Acusação de Flávio Bolsonaro contra Lula
A campanha do pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), anunciou que ele realizará uma denúncia, ainda nesta terça-feira (3), junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de supostos “crimes praticados”. Segundo uma nota emitida pela assessoria do parlamentar, Lula teria afirmado que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser executado por enforcamento. Flávio Bolsonaro considera que as palavras do presidente configuram crime de ameaça e incitação ao crime.
Contexto do discurso de Lula
O discurso em questão ocorreu durante um evento no Instituto Federal de Educação Goiano, onde Lula criticou a família Bolsonaro. O presidente acusou os integrantes da família de conspirar nos Estados Unidos contra o Brasil, chamando-os de traidores.
No entanto, contrariamente ao que a campanha de Flávio Bolsonaro afirma, Lula não disse que o senador merecia ser enforcado como Tiradentes. Durante o discurso, Lula fez uma declaração em que sugeriu que os "filhos do (Jair) Bolsonaro são piores do que ele", referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente encontra-se em prisão domiciliar.
Erro histórico no discurso
Lula cometeu um erro histórico ao mencionar Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. O presidente afirmou que, por muito menos, Silvério dos Reis teria sido enforcado. Na verdade, Tiradentes foi enforcado e esquartejado após ser delatado, enquanto Silvério dos Reis, embora tenha sido preso, foi liberado e recompensado pela Coroa Portuguesa por sua delação no final do século XVIII.
Lula, sem mencionar Flávio Bolsonaro diretamente, disse: “São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm de dizer em alto e bom som. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”.
Reflexão sobre a traição
Em uma continuação de sua fala, Lula questionou o que merecem os traidores da pátria que pedem intervenções de países estrangeiros em questões internas brasileiras. Ele pediu reflexão sobre a atitude de quem busca apoio externo, afirmando: “Todo covarde é assim, fala a m**da que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir”.
Conclusões do discurso de Lula
Ao final de seu discurso, Lula voltou a abordar o tema da traição, sem mencionar o enforcamento. Ele afirmou que a atitude de um cidadão ir a outro país pedir intervenção contra seu país é algo sério e não deve ser tratado com leveza. O presidente ressalta que, se a traição não for considerada um crime, o país poderia desconsiderar sua história, citando a trajetória de Judas e Tiradentes, concluindo que a sociedade não deseja mais traidores.
Resposta da assessoria de Flávio Bolsonaro
Após a repercussão do discurso, a equipe de reportagem do Money Times consultou a assessoria de Flávio Bolsonaro para saber se o senador planejava processar Lula, considerando que a afirmação de enforcamento de Tiradentes, usada como argumento, não corresponde à realidade dos fatos. A resposta dada pela assessoria foi apenas: “aí quem vai dizer é o juiz, né?”.
Fonte: www.moneytimes.com.br


