Como ensinar educação financeira às crianças e cuidar do orçamento familiar – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Como ensinar educação financeira às crianças e cuidar do orçamento familiar – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
0 comentários

A volta às aulas e seu impacto no orçamento das famílias

“A volta às aulas representa, historicamente, um dos momentos de maior pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras”, afirma Harion Camargo, planejador financeiro CFP atuante na Planejar. Ele explica que essa pressão resulta de características estruturais dos gastos, que transcendem a inflação geral.

De acordo com um estudo da Rico, entre 2021 e 2025, a cesta de volta às aulas teve um aumento de 39,34%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 33,13%. Em termos práticos, um conjunto de despesas que custava R$ 1.000,00 há cinco anos agora sai por aproximadamente R$ 1.393,00. Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, enfatiza que o impacto é sentido logo no começo do ano. “É hora de montar a lista, ajustar o orçamento e enfrentar aquele dilema anual: tudo parece estar mais caro”, afirma.

Estrutura de custos na educação

A discrepância de preços se dá porque os itens relacionados à educação não apresentam aumento uniforme. Muitos deles dependem de matérias-primas que são sensíveis às oscilações do mercado, como papel, plástico e tecidos, além de insumos que podem ser importados. As mensalidades escolares, por sua vez, tendem a ter reajustes concentrados no início do ano letivo, refletindo custos que são próprios do setor, como salários, tecnologia e infraestrutura.

Material, livros e uniforme: o impacto começa na mochila

Entre os gastos mais imediatos que as famílias enfrentam estão os relacionados à papelaria, livros e uniformes, que costumam ser adquiridos de maneira concentrada no mês de janeiro. Em 2025, a inflação da papelaria foi moderada, com aumento de 2,39%, inferior ao IPCA. Apesar disso, no acumulado de cinco anos, a inflação dessa categoria chega a quase 40%.

A disparidade nos preços de livros é ainda mais marcante. Enquanto os livros didáticos tiveram um aumento de 4,47% em 2025, os não didáticos avançaram 6,32% no mesmo ano e quase 52% em cinco anos. Portanto, R$ 100 gastos com livros não didáticos em 2021 equivalem a aproximadamente R$ 152 atualmente.

O uniforme escolar segue a lógica semelhante: embora seja considerado um gasto pontual,j acumula uma alta próxima de 40% ao longo dos cinco anos. Como a aquisição costuma ocorrer em uma única compra, o impacto no orçamento familiar é imediato.

Entretanto, se o material escolar causa dor no curto prazo, as mensalidades representam a principal pressão contínua sobre o orçamento. Em 2025, os reajustes das mensalidades superaram a inflação na maioria dos níveis de ensino, sendo o ensino fundamental o mais afetado, acumulando um aumento de 49,35% desde 2021. Assim, uma mensalidade de R$ 1.000 há cinco anos estaria hoje próxima de R$ 1.493, levando em conta os percentuais médios apresentados no estudo.

Esse tipo de despesa, segundo especialistas, costuma ser subestimada no planejamento familiar. “Um dos erros mais comuns é considerar essas despesas como eventos isolados, quando, na realidade, elas são previsíveis e recorrentes”, adverte Harion Camargo.

Como atravessar a volta às aulas sem endividamento

Diante desse cenário, o planejamento financeiro deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ser uma necessidade prática. Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, destaca que o primeiro passo é entender exatamente para onde está indo o dinheiro.

“Antes de criar qualquer plano, é fundamental ter clareza sobre a situação financeira real”, afirma. Este entendimento abrange o mapeamento das receitas, das despesas fixas, dos gastos variáveis e dos compromissos previsíveis no início do ano.

Um aspecto essencial é que o planejamento deve ir além do mês de janeiro. “É preciso que o planejamento seja contínuo. Planilhas, aplicativos ou registros simples ajudam a monitorar entradas e saídas e evitam decisões impulsivas”, diz Durso.

Pagar à vista ou parcelar?

Para Durso, a questão não reside necessariamente em parcelar as despesas, mas sim em fazê-lo de maneira criteriosa. “A decisão de pagar à vista ou parcelar deve levar em conta o planejamento financeiro, a preservação de liquidez e o custo de oportunidade”, explica.

