Acordo de Livre Comércio entre China e Asean
O bloco Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e a China firmaram, na terça-feira (28), uma versão atualizada de seu acordo de livre comércio. A informação foi divulgada pelo Ministério do Comércio da China, que destacou que o novo acordo abrange seções relacionadas à economia digital, à economia verde e a outras indústrias emergentes.
Parceria Comercial Significativa
A Asean, composta por 11 Estados-membros, é reconhecida como o maior parceiro comercial da China. No último ano, o comércio bilateral entre as duas partes alcançou a impressionante soma de US$ 771 bilhões, conforme exprimido em estatísticas da própria Asean. Este número sublinha a importância e o impacto dessa parceria nas economias de ambas as regiões.
A China tem se empenhado em intensificar sua interação com a Asean, uma área que apresenta um produto interno bruto (PIB) coletivo estimado em US$ 3,8 trilhões. Essa estratégia visa contrabalançar as tarifas de importação elevadas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a nações ao redor do globo.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, o acordo atualizado “reflete plenamente o solene compromisso de ambas as partes em apoiar conjuntamente o multilateralismo e o livre comércio”.
Enquanto isso, Pequim continua a buscar um posicionamento mais aberto em sua economia, apesar das críticas de outras potências globais em relação a suas restrições de exportação sobre terras raras e outros minerais considerados críticos.
Acesso ao Mercado e Atualizações do Acordo
A nova versão, identificada como 3.0 do acordo de livre comércio entre China e Asean, foi formalmente assinada durante uma cúpula de líderes do bloco, que ocorreu na Malásia. Este evento contou com a presença de Trump no último domingo, dando início à sua viagem pela Ásia.
As negociações para a atualização do acordo tiveram início em novembro de 2022 e foram finalizadas em maio deste ano, logo após o início das severas tarifas impostas por Trump. O primeiro acordo de livre comércio entre a China e a Asean começou a vigorar em 2010.
A China já havia declarado que o novo acordo permitirá um acesso melhorado aos mercados em setores como agricultura, economia digital e farmacêutico entre a China e a Asean. Também vale ressaltar que tanto a China quanto a Asean fazem parte da Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), um dos maiores blocos comerciais do mundo, que abrange quase um terço da população global, além de representar cerca de 30% do PIB mundial. Recentemente, a Malásia foi palco de uma cúpula da RCEP, a primeira em cinco anos, na qual discutiram diversos temas relevantes para a região.
Analistas avaliam que esse bloco pode funcionar como um amortecedor contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Contudo, suas disposições são vistas como mais fracas quando comparadas às de outros acordos regionais de comércio, um reflexo das diferentes prioridades entre os seus membros.
Relações Comerciais e Guerra Comercial
A China se encontra em uma guerra comercial crescente com os Estados Unidos desde a posse de Trump em janeiro, período em que o presidente impôs tarifas elevadas sobre produtos originários da China.
As tarifas introduzidas por Trump, que afetam uma variedade significativa de países, foram categorizadas por Pequim como medidas protecionistas. Além disso, a China tem reforçado seu controle sobre o fluxo de minerais críticos e ímãs, sendo responsável pelo processamento de mais de 90% das terras raras do mundo.
Recentemente, as duas maiores economias globais concordaram em prolongar uma trégua comercial, após negociações realizadas em Kuala Lumpur no final de semana. Esses diálogos visam preparar um acordo que será discutido tanto por Trump quanto pelo presidente chinês, Xi Jinping, durante um encontro que está marcado para ocorrer em Seul nesta semana.
Desde a saída de Trump da Malásia na manhã da última segunda-feira (27), a China tem feito esforços para promover uma cooperação econômica regional mais abrangente, ao mesmo tempo em que ressalta a importância do comércio aberto. Durante o Fórum Regional da Cúpula do Leste Asiático, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, enfatizou que “o mundo não deve retroceder à lei da selva, onde os fortes se aproveitam dos fracos”.
Li Qiang continuou destacando a necessidade de defender com mais firmeza o regime de livre comércio, promover a criação de uma rede regional de livre comércio de alto padrão e avançar de maneira firme e eficaz em direção à integração regional.
Fonte: www.moneytimes.com.br

