Ações da Vale em Queda Após Resultados do Primeiro Trimestre de 2026
As ações da Vale (VALE3) apresentaram uma queda significativa nesta terça-feira, dia 29, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. Por volta das 10h45, os papéis da companhia recuavam 4,9%, com cotação em R$ 80,32, refletindo uma análise mais cautelosa por parte do mercado em relação ao balanço apresentado.
Análise do Desempenho Financeiro
Apesar de a empresa ter mostrado um avanço operacional consistente, analistas ressaltam que ajustes contábeis e a pressão em custos — fatores que incluem, em parte, o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã — limitaram a expectativa positiva em relação aos resultados financeiros.
Mary Silva, analista do BB Investimentos, avaliou que “o resultado apresentado pela Vale no 1T26 foi positivo, com números alinhados às estimativas, apoiados pelos avanços operacionais e pelos preços médios de todos os produtos”.
O lucro líquido da mineradora alcançou a cifra de US$ 1,9 bilhão, representando um aumento de 39% em comparação com o ano anterior, revertendo assim a perda registrada no trimestre anterior. O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado proforma alcançou US$ 3,9 bilhões, avançando 21% em relação ao ano passado, com uma margem de 42%.
Todavia, esse número ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, o que contribui para a pressão observada nas ações. A XP observou que “o Ebitda ficou cerca de 3% abaixo do consenso”, de acordo com relatório elaborado pelos analistas Lucas Laghi e Guilherme Nippes.
Custos Sobem e Viram Ponto de Atenção
Um dos principais pontos de atenção advém da divisão de minério de ferro. O custo caixa C1 subiu 12% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 23,6 por tonelada, sendo pressionado pela valorização do real e por efeitos operacionais.
No entendimento do Itaú BBA, conforme relatório assinado por Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares, o trimestre foi “ligeiramente negativo”, destacando a “deterioração da dinâmica de custos” que pode comprometer as projeções para 2026.
O banco também chamou a atenção para o aumento do custo “all-in” e do breakeven do minério entregue à China, refletindo tanto o câmbio quanto os preços do petróleo, fatores que devem continuar no radar do mercado.
Em contrapartida, a estratégia de fretes de longo prazo ajudou a atenuar parte da pressão, com uma redução nos custos de transporte, evidenciando ganhos em eficiência operacional.
Além disso, parte do resultado foi impactada por efeitos contábeis, incluindo ajustes de preços provisórios, especialmente em cobre e níquel, além da marcação a mercado de instrumentos financeiros, que em conjunto reduziram o lucro no trimestre.
Metais Básicos Salvam o Trimestre
Enquanto a divisão de minério apresentou desafios, a divisão de metais básicos se destacou positivamente.
A unidade de metais básicos registrou um Ebitda de US$ 1,2 bilhão, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior, com uma margem de 50,2%. Este desempenho foi impulsionado por aumentos nos preços de cobre e níquel, bem como por ganhos operacionais significativos.
Por outro lado, o BTG Pactual comenta que “os resultados foram menos empolgantes”, conforme relatório assinado por Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo. O banco ressalta que a operação de metais básicos continua robusta, apresentando crescimento de volumes e melhorias relevantes nos custos, o que reforça a diversificação da empresa.
Fluxo de Caixa e Dívida Também Entram no Radar
Um outro fator que impacta a percepção do mercado é a geração de caixa.
O fluxo de caixa livre somou US$ 813 milhões no trimestre, impacto resultante do consumo de capital de giro e do pagamento de dividendos. A dívida líquida expandida subiu para US$ 17,8 bilhões, ainda dentro da meta estipulada pela companhia, mas apresentando uma trajetória de alta no curto prazo.
Segundo o BTG, “o trimestre foi mais fraco em termos de geração de caixa”, refletindo não apenas a sazonalidade, mas também efeitos pontuais, embora se espere uma melhora ao longo do ano.
Leitura do Mercado
Por fim, o balanço trouxe uma interpretação mista, que está sendo refletida no preço das ações. “Apesar dos preços elevados de minério, cobre e níquel, os ventos contrários em custos reduziram o brilho do trimestre”, afirmam os analistas da XP.
O BTG Pactual acentua que “os números parecem menos empolgantes”, embora isso não altere a tese estrutural da companhia. Já o Itaú BBA alerta que “a deterioração de custos pode pressionar revisões de lucro”, mantendo este tema no foco das discussões.
A pesar da reação negativa no curto prazo, as recomendações de analistas permanecem majoritariamente otimistas. O BTG Pactual segue com recomendação de compra e um preço-alvo de US$ 15 para os ADRs, enquanto o Itaú BBA adota uma recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 19,50, indicando que, mesmo diante de dificuldades no trimestre, a visão de longo prazo continua sólida.
O BB BI também mantém recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 89. A XP, por sua vez, adota uma posição neutra, apontando um preço-alvo de R$ 85.
Fonte: www.moneytimes.com.br