Ela menciona que, quando existe um desconto significativo e sobra de caixa, o pagamento à vista tende a ser a opção mais eficiente. Por outro lado, o parcelamento pode servir como uma ferramenta de organização, desde que não envolva juros elevados e que se ajuste confortavelmente ao orçamento.

O perigo se torna evidente quando o crédito é utilizado como uma solução automática.

“Os problemas surgem quando o parcelamento é realizado sem planejamento, especialmente em modalidades de crédito que possuem juros altos, o que pode levar a um ciclo de endividamento”, alerta Harion Camargo.

Em muitos casos, as famílias comprometem a renda de vários meses para cobrir despesas que já estavam mais caras na origem. Uma maneira de reduzir esse risco, segundo os especialistas, é diluir os custos ao longo do ano anterior.

Reservar mensalmente valores específicos para despesas previsíveis, como impostos e volta às aulas, em aplicações de alta liquidez ajuda a transformar um pico de gastos em um processo mais controlável. “Um planejamento financeiro mais eficaz distribui essas despesas ao longo dos meses, reduzindo a necessidade de endividamento e conferindo maior previsibilidade ao orçamento doméstico”, resume Camargo.

Ensinando os pequenos

Se a volta às aulas pressiona o orçamento no curto prazo, também pode ser um momento oportuno para desenvolver uma relação mais saudável das crianças e adolescentes com o dinheiro. Dados do Inter indicam que o interesse por educação financeira na infância tem crescido de forma consistente: as contas Kids e jovens do banco apresentam um aumento médio de 31,8% ao ano, totalizando mais de 3,2 milhões de clientes.

Entre crianças e adolescentes, os produtos financeiros mais utilizados incluem poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Isso indica que muitas famílias buscam aproveitar esse momento para introduzir conceitos como poupança, planejamento e investimento desde a infância. Na prática, essa abordagem transforma gastos inevitáveis, como materiais escolares e uniformes, em oportunidades de aprendizado sobre escolhas, prioridades e disciplina financeira.

Essa lógica se alinha a uma tendência mais ampla observada no mercado global. Um estudo intitulado "Charting Disruption" de 2026, da Global X em parceria com a Bloomberg Media Studios, revela que investidores institucionais estão se concentrando menos em previsões de curto prazo e mais em estratégias estruturais, com foco no longo prazo e visibilidade de demanda.

O levantamento aponta uma migração de capital para setores como infraestrutura, energia e tecnologia estratégica, que exigem planejamento, constância e uma visão futura—os mesmos princípios que devem ser ensinados através da educação financeira desde a infância.

Para demonstrar o impacto do hábito de poupar, o Inter realizou simulações simples: aplicações mensais de R$ 25 em um CDB podem resultar em cerca de R$ 19 mil ao longo de 18 anos; com R$ 50, o montante eleva-se para aproximadamente R$ 38 mil; e, com R$ 100 por mês, o valor pode chegar a R$ 76 mil. Esses recursos, no futuro, podem ser utilizados para financiar estudos, intercâmbios, cursos ou os primeiros projetos de vida dos jovens.

“Quanto mais cedo as crianças e adolescentes iniciam sua familiarização com o universo financeiro, mais fácil se torna a criação de hábitos de poupança, planejamento, investimento e gestão do próprio dinheiro”, afirma Priscila Salles, diretora-executiva de Clientes do Inter.

Ela acrescenta que envolver os filhos no acompanhamento da conta, na definição de objetivos e no uso consciente do dinheiro torna a educação financeira mais concreta e presente no cotidiano.

O aprendizado precoce também prepara os jovens para um ambiente econômico que pode ser mais complexo. O estudo da Global X destaca que, em um contexto de juros altos, inflação persistente e maior volatilidade política, a tomada de decisões financeiras bem estruturadas e a diversificação tornam-se ainda mais cruciais ao longo da vida.

Ao participarem das decisões, desde comparar preços do material escolar até compreender o porquê de poupar hoje significar mais opções no futuro, crianças e adolescentes começam a reconhecer que o dinheiro é um recurso limitado e estratégico. Esse aprendizado prático contribui para a formação de consumidores mais conscientes atualmente e de investidores mais preparados ao longo de suas vidas.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy