Cartão de crédito atinge 436% ao ano e afeta severamente as famílias

Cartão de crédito atinge 436% ao ano e afeta severamente as famílias

by Fernanda Lima
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Juros do Cartão de Crédito Rotativo

Os juros do cartão de crédito rotativo no Brasil voltaram a ser um tema relevante na segunda-feira, 30 de março, após a divulgação pelo Banco Central de que a taxa média atingiu 436% ao ano em fevereiro. Esse patamar, já considerado historicamente elevado, reforça a posição dessa modalidade como a mais cara dentro do sistema financeiro nacional, sendo aproximadamente 30 vezes superior à taxa Selic, que é a referência básica para o custo do dinheiro no país.

Impacto nas Famílias

O impacto dessa situação é evidente no comportamento das famílias. Dados de janeiro indicam que cerca de 40 milhões de brasileiros estavam utilizando o crédito rotativo, um tipo de linha de crédito que se caracteriza por juros altos e elevada inadimplência, que atinge 63,5%. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não consegue quitar o valor total da fatura do cartão, o que pode transformar uma dificuldade financeira pontual em uma bola de neve.

Recomendações de Especialistas

Especialistas na área financeira enfatizam que o uso do crédito rotativo deve ser evitado sempre que possível. A recomendação é clara: priorizar o pagamento integral da fatura e buscar alternativas de crédito mais acessíveis em situações emergenciais. Desde janeiro de 2024, uma nova normativa implementada pelo governo e pelo Congresso limita o crescimento da dívida, estabelecendo que o total devido não pode ultrapassar o dobro do valor original, excluindo o IOF.

Debate Institucional

No âmbito institucional, o debate sobre soluções estruturais para o problema do crédito rotativo ganhou força. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que essa modalidade tem sido utilizada de maneira inadequada pela população. Ele afirmou: “Nossa dimensão do BC é como construir alternativas para que o cliente tenha opções mais adequadas à sua situação”. Por sua vez, o governo federal está apostando na expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, tendo liberado mais de R$ 80 bilhões em um período de um ano. Além disso, estuda-se a possibilidade de usar o FGTS como garantidor para reduzir o custo dos empréstimos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacou a necessidade de diminuir o endividamento, sem restringir o acesso ao crédito.

Crescimento Moderado do Crédito no Brasil

Apesar das dificuldades enfrentadas, os dados demonstram um avanço moderado do crédito no Brasil. Em fevereiro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 21 trilhões, o que representa 163,7% do PIB, com um crescimento mensal de 1,1%. O crédito direcionado às empresas totalizou R$ 7 trilhões, impulsionado, principalmente, por títulos privados. O crédito destinado às famílias somou R$ 4,5 trilhões, com ênfase em linhas de crédito pessoal e consignadas.

Estoque Total de Crédito

No Sistema Financeiro Nacional, o estoque total de crédito atingiu R$ 7,1 trilhões, com uma alta de 0,4% em relação ao mês anterior. O crédito livre destinado às famílias cresceu 12,6% em um período de 12 meses, sustentado por modalidades como crédito consignado, financiamento de veículos e crédito pessoal. Entretanto, a inadimplência geral subiu para 4,3%, com taxas mais elevadas entre pessoas físicas, que chegaram a 5,2%.

Taxas de Juros em Alta

As taxas de juros médias permanecem pressionadas. A taxa média das concessões alcançou 33% ao ano, enquanto o crédito livre às famílias chegou a 62% ao ano. O crédito rotativo do cartão acumulou um aumento de 11,4 pontos percentuais nos últimos 12 meses, contribuindo para a elevação do Indicador de Custo do Crédito, que atingiu 24,2% ao ano.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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