O mercado brasileiro de fusões e aquisições apresenta um caráter mais seletivo, com compradores focados em empresas que apresentem uma boa estrutura, geração de caixa, governança sólida e transparência financeira. Davi Andrade Silva, advogado tributarista, especialista em M&A e sócio da Andrade Silva Advogados, expressou essa visão em entrevista ao programa Real Time, do Times Brasil, que é licenciado exclusivamente pela CNBC.
No primeiro semestre, o setor movimentou um total de US$ 32,5 bilhões, representando um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o número de negócios registrou uma queda de 35%, totalizando menos de 600 transações, conforme levantamento discutido no programa.
Silva destaca que apenas 45% das operações analisadas divulgaram seus valores. Os restantes 55% foram contabilizados no total de transações, mas sem informações sobre os valores negociados.
É importante mencionar que os valores relatados estão em dólares. Quando se considera a conversão para reais e leva-se em conta a valorização da moeda brasileira durante o período, o crescimento em reais teria sido de 3,4%.
Apesar das limitações apresentadas, o especialista enxerga que os dados disponíveis revelam uma concentração crescente dos investimentos em negócios que são mais estruturados.
“Os compradores estão cada vez mais atentos a negócios que sejam estruturados e que tenham um aspecto estratégico, além de uma boa saúde financeira e uma robustez organizacional”, afirmou Silva.
Necessidade de Preparação das Empresas
Os setores que mais se destacam em termos de número de operações são tecnologia e software, enquanto o mercado imobiliário se posiciona entre as áreas mais procuradas por investidores.
Silva observa que pequenas e médias empresas também estão inseridas nesse mercado, embora nem sempre sejam mencionadas nas estatísticas disponíveis. Para que possam atrair compradores, é fundamental que essas empresas organizem sua governança, além de cuidarem das demonstrações financeiras e das áreas fiscal e contábil.
A falta de transparência em seus balanços e a inexistência de uma estrutura tributária adequada dificultam tanto a avaliação quanto a negociação dos negócios.
“As empresas que desejam entrar no mercado de fusões e aquisições precisam se preparar para assim chegar, com a transparência que o mercado demanda”, afirmou.
Impacto dos Juros na Atratividade dos Negócios
O período que precede as eleições tende a postergar projetos e a tomada de decisões de investimento, visto que tanto empresas quanto investidores aguardam uma maior clareza em relação ao cenário político futuro.
Os altos juros também afetam diretamente as operações de M&A. Com a taxa Selic em 14% ao ano, os empresários podem optar por manter seus recursos aplicados, em vez de fazer uma aquisição cujo retorno esperado seja inferior ao oferecido por investimentos financeiros tradicionais.
Para Silva, essa situação reduz a atratividade de muitas transações e torna mais difícil uma previsão precisa para o restante do ano.
Tecnologia e Imóveis em Evidência
O setor de tecnologia continua a ser um dos mais procurados, impulsionado pelo desenvolvimento de software e o crescimento da inteligência artificial.
Por outro lado, o mercado imobiliário atrai interessados pela oferta de ativos tangíveis, que podem ser utilizados como garantia em financiamentos e em outras operações comerciais.
Silva alega que o cenário de juros elevados reforça o apelo por investimentos em ativos imobiliários, frequentemente considerados por investidores como opções mais seguras. O setor de serviços também mantém uma participação significativa nas transações.
Possibilidade de Avanços em Negócios em Andamento
A desaceleração observada não significa que o segundo semestre estará desprovido de grandes operações. Os processos de fusões e aquisições costumam ser prolongados e envolvem diversas etapas de auditoria, como a due diligence.
Por esse motivo, transações iniciadas cerca de um ano atrás ainda têm a possibilidade de serem finalizadas nos próximos meses, o que pode aumentar os números do período atual.
Apesar disso, Silva percebe uma tendência de contenção enquanto as incertezas em torno das eleições e a evolução das taxas de juros persistem.
“Se eu tivesse que apostar, apostaria em um cenário que ainda é de freio e contenção, até que as condições de juros e o cenário político comecem a dar sinais de maior clareza”, afirmou.
As principais alterações realizadas foram: o uso do tempo presente em títulos, a atribuição explícita de projeções, a redução de repetições, além da variação entre as expressões “ressalta”, “observa”, “considera”, “explica” e “avalia”, mantendo as condições econômicas em vigor.
Fonte: timesbrasil.com.br

