Coca-Cola Innova em Bebidas Personalizáveis e Equipamentos Tendenciosos
ATLANTA — A Coca-Cola está se expandindo em novas bebidas personalizáveis e equipamentos orientados por tendências, uma resposta ao crescente desejo dos consumidores e operadores de serviços alimentares por mais opções.
Inovações em Dispense
Em um escritório discreto não muito distante de sua sede global, a Coca-Cola tem trabalhado em uma série de inovações em seus laboratórios secretos. Entre as novidades, os dispensadores de bebidas Freestyle estão sendo adaptados para criar “dirty sodas”, que combinam refrigerantes com xaropes aromatizados, creme ou outros ingredientes. Em parceria com a AMC Theatres, a empresa está testando um dispensador Micro Matic que pode preparar refrescos coloridos. Também estão em desenvolvimento novas opções de bebidas em formato “white-label”, como uma bebida energética personalizável por cor e sabor.
Para muitos restaurantes, bebidas artesanais, como refrescos e café gelado, tornaram-se uma maneira importante de atrair clientes e aumentar vendas, mesmo em um cenário de consumo mais cauteloso. Segundo dados da Circana, no segundo trimestre deste ano, as porções de bebidas em restaurantes superaram as porções apenas de alimentos e de alimentos com bebidas. Para os consumidores, especialmente da geração Z, uma bebida pode representar mais do que apenas hidratação.
David Portalatin, vice-presidente sênior da Circana e conselheiro da indústria de serviços alimentares, declarou: “Essas bebidas muitas vezes são uma oportunidade para fazer uma pausa, obter um pouco de energia ou proteína, ou apenas se dar um mimo, a um preço mais acessível.”
A Reação da Indústria
De cadeias consolidadas como McDonald’s e Wendy’s, os clientes da Coca-Cola têm ampliado suas ofertas de bebidas para se adaptar à mudança no comportamento do consumidor e aumentar suas margens de lucro. À medida que os operadores buscam adicionar novas opções às suas menus, a Coca-Cola deve disponibilizar mais opções de bebidas práticas, sob pena de perder vendas para concorrentes.
Megan Tallman, vice-presidente de equipamentos de bebidas e inovação na Coca-Cola para a América do Norte, ressaltou: “É nosso trabalho garantir que estamos proporcionando experiências e bebidas únicas, porque isso deixou de ser um bônus e se tornou a norma; os consumidores esperam isso.” Para a geração Z, um drink que seja atraente e exibível em redes sociais como Instagram ou TikTok pode justificar um preço de até 10 dólares.
Freestyle e Novas Abordagens
Neste mês de julho, o dispensador de bebidas Freestyle da Coca-Cola celebrou seu 17º aniversário. Tallman mencionou que, “se você acelerar o tempo até hoje, o Freestyle é mais relevante do que provavelmente era há uma década”, devido à grande variedade de sabores que oferece. No entanto, a Coca-Cola está constantemente evoluindo para acompanhar o avanço do mercado.
Desde a introdução do Freestyle, o número de cadeias de bebidas especializadas explodiu, oferecendo aos consumidores quase infinitas maneiras de personalizar suas bebidas, desde o teor de açúcar até coberturas. A empresa de pesquisa de mercado Technomic acompanha mais de 100 cadeias diferentes, com mais de 41.000 locais nos Estados Unidos, vendendo de tudo, desde café até sucos e boba.
Desde a instalação dos dispensadores Freestyle, mais de 67 bilhões de porções de 8 onças de bebidas foram servidas, e a Coca-Cola tem conseguido rastrear todas, graças à coleta de dados em tempo real do equipamento. Esses dados estão se mostrando valiosos atualmente.
Insights em Tempo Real
Dentro do Centro de Inovação de Equipamentos em Atlanta, uma imensa tela de televisão exibe dados em tempo real indicando quais bebidas estão em alta nos dispensadores Freestyle, o horário e a localização, desde a região até o tipo de estabelecimento comercial. Por exemplo, a água com gás AHA está em alta em prédios de escritório e hospitais.
Os insights coletados dos dispensadores Freestyle também auxiliam a empresa a descobrir novas bebidas para lançar em supermercados, como a Coca-Cola Orange Cream, que combina seu refrigerante tradicional com baunilha e xarope de laranja.
Tallman destacou: “Se percebemos que os sabores que estamos oferecendo aos consumidores em serviços alimentares estão realmente ressoando — isso se torna a plataforma de teste mais ampla.”
Novos Projetos em Andamento
Primeiramente, há o Freestyle Mini, que foi lançado inicialmente na Europa. Este dispensador, projetado para bares e restaurantes com espaço limitado, pode oferecer até 16 opções de bebidas, mais que o dobro das disponíveis em uma pistola de refrigerante convencional. A nova máquina foi apresentada na Feira Nacional de Restaurantes em Chicago na primavera, embora ainda não tenha sido comercializada para clientes nos Estados Unidos.
