Processo Contra Yoon Suk Yeol
Yoon Suk Yeol, presidente da Coreia do Sul, chegou para uma audiência no Tribunal Constitucional da Coreia, em Seul, na terça-feira, 21 de janeiro de 2025.
Pedido de Pena de Morte
O procurador especial da Coreia do Sul solicitou a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, em razão da declaração de lei marcial que ele anunciou em 2024, a qual teve uma duração muito breve. A requisição foi feita enquanto o julgamento de Yoon se aproximava do fim na terça-feira. A decisão do tribunal sobre o caso é aguardada para o dia 19 de fevereiro.
Yoon enfrenta acusações de liderar uma insurreição, um crime que não é protegido pela imunidade presidencial e que pode resultar na pena máxima de morte. A execução, se realizada, marcaria a primeira pena capital na Coreia do Sul em quase 30 anos.
Contexto da Pena de Morte na Coreia do Sul
A Anistia Internacional classificou a Coreia do Sul como um país "abolicionista na prática", ressaltando que, embora o país mantenha a pena de morte em seu sistema jurídico, não executa ninguém desde 1997.
Acusações e Defesa
Durante a audiência final, a equipe da procuradora especial Cho Eun-suk argumentou que Yoon declarou a lei marcial "com o objetivo de permanecer no poder por um longo período, ao tomar controle do judiciário e do legislativo", conforme relatado pela mídia sul-coreana. Yoon, por sua vez, sustentou sua inocência, afirmando que a declaração estava dentro de sua autoridade constitucional e foi destinada a "proteger a liberdade e a soberania".
No contexto das denúncias, Yoon acusou o partido oposicionista, o Partido Democrático da Coreia, de envolver-se em "atividades antinacionais" e de ter laços com "comunistas norte-coreanos".
O Evento da Declaração de Lei Marcial
Em 3 de dezembro de 2024, Yoon ordenou a mobilização de tropas em direção à Assembleia Nacional do país após anunciar a lei marcial em um discurso transmitido à noite. Os soldados bloquearam o acesso ao local e houve confrontos com manifestantes e legisladores, enquanto forças especiais tentaram adentrar a câmara.
No entanto, em um intervalo de três horas, a ordem de lei marcial foi revogada após 190 dos 300 parlamentares da Assembleia Nacional se reunirem e votarem unanimemente pela anulação do decreto. Yoon, então, suspendeu a lei marcial cerca de seis horas após sua declaração.
Contexto Histórico
O último golpe militar registrado na Coreia do Sul ocorreu em 1979, quando o então general do Exército, Chun Doo-hwan, tomou o controle do país após o assassinato do presidente Park Chung-hee. Chun posteriormente expandiu a lei marcial para todo o país em 1980, ação que provocou a insurreição de Gwangju, durante a qual as tropas reprimiram violentamente os protestos na cidade de Gwangju, resultando em um número estimado de 200 a 2.000 civis mortos.
Na ocasião, o governo de Chun acusou a revolta de ser instigada por "comunistas norte-coreanos e gângsteres". Em 1996, Chun foi condenado à pena de morte por seu papel no golpe de 1979, embora sua sentença tenha sido posteriormente comutada para prisão perpétua.
Fonte: www.cnbc.com


