Aumento de Tarifas e Redução de Capacidade no Setor Aéreo
Companhias aéreas globalmente têm iniciado um aumento nas tarifas e uma redução na capacidade operacional em resposta ao recente aumento nos preços do petróleo. A viabilidade do setor em manter a lucratividade pode depender da disposição dos consumidores em continuar viajando, visto que os altos preços da gasolina impactam negativamente os orçamentos familiares.
Situação Antes do Conflito
Antes do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no mês passado, as empresas do setor aéreo tinham expectativas de lucros recordes, estimados em US$ 41 bilhões até 2026. No entanto, a duplicação dos preços do combustível de aviação colocou essas projeções em risco, obrigando as companhias a reavaliar suas rotas e estratégias operacionais.
Medidas Adotadas pelas Companhias
Diversas empresas, como United Airlines, Air New Zealand e a escandinava SAS, anunciaram cortes na capacidade operacional e aumentos nas tarifas. Além disso, há empresas que implementaram sobretaxas de combustível para atenuar os impactos financeiros.
Rigas Doganis, ex-líder da Olympic Airways e atual presidente da Airline Management Group, destacou que as companhias aéreas enfrentam um "desafio existencial". De acordo com ele, elas precisarão diminuir tarifas para estimular a demanda, enquanto, ao mesmo tempo, os custos elevados de combustível exigem um aumento nos preços. Essa situação resulta em uma "tempestade perfeita" para o setor.
Tráfego de Passageiros
No ano anterior, o setor aéreo registrou um recorde no tráfego global de passageiros, alcançando níveis cerca de 9% superiores aos pré-pandemia. Essa recuperação se deu mesmo com os persistentes problemas na cadeia de suprimentos, que afetaram a entrega de novas aeronaves.
A demanda forte por viagens no período pós-pandemia, aliada aos problemas na cadeia de suprimentos, limitou o crescimento da capacidade do setor e conferiu às companhias um poder considerável de precificação, à medida que aumentavam a taxa de ocupação de seus voos.
No entanto, o aumento acentuado necessário para compensar o crescimento dos preços do combustível de aviação é significativo, especialmente em um momento em que os consumidores enfrentam o impacto dos altos preços da gasolina, o que pode reduzir os gastos discricionários.
Necessidade de Ajustes
Andrew Lobbenberg, chefe de pesquisa de ações do setor de transporte europeu no Barclays, observou que a única maneira de elevar os preços das passagens é reduzindo a capacidade. Ele expressou a expectativa de que as companhias aéreas optem por essa estratégia nesta ocasião, assim como ocorreu em crises anteriores, onde as empresas foram obrigadas a enxugar a capacidade.
Aumento das Passagens Aéreas
Scott Kirby, CEO da United Airlines, mencionou à ABC News que as tarifas aéreas precisam subir em torno de 20% para cobrir os custos aumentados do combustível. A Cathay Pacific Airways, de Hong Kong, já aumentou suas sobretaxas de combustível em duas ocasiões no último mês. A partir de agora, uma viagem de ida e volta de Sydney a Londres incluirá uma sobretaxa de US$ 800. Antes do conflito com o Irã, o preço de uma passagem de ida e volta na classe econômica para essa rota era de aproximadamente 2.000 dólares australianos, equivalentes a US$ 1.369,60.
Os analistas indicam que as companhias aéreas de baixo custo podem enfrentar maiores dificuldades, uma vez que seus passageiros tendem a ser mais sensíveis a variações de preços se comparados a clientes corporativos e consumidores de alta renda, que estão sendo cada vez mais visados por concorrentes premium, como Delta Air Lines e United Airlines.
Nathan Gee, chefe de pesquisa de transporte da Ásia-Pacífico no Bank of America, observou que para os viajantes mais suscetíveis a mudanças nos preços, até mesmo voos de curta distância podem ser substituídos por alternativas como trem ou ônibus.
Choques do Petróleo e Seu Impacto
O recente conflito no Oriente Médio representa o quarto choque do petróleo para o setor aéreo desde o início do século. É notável que esta é a primeira vez que algumas companhias, como a Vietnam Airlines, estão demonstrando preocupação em garantir o suprimento físico de combustível, especialmente em função do bloqueio no Estreito de Ormuz.
Outros episódios que afetaram o setor incluem a crise financeira global de 2007-2008, a Primavera Árabe em 2011 e o início da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022. Entre 2008 e 2014, uma série de fusões, incluindo a Delta com a Northwest e a American Airlines com a US Airways, reduziu o número de grandes companhias aéreas nos Estados Unidos, de oito para quatro, instaurando uma era de controle mais rigoroso da capacidade.
Ademais, empresas de baixo custo, como Ryanair e IndiGo, focaram em frotas padronizadas e rápidas rotações para manter baixos os custos unitários. Substituir aeronaves mais antigas e menos eficientes por modelos mais econômicos em termos de combustível é uma estratégia evidente para reduzir custos. Contudo, a severa escassez na cadeia de suprimentos pós-pandemia e problemas relacionados a motores de nova geração causaram atrasos nas entregas.
Embora as companhias aéreas americanas de ultrabaixo custo possuam algumas das aeronaves mais novas e eficientes do setor, uma eventual queda na demanda por viagens pode transformar os custos associados ao pagamento por essas aeronaves em um obstáculo significativo à lucratividade.
Dan Taylor, chefe de consultoria da empresa de assessoria em aviação IBA, afirmou que o atual choque do petróleo tende a aprofundar a diferença entre companhias financeiramente robustas e aquelas mais fragilizadas. Taylor declarou que empresas com balanços sólidos, forte poder de precificação e acesso confiável a capital estão em uma posição mais favorável para suportar as pressões contínuas. Por outro lado, as companhias com baixa lucratividade e opções limitadas de financiamento podem enfrentar um crescente estresse financeiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br


