Michael Burry e sua Análise Crítica sobre a Nvidia
Michael Burry, conhecido pelo seu papel em "The Big Short", está aprofundando sua aposta negativa em relação à Nvidia. Ele levanta preocupações em torno de um item específico no último relatório de lucros da fabricante de chips, que evoca um padrão observado no auge da bolha da tecnologia no final dos anos 90.
Aumento das Obrigações de Compra
Burry destacou um aumento significativo nas obrigações de compra da Nvidia, que saltaram de R$ 16,1 bilhões para R$ 95,2 bilhões em um ano. As obrigações totais de fornecimento, que incluem inventário e acordos de compra, agora chegam a aproximadamente R$ 117 bilhões, quase igualando o fluxo de caixa operacional anual da Nvidia. Durante a teleconferência sobre os lucros do quarto trimestre fiscal da empresa na quarta-feira, a diretora financeira Colette Kress informou que o inventário cresceu 8% em relação ao trimestre anterior. Ela também mencionou que a Nvidia havia "garantido estrategicamente inventário e capacidade para atender à demanda além dos próximos trimestres, de forma mais ampla do que o habitual".
Compromissos Antecipados e Inventário
Para Burry, os comentários da Nvidia sugerem que a maior empresa pública dos Estados Unidos está se comprometendo a adquirir grandes quantidades de suprimento antes de ter clareza sobre a força da demanda futura. Isso implica que uma quantidade maior de capital está sendo alocada em inventário por períodos mais prolongados. Ele afirmou: "O que está acontecendo agora não é temporário. Não é um choque de exportação. Não é externo. Isso vem de dentro do plano de negócios." Burry acredita que essa nova realidade reflete uma decisão deliberada de bloquear a capacidade da cadeia de suprimentos mais do que a Nvidia fez anteriormente.
Comparação com a Cisco
O investidor compara a situação atual da Nvidia à da Cisco Systems no auge da bolha das ponto-com, entre 1990 e 2000. Nos anos de 2000 e 2001, a Cisco garantiu grandes compromissos de fornecimento para sustentar as expectativas de crescimento rápido. Quando os gastos corporativos em tecnologia despencaram repentinamente, a Cisco ficou com um excesso de inventário e obrigações contratuais que não pôde utilizar, resultando em perdas de bilhões de dólares e uma queda acentuada em suas ações.
Riscos e Margens de Lucro
Burry destacou: "Isso não é negócios como de costume. Isso é risco." Ele fez uma analogia com o que ocorreu em 2000-2001, lembrando que a Cisco estendeu compromissos de compra com seus fornecedores para garantir capacidade para um crescimento anual de 50% que esperava. É importante notar, no entanto, que as margens de lucro da Nvidia, que agora estão acima de 70%, são mais altas do que as da Cisco naquele período, o que poderia fornecer alguma proteção contra perdas. Entretanto, Burry acredita que essas margens foram impulsionadas por uma demanda excepcionalmente forte e pela capacidade da Nvidia de aumentar preços.
Perspectivas sobre o Mercado
Burry observou que essa margem poderia rapidamente se reverter com uma mudança na demanda. Apesar dessas advertências, nem todos os analistas compartilham dessa visão de alerta. Especialistas da Rosenblatt Securities afirmaram que a gestão da Nvidia abordou várias preocupações dos investidores durante o trimestre, incluindo capacidade de GPU, concorrência de chips personalizados, disponibilidade de energia, oferta de memória e financiamento ao cliente.
Confiança da Gerência
Os analistas da Rosenblatt consideram a liderança da Nvidia como uma equipe de gestão confiante, capaz de sustentar a demanda dos clientes para suas plataformas de nova geração e continuar liderando o desenvolvimento do mercado de inteligência artificial. Na quinta-feira, a firma de Wall Street aumentou sua meta de preço de 12 meses para a Nvidia, elevando-a de R$ 245 para R$ 300, o que implica um potencial de crescimento superior a 50% nos próximos 12 meses.
Desempenho das Ações
Na manhã de quinta-feira, as ações da Nvidia estavam próximas das mínimas da sessão, apresentando uma queda de quase 4% no início da negociação. Até o momento, as ações subiram menos de 1% em 2026, após uma disparada entre 2023 e 2025, resultante do lançamento do ChatGPT.
Fonte: www.cnbc.com


