Com o fechamento do Estreito de Ormuz, analistas intensificam as incertezas no mercado de petróleo.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, analistas intensificam as incertezas no mercado de petróleo.

by Fernanda Lima
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Fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã

No sábado, dia 20, o Irã anunciou novamente o fechamento do Estreito de Ormuz. Contudo, já antes dessa declaração, o tráfego de embarcações pelo canal apresentava uma queda significativa.

Dados sobre o Tráfego de Embarcações

De acordo com informações fornecidas pela empresa de inteligência marítima Kpler, apenas 25 navios atravessaram o canal na quinta-feira, dia 18. Esse número representou o maior volume de tráfego desde meados de abril, quando o Irã havia, por um breve período, reaberto o Estreito ao tráfego comercial.

Na sexta-feira, dia 19, após o cancelamento da primeira rodada de negociações entre o Irã e os Estados Unidos sobre os detalhes de um possível acordo, a quantidade de petroleiros que cruzavam o Estreito caiu para um único dígito.

Análises do Mercado de Petróleo

O analista-chefe de petróleo da Kpler, Matt Smith, falou à CNN sobre a situação atual, destacando que o volume de tráfego ainda está bastante aquém do normal. “Não é como se você estivesse vendo de repente um êxodo em massa”, comentou Smith. “É perceptível um aumento no tráfego… mas não é algo material. Ainda não chegamos ao ponto em que um ‘primeiro a se mover’ esteja surgindo.” Antes do início do conflito, entre 100 e 120 petroleiros cruzavam diariamente a passagem entre o Irã e Omã.

Atualmente, aproximadamente 500 navios, dos quais 220 são petroleiros, continuam retidos no Golfo Pérsico desde o início do conflito. Mesmo com a assinatura de um acordo para encerrar os combates entre Irã e Estados Unidos, especialistas acreditam que o tráfego de navios e os fluxos de petróleo levarão meses para retornar ao normal.

Perspectivas de Liberação do Tráfego

Smith estima que levará semanas para que os cerca de 120 petroleiros carregados de petróleo que se encontram no Golfo consigam sair. Quanto aos 100 petroleiros vazios, será necessário ainda mais tempo para que sejam reabastecidos e partam.

A incerteza relacionada a rotas seguras e procedimentos de passagem contribui para a interrupção do tráfico. Jakob Larsen, diretor de segurança do BIMCO (Baltic and International Maritime Council), declarou em nota à CNN que, mesmo após a assinatura do acordo de cessar-fogo, a situação de segurança para a indústria de transporte marítimo permanece volátil. Ele ressaltou que a parte central do Estreito de Ormuz está minada e, portanto, intransitável. As zonas de tráfego costeiro, próximas a Omã e ao Irã, são as únicas que supostamente estão livres de minas. Congestionamentos e incidentes de navegação nessa área também elevam o risco associado à passagem.

Condições a Bordo dos Navios

Estima-se que cerca de 20 mil tripulantes ainda estejam retidos em navios no Golfo Pérsico. Ben Bailey, diretor de programas da Mission to Seafarers, que é uma organização de apoio a marinheiros, descreveu o clima a bordo como “um tipo de otimismo cauteloso”. Ele afirmou que os marinheiros estão ansiosos para partir, mas apreensivos em relação à segurança.

Os armadores, por sua vez, enfrentam questões com os seguros marítimos. As seguradoras suspenderam a cobertura de risco de guerra nos primeiros dias do conflito, e essa cobertura ainda não foi restabelecida para a maioria dos seus clientes.

Questões sobre Navegabilidade

Tom Kloza, analista independente de petróleo e consultor da Gulf Oil, ressaltou que não foi apenas o Irã que fechou o Estreito de Ormuz; empresas como a Lloyd’s de Londres também tomaram essa decisão. A Lloyd’s Market Association também apontou questões práticas que devem ser consideradas, como a condição de navegabilidade dos navios, pois muitos deles estão ancorados há mais de três meses. Além disso, a disponibilidade de combustível e suprimentos pode ser um fator limitante.

Bailey também mencionou a necessidade de se remover as cracas acumuladas nos cascos durante os meses em que estiveram ancorados. “Não é simplesmente dizer que o sinal agora está verde; todo mundo pode ligar os motores e partir”, disse ele.

Retorno da Produção de Petróleo

Mesmo que os navios consigam partir imediatamente, a produção de petróleo no Golfo Pérsico não voltará ao normal de forma rápida. Uma parcela significativa da produção e do refino na região foi interrompida no início do conflito, e o retorno a uma operação normal será gradual.

Além disso, novos petroleiros precisarão retornar ao Golfo para buscar novos carregamentos. Os armadores estão relutantes em correr o risco de ficarem presos novamente por meses. “Não sabemos a resposta para isso”, disse Kloza. “Talvez isso possa ser visto como uma área segura, mas ainda temos um longo caminho pela frente até que se chegue a essa conclusão.”

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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