Conflito Comercial entre EUA e Canadá
O presidente dos EUA, Donald Trump, teve um encontro com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante um almoço de trabalho que fez parte da cúpula do G7, realizada em Evian, no leste da França, em 16 de junho de 2026. Esta cúpula do G7 está programada para ocorrer entre 15 e 17 de junho, na cidade de Evian-les-Bains, próxima à Suíça. Os líderes de vários países estarão presentes, incluindo o chefe de política externa da União Europeia, além de ministros do Brasil, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Turquia.
Foto por Evelyn Hockstein | AFP | Getty Images
Colapso nas Negociações Comerciais
As negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá fracassaram na última sexta-feira, resultando na implementação de uma nova tarifa de 50% pela administração Trump.
Os negociadores de ambos os lados trabalharam ao longo da semana na busca por um acordo, com alguns momentos sugerindo que um consenso estava próximo. O presidente Donald Trump havia adiado o prazo original, que era na quarta-feira, poucas horas antes de sua imposição, afirmando que um contrato estava prestes a ser firmado. O ministro canadense do Comércio para os EUA, Dominic LeBlanc, informou a jornalistas na quinta-feira que um acordo estava “muito próximo”.
No entanto, na sexta-feira, ambas as partes se culparam pelo fracasso das negociações, à medida que as tarifas começaram a afetar cerca de 20 bilhões de dólares em exportações canadenses. Esses produtos incluíam vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pescar e equipamentos de hóquei, com a implementação das tarifas ocorrendo na manhã de sábado.
Reações do Primeiro-Ministro Canadense
O primeiro-ministro canadense Mark Carney divulgou uma declaração na última sexta-feira em que reafirmou que, apesar dos esforços para chegar a um acordo, “esse progresso não foi suficiente para alcançar nossos objetivos para os canadenses”. Ele também observou que “mudanças de última hora nas termos propostos pelos EUA foram consideradas injustas, não econômicas e levantaram questionamentos sobre a confiabilidade de qualquer acordo”.
Na sua declaração, Carney afirmou que o Canadá retaliará as novas tarifas “dólar por dólar”.
Declarações do Representante de Comércio dos EUA
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, postou uma mensagem na plataforma X logo pela manhã de sábado, afirmando que “o Canadá se negou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados anteriormente nesta semana”.
Greer acrescentou que, durante as negociações, os EUA haviam “concordado em oferecer um tratamento ainda melhor ao Canadá, oferecendo reduções significativas de tarifas em aço, alumínio, automóveis e madeira”. No entanto, ele também mencionou que “o Canadá continua a manter sua prolongada retaliação contra os Estados Unidos, incluindo, entre outras coisas, proibições absolutas em certos produtos e serviços americanos”.
Imposição de Novas Tarifas
A administração Trump assinou três proclamações para impor tarifas adicionais de 50% sobre uma variedade de produtos canadenses em julho. Este movimento foi justificado como uma resposta à discriminação comercial contra diversos produtos e indústrias dos EUA, como veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. As tarifas foram aplicadas com base na Seção 338 da Lei de Tarifas de 1930, que concede ao presidente o poder de impor tarifas de até 50% sobre bens de países que tenham sido considerados discriminatórios em relação aos EUA, uma medida que não era utilizada desde 1949.
Relações Bilaterais em Crescente Tensão
O fracasso em alcançar um acordo agrava ainda mais a já tensa relação entre os Estados Unidos e o Canadá. As duas partes já estavam na mesa de negociações em relação ao seu pacto comercial trilateral com o México, conhecido como USMCA, que não foi renovado em julho devido a preocupações com os déficits comerciais dos EUA — um acordo que Trump chegou a classificar como “o melhor contrato que já fizemos”.
Fonte: www.cnbc.com
