Apoios e Críticas nas Reflexões sobre a Inteligência Artificial
A educação sobre a dimensão da atividade laboral e a afirmação de que “os seres humanos também consomem muita energia para serem educados” representam duas visões que, à primeira vista, podem parecer desconexas no contexto das discussões sobre o avanço da inteligência artificial e suas implicações sociais.
Essas duas opiniões foram expressas pelo mesmo indivíduo, o CEO da OpenAI, Sam Altman, em um período de apenas dois meses.
Desafios nas Relações Públicas da OpenAI
O advento da inteligência artificial, assim como o surgimento da internet, foi inicialmente percebido como uma evolução pertencente ao domínio da ficção científica ou algo que levaria um longo tempo para se concretizar. Todavia, esse cenário se transformou em realidade muito mais rapidamente do que se imaginava.
Logo no início, as questões concernentes aos direitos autorais emergiram como um dos tópicos mais debatidos, uma vez que as IAs eram treinadas com criações humanas que não possuíam autorização para esse uso, como a utilização de obras de arte para a geração de imagens digitalizadas.
Com o passar do tempo, o foco do debate tornou-se mais alarmante: quanto de energia e recursos são requeridos para treinar e manter as IAs em um planeta que já enfrenta os impactos significativos da poluição gerada por atividades humanas.
Cinco anos atrás, à medida que a discussão sobre esse tema começava a ganhar espaço, constatou-se que os data centers figuravam entre as dez indústrias mais críticas em termos de consumo de água nos Estados Unidos, conforme estudo conduzido por uma equipe da Universidade Virginia Tech.
Em 2026, o CEO da OpenAI, que desenvolveu o ChatGPT, foi questionado a respeito desse consumo em um evento organizado pelo The Indian Express. A resposta de Altman foi expressa da seguinte forma:
“É necessário aproximadamente 20 anos de vida e toda a alimentação que você consome nesse período para alcançar a inteligência. Além disso, foi imprescindível a evolução disseminada de cerca de 100 bilhões de pessoas que já viveram — que aprenderam a não serem presas de predadores, que compreendiam a ciência entre outros aspectos — para que você pudesse existir.”
Portanto, segundo Altman, a análise não deve se restringir a quanto as IAs consomem, mas sim a quanto isso representa em comparação ao que os seres humanos necessitam.
Alterações nas Perspectivas de Sam Altman
Entretanto, essa declaração não foi bem recebida. Altman enfrentou críticas incisivas nas semanas subsequentes. Sua resposta foi oferecida em um longo artigo.
No entanto, ele não abordou diretamente suas declarações anteriores, o que parece indicar uma mudança de posição em sua argumentação.
Em um texto extenso, datado de 13 páginas e intitulado “Política Industrial para a Era da Inteligência: Ideias para Manter as Pessoas em Primeiro Lugar”, Altman apresenta uma visão para um futuro onde a superinteligência beneficie a todos, alicerçada em três principais princípios:
- A riqueza deve ser amplamente distribuída, elevando o padrão de vida para todos os indivíduos;
- Os riscos associados, como desordem econômica e uso indevido de tecnologias, precisam ser gerenciados de forma eficaz;
- O acesso a tais ferramentas deve ser democratizado.
Enquanto no Brasil discussões sobre a redução da carga horária laboral ainda são relevantes, com tentativas de avançar de uma escala de 6×1 para 5×2, Altman propõe um horizonte mais ousado. Em seu artigo, ele sugere a redução da jornada de trabalho para 32 horas semanais, organizadas em uma escala de 4×3, com quatro dias dedicados ao trabalho e três ao descanso.
Paralelamente, na visão de Altman, torna-se imprescindível incentivar que as empresas retenham e reeduquem seus colaboradores, com o intuito de mitigar o desemprego que pode ser ocasionado pelo avanço das IAs.
Por último, Altman apresenta a ideia de criar um fundo cujo objetivo seria repartilhar os lucros advindos do progresso das IAs com os trabalhadores e com a sociedade em seu conjunto.
Fonte: www.moneytimes.com.br

