Desafios do Setor de Combustíveis no Brasil
O Brasil enfrenta um desafio estrutural significativo no setor de combustíveis, sendo necessário importar derivados de petróleo, apesar de ser um grande produtor de petróleo bruto.
Essa dependência de importações torna o país vulnerável às flutuações dos preços internacionais, promovendo debates acalorados sobre as políticas de preços aplicadas no setor.
“Nós não consumimos petróleo bruto; consumimos seus derivados. Utilizamos gasolina, diesel e gás liquefeito de petróleo, conhecido como GLP”, explicou Pedro Parente, presidente do conselho administrativo da eB Capital, em entrevista ao programa Hot Market, apresentado por Rafael Furlanetti, que será transmitido neste domingo (29) às 23h15 na CNN Brasil.
Ele acrescentou que, “principalmente quando se trata de diesel, não temos no Brasil uma capacidade de refino suficiente para atender à demanda. Isso nos leva à necessidade de importar diesel, e também gasolina. Este é o cerne do problema”, afirmou Parente.
Incompatibilidade entre Refinarias e Petróleo do Pré-sal
O desafio do setor vai além da questão da capacidade de refino. Existe uma incompatibilidade técnica entre as refinarias brasileiras e o tipo de petróleo que está sendo produzido atualmente no país.
“Antes da era do pré-sal, o Brasil produzia um tipo de óleo mais pesado. Assim, as refinarias foram projetadas com essa lógica, não considerando o petróleo do pré-sal, que é significativamente mais leve e de qualidade superior”, detalhou o especialista.
A combinação destes fatores, ou seja, refinarias projetadas para um tipo de petróleo diferente do que é produzido atualmente e uma capacidade de processamento insuficiente, resulta na necessidade de importar mais derivados, o que expõe o Brasil a oscilações no mercado internacional.
Limitações da Petrobras em Relação à Política de Preços
Quando questionado sobre a viabilidade de praticar preços abaixo da paridade internacional, Parente indicou limitações decorrentes da estrutura societária da Petrobras.
“A Petrobras é uma sociedade de economia mista. O governo detém a maioria das ações ordinárias, mas isso atualmente representa cerca de um terço — ou até menos — do capital total da empresa”, esclareceu.
“Assim, considerando a totalidade das ações da companhia, o controle não pertence apenas ao governo, mas também a acionistas minoritários”, complementou. Portanto, segundo Parente, “se o governo deseja implementar uma ação que não maximize os resultados da empresa, ele não pode ignorar os interesses de seus sócios”.
Proposta de Subsídio Direto para Caminhoneiros
Para enfrentar a crise relacionada aos preços dos combustíveis, o especialista propõe uma política específica. “Há um grupo menos protegido, que são os caminhoneiros, que têm sido severamente prejudicados por essa situação. O governo precisa desenvolver uma política voltada exclusivamente para atender essa categoria, implementando um subsídio direcionado e direto”, sugeriu.
A proposta envolve a criação de um mecanismo de compensação que não implicaria em impacto nas contas públicas: “O governo poderia ajustar esse subsídio, contabilizando o custo no orçamento e utilizando os dividendos da Petrobras como fonte, assim, a equação se torna viável”, explicou.
Esse sistema seria flexível e poderia ser ajustado de acordo com as variações no preço internacional do diesel, garantindo compensação “para quem realmente precisa”, sem afetar negativamente a situação fiscal do país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

