Braskem: queda das ações acentua incertezas na reestruturação devido à resistência de credores

Braskem Enfrenta Dificuldades nas Negociações de Reestruturação

As ações da Braskem (BOV:BRKM5) estão liderando as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira, 18 de junho. Isso ocorre após a divulgação de que a companhia está enfrentando dificuldades para obter o apoio necessário de seus credores para a elaboração de um plano de reestruturação extrajudicial. A falta de consenso entre os credores eleva as incertezas sobre o processo de reorganização financeira da petroquímica, aumentando as preocupações dos investidores em relação à capacidade da empresa de administrar seu alto nível de endividamento sem ter que recorrer a medidas judiciais mais complexas.

Contexto de Crise

Este momento é especialmente delicado para a Braskem, que ainda tenta restaurar sua estrutura financeira após anos de pressão decorrente de um desastre ambiental em Maceió, bem como da baixa rentabilidade no setor petroquímico global e do alto custo financeiro. A resistência mostrada pelos credores evidencia que as negociações estão longe de chegar a um consenso, o que pode prolongar o processo e manter a volatilidade das ações BRKM5 em níveis elevados.

Informações Recentes

Conforme informações divulgadas pela Bloomberg e repercutidas pelo InfoMoney, a Braskem e sua nova controladora, a IG4 Capital, ainda não conseguiram reunir o apoio mínimo exigido por lei para dar início a um processo de recuperação extrajudicial, que estava previsto para ocorrer até julho.

Possíveis Medidas Judiciais

Caso um consenso não seja alcançado entre as partes, aumenta a possibilidade de que a empresa tenha que considerar a adoção de medidas judiciais emergenciais, as quais visam proteger seu caixa durante as negociações com os credores.

Divisões entre Credores

De acordo com fontes que têm conhecimento sobre as negociações, parte dos credores manifesta que o plano proposto estabelece um tratamento desigual para diferentes classes de dívida. De acordo com essa análise, os detentores de títulos de curto prazo receberiam condições mais favoráveis do que os credores de financiamentos de longo prazo, resultando em um desconto econômico inferior para um grupo específico de credores.

Além disso, alguns credores expressaram preocupações em relação às garantias oferecidas pela empresa, assim como a falta de mecanismos que permitam a conversão de dívida em participação acionária.

Ausência de Injeção de Capital

Outro ponto de discórdia refere-se à falta de uma injeção de capital por parte dos acionistas da Braskem. Segundo as informações obtidas, credores argumentam que tanto a IG4 Capital quanto a Petrobras (BOV), que é uma acionista relevante da Braskem, não demonstraram disposição para investir novos recursos na empresa, possivelmente para evitar a diluição de suas participações acionárias.

Proposta de Reestruturação

No início deste mês, a Braskem apresentou aos credores uma proposta que estabelece um alongamento do perfil da dívida, redução temporária do pagamento de juros e novos períodos de carência. Contudo, o plano não inclui a oferta de capital nem a conversão de dívida em ações, que são dois pontos considerados fundamentais por parte dos investidores institucionais.

Requisitos Legais para Recuperação Extrajudicial

Para que a Braskem inicie formalmente um processo de recuperação extrajudicial, a legislação brasileira determina que a companhia deve obter a adesão de pelo menos um terço dos credores da classe envolvida.

Reação do Mercado

A resposta dos investidores ao atual cenário foi imediata e intensa. Às 14h55 do dia 18 de junho, as ações da Braskem estavam sendo negociadas a R$ 7,74, apresentando uma queda de 7,53%. O papel abriu o pregão a R$ 8,40, alcançou uma máxima de R$ 8,46 e recuou até uma mínima intradiária de R$ 7,40, refletindo o aumento da percepção de risco associado à companhia. O volume financeiro também aumentou significativamente, indicando uma forte atuação dos investidores diante das novas informações.

Sobre a Braskem

A Braskem é a maior petroquímica da América Latina e uma das principais produtoras globais de resinas termoplásticas. A companhia é especializada na produção de polietileno, polipropileno, PVC e diversos insumos químicos utilizados em indústrias como a de embalagens, construção civil, automotiva, agronegócio e bens de consumo. Além disso, a empresa possui operações em vários países e se posiciona como competidora de grandes grupos petroquímicos internacionais.

Fonte: br.-.com

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