BC reduz taxa Selic para 14,25% com corte de 0,25 ponto pela terceira vez.

BC reduz taxa Selic para 14,25% com corte de 0,25 ponto pela terceira vez.

by Fernanda Lima
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Decisão do Copom sobre a Taxa de Juros

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu, nesta quarta-feira (17), por unanimidade, implementar um corte na taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic foi reduzida para 14,25% ao ano.

Histórico de Cortes

Essa decisão marca a terceira reunião consecutiva em que a autoridade monetária opta por cortes na taxa, sendo que todas as três reduções foram de 0,25 ponto percentual. Este ciclo de ajustes teve início em março deste ano, quando a Selic foi reduzida de 15% para 14,75%.

Comunicações do Banco Central

No comunicado divulgado pelo BC, não há um compromisso explícito em relação aos próximos passos, enfatizando que a “magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta.”

O Comitê destacou que, em sua avaliação, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros que são compatíveis com a convergência da inflação para a meta estabelecida.

Os modelos de projeção, que consideram essas trajetórias de taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas superiores às habituais na atual conjuntura. Essas incertezas se somam a um cenário marcado por choques de oferta, o que justifica uma avaliação mais cautelosa de seus efeitos sobre a dinâmica futura dos preços.

Expectativas do Mercado

A decisão do Copom alinhou-se às expectativas do mercado e ocorreu em um contexto em que a inflação ainda se apresenta pressionada, além de incertezas fiscais no âmbito nacional e tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Contexto Internacional

O comunicado do BC ressalta que o cenário internacional continua incerto, em razão da indefinição sobre os termos de um possível acordo para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio, bem como das consequências observadas até o momento, que impactam as condições financeiras globais e os preços de ativos e commodities. Essas circunstâncias demandam uma postura mais cautelosa por parte dos países emergentes.

Recentemente, a situação ganhou uma nova dimensão com a informação de que os governos dos EUA e do Irã alcançaram um acordo preliminar para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, um canal vital para o abastecimento de petróleo mundial. No entanto, a falta de informações concretas sobre os termos do acordo e sua viabilidade ainda mantém um clima de cautela entre os investidores.

Risco de Alta da Inflação

O comunicado também indicou que o BC vê mais riscos associados a um aumento da inflação do que a uma eventual queda. Entre os fatores que podem contribuir para uma elevação da inflação, o Copom mencionou a desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação, e políticas econômicas, tanto internas quanto externas, além de estímulos à demanda agregada, especialmente no que se refere ao consumo.

Risco de Baixa da Inflação

Por outro lado, os riscos que podem conduzir a uma redução da inflação incluem uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica e uma desaceleração global mais incisiva, resultante dos choques relacionados ao petróleo, além de uma possível diminuição nos preços das commodities.

Comunicado na Íntegra

O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Quanto ao cenário doméstico, os indicadores mostram uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores cíclicos voltando a desempenhar um papel significativo, além de um mercado de trabalho que ainda apresenta sinais de resiliência. As últimas divulgações mostram que a inflação e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se da meta para a inflação e superando seu limite superior na última leitura.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, conforme a pesquisa Focus, permanecem acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, que é o atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto em alta quanto em baixa, ainda estão mais elevados do que o normal. Os riscos de alta incluem uma possível desancoragem das expectativas de inflação ao longo do tempo, impactos de choques de oferta relacionados ao petróleo e efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; uma resiliência maior na inflação de serviços do que a projetada devido a um hiato do produto mais positivo; políticas econômicas que tenham um impacto inflacionário maior do que o esperado, como uma taxa de câmbio que permaneça de forma persistente depreciada; e estímulos à demanda agregada que resultem em um crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo os canais usuais de transmissão da política monetária. Já entre os riscos de baixa, destacam-se uma eventual desaceleração mais acentuada da atividade econômica interna, uma desaceleração global mais pronunciada devido a choques comerciais e do petróleo, e uma redução nos preços das commodities que promova efeitos desinflacionários.

O Comitê continua monitorando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, mantendo uma postura de cautela em um cenário de maior incerteza. Os indicadores atuais de atividade econômica mostram uma recuperação em relação ao último trimestre de 2025, alinhando-se a uma trajetória de desaceleração acumulada para 2026. O quadro continua a ser caracterizado por expectativas desancoradas, projeções elevadas de inflação e pressões no mercado de trabalho.

Atualmente, as projeções de inflação revelam um afastamento ainda maior em relação à meta no horizonte relevante da política monetária. Simultaneamente, a incerteza em torno dessas projeções continua a ser mais alta do que o usual, em decorrência da incerteza sobre a trajetória dos fatores condicionantes analisados nos modelos de projeção.

A manutenção prolongada da taxa básica de juros em níveis contraídos possibilitou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em vista da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê enfatiza que a magnitude total do ciclo de calibração será definida com base em novas informações, com o objetivo de garantir a convergência da inflação à meta.

Na visão do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite que diferentes trajetórias de taxas de juros sejam compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, que utilizam essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas superiores as comuns na conjuntura atual. Essas incertezas se somam a um cenário de choques de oferta, o que justifica a avaliação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.

Nas simulações atuais, a trajetória da política monetária necessária para garantir a convergência da inflação à meta, no horizonte relevante atual, indicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante da próxima reunião estariam abaixo da meta. Nessas circunstâncias, o Comitê considera que trajetórias alternativas que assegurem essa convergência no primeiro trimestre de 2028 são compatíveis com uma suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

O Comitê decidiu, neste momento, prosseguir com o ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% ao ano.

No contexto atual, marcado por um aumento acentuado da incerteza, o Comitê reafirma a necessidade de serenidade e cuidado na condução da política monetária. Além de seu objetivo primordial de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica uma suavização das oscilações no nível da atividade econômica e a promoção do pleno emprego.

Os membros do Comitê que votaram a favor dessa decisão incluem: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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