Reunião do Comitê de Política Monetária
A ata da 278ª reunião do Comitê de Política Monetária, publicada nesta terça-feira (5), evidencia os fatores que influenciaram as decisões do Banco Central na última Super Quarta. O conflito no Oriente Médio se destacou como o principal desafio para a análise da inflação e para a definição dos próximos movimentos da política monetária.
O comitê decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano. Essa decisão foi unânime, porém, o documento revela como o cenário internacional impactou a magnitude do corte, que se revelou menor, além de complicar o horizonte futuro.
Conflito e inflação
Antes do início das hostilidades no Oriente Médio, o Copom detectava uma situação relativamente mais positiva. A inflação mostrava sinais de arrefecimento, a valorização do câmbio era evidente e as commodities se comportavam de maneira favorável, contribuindo para a redução nos preços de produtos industrializados e alimentos.
Entretanto, com o agravamento do conflito, esse panorama mudou. As divulgações mais recentes sobre a inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, indicaram “sinais claros” dos impactos geopolíticos, com resultados “significativamente acima dos inicialmente esperados”. O aumento nos preços do petróleo e seus derivados foi um dos principais fatores desse choque, e o Copom deixou claro que seu foco é combater os efeitos de segunda ordem decorrentes dessa situação.
Expectativas inflacionárias para 2028
Um dos aspectos mais alarmantes da ata refere-se às expectativas inflacionárias em horizontes mais longos. Desde a última reunião, houve uma desancoragem adicional das expectativas, especialmente para o ano de 2028. O comitê apontou que condições em que as expectativas de inflação não estão ancoradas tornam a desinflação mais custosa em termos de atividade econômica. Esse cenário exige “uma restrição monetária maior e por um período prolongado, mais do que seria considerado apropriado anteriormente”.
As projeções do cenário de referência apontam para uma inflação de 4,6% em 2026 e de 3,5% no quarto trimestre de 2027, que é o atual horizonte relevante para a política monetária, sendo a meta estabelecida de 3%.
Futuros passos incertos
O Copom não forneceu um guia claro para os próximos cortes. O documento declara que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinados ao longo do tempo, conforme novas informações forem incorporadas”. Essa falta de clareza se dá em razão de sinais mistos sobre a atividade econômica e da ausência de tendências definidas no cenário internacional, tornando qualquer compromisso anterior arriscado.
O comitê reconheceu que a política monetária restritiva já tem gerado efeitos visíveis. A desaceleração nos componentes cíclicos do PIB no final de 2025 se estende até o início de 2026, resultando em uma queda no saldo de crédito livre. Apesar disso, o mercado de trabalho continua resiliente, com taxas de desemprego em níveis historicamente baixos e rendimentos reais aumentando acima da produtividade, mantendo, assim, a pressão sobre a inflação de serviços.
Pontos fiscais destacados
A ata reitera, com ênfase, a importância da política fiscal. O Copom alerta que um enfraquecimento no esforço de reformas, o aumento do crédito direcionado e incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem provocar um aumento na taxa de juros neutra da economia. Uma taxa neutra mais elevada implica que a política monetária precisará ser mais rígida para alcançar o mesmo efeito desinflacionário, o que encarece todo o processo econômico.
O comitê reafirmou a necessidade de que as políticas fiscal e monetária operem em harmonia, ressaltando que a disciplina fiscal é fundamental para que a inflação convirja em direção à meta estabelecida.
Cautela é o enfoque adotado
Ao concluir a discussão, o Copom optou por três palavras para descrever sua postura: serenidade, firmeza e cautela. O documento indica que os próximos passos estarão condicionados à obtenção de mais informações sobre a profundidade e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, assim como os efeitos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo.
Atualmente, a Selic permanece em 14,50% ao ano, com um Banco Central que promoveu cortes, mas sem compromissos de continuidade nesse mesmo ritmo.
Fonte: timesbrasil.com.br


