De acordo com um levantamento realizado pelo Reclame Aqui, 20% dos consumidores já foram vítimas de algum tipo de golpe durante períodos de promoções. Desses, 33% foram enganados por sites falsos que se passam por lojas legítimas. Esses sites são quase idênticos aos de varejistas conhecidos, com logotipos e cores semelhantes, mas com endereços ligeiramente diferentes. Por exemplo, em vez de acessar “amazon.com.br”, o consumidor pode cair em um “amazzon.com”. Ao perceber a fraude, o pagamento já foi efetuado e, como é de se esperar, o produto nunca chega ao comprador.
Existem, no entanto, ferramentas gratuitas que podem identificar sites fraudulentos em questão de segundos. Duas dessas ferramentas, desenvolvidas no Brasil, utilizam tecnologia avançada e confiabilidade para fornecer aos consumidores uma camada adicional de proteção ao realizarem suas compras online.
Detector de Site Confiável
A plataforma de reputação de consumo Reclame Aqui lançou o Detector de Site Confiável, que realiza uma análise automática para verificar se uma loja apresenta riscos antes da finalização de uma compra.
“Durante a Black Friday, os criminosos intensificam as tentativas de fraude digital. Por isso, informação e verificação são as maiores aliadas do consumidor”, declara Edu Neves, CEO da empresa.
O funcionamento da ferramenta é simples: o usuário copia o link do site suspeito, cola na ferramenta e recebe um diagnóstico em questão de segundos. A análise considera o tempo de registro do domínio, o país de origem, o histórico de reputação e outros indicadores técnicos relevantes.
“O consumidor informado compra com confiança e ajuda a reduzir o alcance das fraudes virtuais”, reitera Neves.
Além da verificação automatizada, a ferramenta também destaca seis sinais de alerta que podem ajudar os consumidores a identificar páginas fraudulentas:
- URL estranha — desconfie de endereços que contêm erros de digitação ou terminações geralmente incomuns, como .net, .shop ou .live.
- Descontos irreais — preços extremamente baixos geralmente são um forte indicativo de golpes.
- Design descuidado — erros de gramática, imagens distorcidas e links quebrados são sinais de falta de profissionalismo.
- Ausência de contato — lojas sérias normalmente exibem o CNPJ, um endereço físico e canais de atendimento ao cliente.
- Selos falsos — se o selo de segurança se apresentar apenas como uma imagem estática, trate-o como falso.
- Pagamento restrito — se o site aceitar apenas métodos de pagamento como PIX ou boleto, é melhor desconfiar. O uso do cartão de crédito é preferível, pois permite a opção de bloqueio e estorno.
O Detector de Site Confiável atua como um “teste do primeiro clique” antes da compra. Esse passo pode evitar perdas financeiras significativas e muitos aborrecimentos. A ferramenta está disponível através do site do Reclame Aqui.
Inteligência Artificial contra o golpe relâmpago
Outra solução útil vem da Branddi, uma empresa que se especializa em proteção de marcas no ambiente digital. A companhia desenvolveu uma ferramenta gratuita que, em até 30 segundos, verifica se uma oferta é potencialmente legítima ou fraudulenta.
Utilizando Inteligência Artificial, a tecnologia analisa a URL fornecida pelo usuário e detecta sinais de risco, como domínios suspeitos, sites recém-criados e padrões já identificados de fraudes.
O sistema gera uma pontuação de 0 a 100 e fornece um resumo explicativo sobre o nível de segurança do site avaliado. Embora esteja em fase beta, a ferramenta já apresenta alta taxa de precisão em suas análises, conforme afirmado pela empresa.
“Em datas como a Black Friday, o aumento nas compras online também resulta em um crescimento nas tentativas de fraude. Por isso, desenvolvemos uma ferramenta simples e gratuita, para que todos possam checar a segurança de uma oferta antes de fazer uma compra, evitando assim prejuízos financeiros ou o vazamento de dados pessoais”, comenta Diego Daminelli, CEO da Branddi.
A Branddi também disponibiliza soluções para lojistas e marcas, auxiliando na identificação e remoção de anúncios falsos, domínios irregulares e perfis falsificados em redes sociais, reforçando assim o combate aos golpistas em toda a cadeia do comércio digital.
A ferramenta pode ser acessada gratuitamente através do site da Branddi.
Outras aliadas gratuitas para checar sites
Além dessas duas ferramentas brasileiras, existem também opções internacionais que são igualmente, se não mais, eficientes e gratuítas. A URLVoid faz a verificação do endereço em mais de 30 bases de reputação e listas de bloqueio conhecidas. A CheckPhish detecta domínios fraudulentos e versões clonadas de sites de marcas conhecidas. Já o EasyDMARC Phishing Link Checker é indicado para analisar links recebidos via e-mail ou WhatsApp antes de clicar.
A sofisticação do crime
É comum afirmar que “os criminosos evoluíram”. Essa afirmação não é mera retórica, mas uma realidade inegável. Atualmente, as páginas fraudulentas são criadas utilizando templates profissionais, inteligência artificial e campanhas publicitárias pagas, o que as torna aparentemente legítimas. Elementos que antes denunciavam uma fraude, como textos mal elaborados ou layouts malfeito, tornaram-se exceções. Dessa forma, as ferramentas de verificação passaram a ser uma camada essencial de defesa para os consumidores.
Durante períodos como a Black Friday, a pressa pode ser uma inimiga da segurança online. Pausar por apenas 30 segundos para colar um link em uma ferramenta de verificação e analisar a reputação do site pode ser a diferença crucial entre aproveitar uma promoção vantajosa ou se tornar mais uma vítima de fraudes.
Embora as ferramentas sejam úteis, é fundamental reconhecer que nenhuma delas é infalível. No entusiasmo de conseguir as melhores promoções, é imprescindível que os consumidores adotem uma postura desconfiada. Especialistas em segurança alertam que os golpistas estão utilizando domínios recentemente registrados, hospedagem legítima e páginas criadas com inteligência artificial, o que dificulta a identificação de fraudes, tanto por parte dos consumidores quanto das próprias ferramentas de verificação. Além disso, é importante lembrar que muitos golpes podem ocorrer sem depender de URLs, como anúncios falsos, perfis clonados ou links enviados via WhatsApp, frequentemente fora do alcance dessas checagens.
Ainda assim, essas ferramentas de verificação podem ser valiosas, mas nada substitui a vigilância e a responsabilidade do consumidor, que precisa sempre realizar algumas pesquisas antes de confirmar um pagamento por PIX ou inserir os dados do cartão de crédito.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br


