ritmo mais moderado. A carteira para pessoas físicas deve aumentar 0,4% em junho, em comparação ao mês anterior, enquanto a ampliação acumulada em 12 meses pode recuar levemente, passando de 11,2% para 11%. O crédito imobiliário se mantém como o principal destaque entre as modalidades de crédito direcionadas, impulsionado pelas recentes mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida. Já as operações com recursos livres devem mostrar um avanço mais modesto, de 0,2%, refletindo, entre outros aspectos, os efeitos do Novo Desenrola sobre os créditos com maior risco.
Crescimento Anual nas Carteiras de Pessoas Físicas
No que se refere ao acumulado nos últimos 12 meses, a pesquisa estima um crescimento de 11,3% na carteira de pessoas físicas com recursos livres, após um aumento de 11,7% registrado em maio. Nas linhas direcionadas, a expansão anual deverá acelerar, passando de 10,5% para 10,7%, o que evidencia um desempenho consistente, especialmente no financiamento habitacional.
Comentário da Febraban
Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, destacou que os dados corroboram a continuidade da expansão do crédito no Brasil. Ele comenta: “Nas famílias, o ritmo permanece consistente no nível de dois dígitos, com destaque recente para o setor imobiliário, enquanto as linhas de maior risco mostram certa acomodação na margem.”
Fonte: br.-.com


