CBS impede entrevista de James Talarico por Stephen Colbert

Tensão Entre CBS e Stephen Colbert

Stephen Colbert criticou a CBS por ter impedido a exibição de uma entrevista com o deputado estadual do Texas, James Talarico, um democrata que se candidata ao Senado dos EUA. Durante a transmissão de seu programa na noite de segunda-feira, Colbert informou ao público presente que Talarico não estaria entre os convidados daquela edição.

O Impedimento da Entrevista

Colbert explicou que Talarico deveria ter estado no programa, mas a equipe do advogado da rede o notificou diretamente de que a entrevista não poderia ser exibida. “Afirmaram, sem rodeios, que não poderíamos tê-lo na transmissão”, comentou Colbert, o que gerou vaias da plateia. Além disso, foi-lhe dito que não poderia nem mesmo mencionar a ausência do convidado.

“E já que minha rede claramente não quer que falemos sobre isso, vamos falar sobre isso”, disse Colbert, recebendo risadas e aplausos da audiência.

Suspeitas de Pressões da FCC

O apresentador sugeriu que a decisão da CBS poderia ser uma resposta ao receio de que a emissora atraísse a desaprovação da Comissão Federal de Comunicações (FCC). Os comentários de Colbert refletem uma crescente tensão entre apresentadores de talk shows e a FCC, especialmente após a suspensão temporária do programa do humorista Jimmy Kimmel no verão passado.

O mês passado, a FCC enviou uma orientação às três principais redes de transmissão, ressaltando a lei de 1934 que exige que as redes ofereçam oportunidades iguais para candidatos políticos quando seus oponentes são exibidos no ar. A orientação destacou que não há evidência de que entrevistas em talk shows, tanto noturnos quanto diurnos, se qualifiquem para uma isenção prevista na lei para reportagens de "notícias autênticas".

Durante o programa de segunda-feira, Colbert apontou para relatos que surgiram no início do mês, indicando que a FCC estava investigando o talk show diurno da ABC, "The View", devido à aparição de Talarico naquele programa. A CBS não respondeu imediatamente a pedidos da CNBC sobre a situação.

Declarações de Talarico

Na terça-feira, Talarico compartilhou um link para sua entrevista com Colbert, a qual estava disponível online. Em uma declaração fornecida à CNBC por sua campanha ao Senado, Talarico afirmou: "Acho que [o presidente] Donald Trump está preocupado que estamos prestes a mudar o Texas. Este é o partido que se opôs à cultura do cancelamento."

Talarico continuou, dizendo: "Agora eles estão tentando controlar o que assistimos, o que dizemos e o que lemos. Esta é a forma mais perigosa de cultura do cancelamento, aquela que vem de cima. Uma ameaça a um dos nossos direitos da Primeira Emenda é uma ameaça a todos os nossos direitos da Primeira Emenda."

A Disputa Prevista no Senado

Talarico está envolvido em uma disputa acirrada nas primárias democratas para uma vaga no Senado dos EUA, concorrendo contra a deputada Jasmine Crockett, também do Texas. A votação antecipada começou na terça-feira. O vencedor enfrentará o candidato da primária republicana, que será escolhido entre o senador John Cornyn e o procurador-geral do Texas, Ken Paxton. Os democratas não venceram uma eleição estadual no Texas desde 1994.

A FCC não respondeu de imediato sobre se a CBS teria infringido as orientações da agência ao não exibir a entrevista de Talarico.

Críticas da FCC

A Comissária da FCC, Anna Gomez, comentou que a decisão da CBS é "mais um exemplo preocupante de capitulação corporativa diante da campanha mais ampla desta Administração para censurar e controlar a fala". Gomez afirmou: "A FCC não tem autoridade legal para pressionar emissoras para fins políticos ou para criar um clima que iniba a livre expressão."

Ela acrescentou: "A CBS é plenamente protegida pela Primeira Emenda para decidir quais entrevistas exibir, o que torna sua decisão de ceder à pressão política ainda mais decepcionante." Gomez se referiu a assuntos regulatórios da Paramount, empresa-mãe da CBS, reafirmando que interesses corporativos não podem justificar a desistência de conteúdo informativo.

A comissária também fez um apelo para que emissoras e suas empresas-mãe resistissem a essas pressões ilegais e continuassem a exercer seu direito constitucional de falar livremente e sem interferência do governo.

Contexto Corporativo

A Paramount Skydance lançou uma oferta hostil pela Warner Bros. Discovery, um acordo que exigiria a aprovação regulatória do governo federal caso os acionistas da WBD aceitem a proposta. Em julho, a CBS anunciou que o programa de Colbert seria cancelado em maio, notícia que surgiu logo após Colbert criticar a rede por dar o que chamou de um "grande suborno" a Trump.

Paramount Skydance já havia concordado em pagar 16 milhões de dólares pela futura biblioteca presidencial de Trump, como parte de um acordo para resolver uma disputa sobre a edição de uma entrevista do programa "60 Minutes" com a então vice-presidente Kamala Harris.

Uma semana após o anúncio do cancelamento do programa de Colbert, a FCC aprovou a fusão de 8 bilhões de dólares entre a Paramount e a Skydance Media.

Colbert também defendeu Kimmel em setembro, quando a ABC retirou Kimmel do ar após comentários do presidente da FCC, Brendan Carr, que sinalizaram que a licença de transmissão da rede estava em risco por causa das declarações feitas por Kimmel sobre o suposto assassino do ativista conservador Charlie Kirk. Kimmel retornou ao ar cerca de uma semana depois do incidente.

Fonte: www.cnbc.com

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