Outras ideias de equipamentos estão em fase inicial de desenvolvimento, inspiradas pelo desejo da Coca-Cola de diversificar com sucos misturados, refrescos e café. Para automatizar os “dirty sodas”, a empresa criou um protótipo que adiciona um módulo de laticínios ao dispensador Freestyle clássico. A cadeia baseada em Utah, Swig, reivindica a invenção do “dirty soda”, que rapidamente se espalhou, aparecendo em restaurantes da KFC e prateleiras de supermercados.
A popularidade desse tipo de bebida tem contribuído para mudar a imagem do refrigerante, de uma bebida massificada e desgastada para um item artesanal e especial.
Refrescando as Ofertas
Além do Freestyle, a Coca-Cola também está testando dispensadores de “mixologia” Micro Matic para criar refrescos e bebidas de café gelado. A Starbucks introduziu o refresco em 2012, visando o público não consumidor de café que desejava um impulso, especialmente na parte da tarde, quando o movimento em suas cafeterias diminuía. Os clientes podiam escolher suas bases, sabores e até níveis de cafeína. Atualmente, os refrescos representam cerca de 2 bilhões de dólares em vendas anuais para a Starbucks.
Outras cadeias de restaurantes, como Panera Bread e Dunkin’, também notaram essa tendência. Os refrescos estão presentes em 8,1% dos menus de cadeias de restaurantes nacionais, conforme os dados da Datassential.
Sarah Kate Sims, diretora de inovação em bebidas dispensadas da Coca-Cola North America, afirmou: “Não há definição real para o que é um refresco, então estamos tentando estabelecer o que podemos oferecer e qual função acreditamos que ele deve ter para o cliente.” Para ela, um refresco é uma bebida “mais saudável” que proporciona um tipo de energia, sem depender da cafeína tradicional do café, utilizando em vez disso um extrato de café natural ou chá verde como base. Além disso, a apresentação visual da bebida também é importante.
Testes e Colaboração no “The Vault”
As iniciativas de inovação da Coca-Cola não se restringem apenas aos equipamentos. Do outro lado do estacionamento do escritório de Plataformas de Equipamentos Global da companhia está “The Vault”, onde são testadas novas bebidas. Caroline Zambataro, arquiteta de colaboração da Coca-Cola, explicou: “Recebemos muitos de nossos principais clientes aqui para mostrar nossa inovação e mixologia, mas também para colaborar, resolver problemas e enfrentar os maiores desafios do negócio.”
Um dos clientes, a Whataburger, colaborou com a Coca-Cola durante cerca de 18 meses para desenvolver sua linha de “Whatafreshers”, que foi lançada em julho. Em alguns casos, os consumidores podem nem perceber que estão consumindo um produto da Coca-Cola. A empresa se considera uma “pioneira” da limonada premium, após ter lançado uma versão de marca própria há mais de uma década.
Com mais de 40.000 dispensadores de bebidas vendendo a bebida, como é o caso da Wendy’s, que a comercializa como “Dave’s Craft Lemonade”, uma homenagem ao fundador Dave Thomas. Hoje em dia, a limonada serve como uma base popular para diversos refrescos e outras bebidas coloridas.
Novas Iniciativas em Bebidas Energéticas
Além de suas ofertas já conhecidas, a Coca-Cola está desenvolvendo uma nova proposta de bebida energética em forma de uma solução sem cor e relativamente sem sabor, que pode ser encontrada tanto em versões congeladas quanto líquidas. A empresa planeja lançar esta bebida com operadores de serviços alimentares no primeiro semestre de 2027. Embora os energéticos sejam uma categoria menor em comparação aos refrigerantes, essa seção tem as maiores projeções de crescimento para a próxima década, segundo Tallman.
“Com o aumento do interesse por energéticos entre as consumidoras, acreditamos que essa solução atenda a uma ampla gama de público”, afirmou. Com a ascensão de marcas como Celsius, a conversa sobre bebidas energéticas mudou, ampliando seu público-alvo e as ocasiões em que podem ser consumidas.
Conclusão: Uma Oportunidade Dourada
Em termos gerais, a Coca-Cola tem recebido mais perguntas de parceiros de serviços alimentares sobre bebidas personalizáveis ultimamente. Melinda Pritchett, diretora de inovação da Coca-Cola para a América do Norte, afirmou que clientes como o McDonald’s, que ampliou seu cardápio McCafe para incluir refrescos e refrigerantes elaborados, tem incentivado a Coca-Cola a se envolver mais nesse mercado.
No entanto, a introdução das novas bebidas ocorreu em um período que, de outra forma, foi medíocre para os negócios do McDonald’s nos EUA, que reportou um crescimento de vendas de mesmas lojas de apenas 0,8%. Essa expansão e diversificação de bebidas refletem a necessidade da Coca-Cola de manter parcerias financeiras sólidas, já que o desempenho das vendas é o principal indicador de qualquer relacionamento comercial.
Fonte: www.cnbc.com
