A Faria Lima e o Agronegócio Brasileiro
A aproximação entre a Faria Lima e o agronegócio brasileiro ainda se encontra em suas fases iniciais, mas o caminho aponta para a possibilidade de se tornar a principal via de financiamento do setor. Essa avaliação é de Octaciano Neto, fundador da Zera.ag e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno. Segundo ele, o movimento demonstra um processo de aprendizado mútuo entre investidores e produtores rurais, sem retorno assegurado.
Desafios e Necessidades no Campo
De acordo com Neto, a situação atual ainda é preliminar, apresentando desafios significativos de ambas as partes. No campo, observa-se uma necessidade clara de aprimoramento em governança e gestão.
“Muitos produtores continuam a operar com baixa disciplina financeira, misturando as contas pessoais com as da propriedade rural ou adotando práticas pouco estruturadas”, explica. No entanto, ele destaca que há um movimento consistente de amadurecimento sendo observado.
Aprendizado do Mercado Financeiro
No que diz respeito ao mercado financeiro, o aprendizado também está distante de ser completo. “A análise do agronegócio ainda é, muitas vezes, realizada com as mesmas ferramentas que são utilizadas em setores tradicionais, como energia ou saneamento. O agro requer uma abordagem própria, que consiga capturar suas especificidades, riscos e dinâmicas produtivas”, conclui Neto.
Descompasso entre Campo e Mercado de Capitais
Esse descompasso ajuda a explicar por que grandes gestoras ainda hesitam em oferecer crédito direto ao produtor rural. Seja por uma percepção de risco elevado ou pela falta de familiaridade com o setor agrícola, o fato é que o agronegócio brasileiro ainda carece de um ecossistema financeiro tão robusto quanto outros segmentos, como o imobiliário e a infraestrutura, onde já existem “one stop shops” preparadas para atender a diversos perfis de risco e operações.
Desafios Comerciais
Adicionalmente, há um desafio de natureza comercial: é mais fácil para os gestores captar recursos por meio de teses padronizadas, focadas em empresas com balanços auditados e perfis mais previsíveis. Isso acaba criando uma barreira para apresentar operações pulverizadas que ocorrem no campo, que muitas vezes estão ligadas a culturas específicas ou a regiões particulares.
Visão Futurista
Apesar dessas dificuldades, Octaciano Neto é contundente em sua afirmação: a conexão entre a Faria Lima e o agronegócio está apenas no início, mas é um processo que não pode ser revertido. No longo prazo, ele não alimenta dúvidas de que o mercado de capitais assumirá um papel central no financiamento da agricultura brasileira, consolidando assim uma ponte definitiva entre o ambiente financeiro e o produtivo.
Fonte: www.moneytimes.com.br

