Reunião na Casa Branca com Empresas de Petróleo
O presidente Donald Trump se reuniu na tarde de sexta-feira com mais de uma dúzia de empresas de petróleo na Casa Branca para discutir planos de investimento na Venezuela, menos de uma semana após a saída do presidente Nicolás Maduro do poder nos Estados Unidos.
Estiveram presentes na reunião o CEO da Exxon, Darren Woods, o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, e o vice-presidente da Chevron, Mark Nelson. Executivos de outras empresas como Halliburton, Valero e Marathon também compareceram.
Investimentos Planejados
Trump afirmou que as empresas de petróleo investiriam pelo menos US$ 100 bilhões para reconstruir o setor de energia da Venezuela. Ele garantiu que os Estados Unidos fornecerão segurança e proteção para que “eles recuperem seu dinheiro e obtenham um retorno muito bom.”
O presidente declarou que os Estados Unidos decidirão quais empresas de petróleo poderão entrar na Venezuela, afirmando que a Casa Branca “fechará um acordo com as empresas” na sexta-feira ou logo em seguida.
“Uma das vantagens que os Estados Unidos obterão com isso será a redução ainda maior nos preços da energia,” declarou Trump.
A Casa Branca convocou a reunião, segundo uma fonte do setor industrial que falou à CNBC. A reunião não foi marcada a pedido das empresas de petróleo, segundo essa fonte.
Reservas de Petróleo da Venezuela
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, totalizando 303 bilhões de barris, o que representa cerca de 17% do total global, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.
No entanto, seu setor de petróleo está em grave estado de deterioração. A produção caiu de um pico de cerca de 3,5 milhões de barris por dia (bpd) na década de 1990 para cerca de 800.000 bpd atualmente, conforme dados da consultoria de energia Kpler.
A Rystad Energy estima que custará mais de US$ 180 bilhões até 2040 para que a produção da Venezuela alcance 3 milhões de bpd.
Colaboração com a Chevron
A administração Trump forneceu poucos detalhes sobre como incentivará as empresas de petróleo a realizarem grandes investimentos em um país com histórico de nacionalização de ativos da indústria.
A Chevron é a única empresa de petróleo dos EUA que atualmente opera na Venezuela por meio de uma joint venture com a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O secretário de Energia, Chris Wright, informou à CNBC que os EUA estão colaborando de perto com a Chevron.
“A Chevron está presente, então estamos recebendo atualizações diárias,” disse Wright. “Eles estão operando [sob] este regime. Então, com eles, como podemos fornecer ajustes ou mudanças incrementais para permitir que seu modelo cresça ainda mais,” explicou o secretário de energia.
A produção da Venezuela poderia aumentar em várias centenas de milhares de barris por dia no curto a médio prazo com pequenos investimentos de capital, afirmou Wright.
Dúvidas da Exxon e Conoco
Entretanto, a Exxon e a Conoco precisarão de garantias para retornar à Venezuela, segundo Wright. As empresas deixaram o país após o ex-presidente Hugo Chávez ter confiscado seus ativos em 2007. Elas possuem bilhões de dólares em reivindicações pendentes contra o governo, resultado de casos de arbitragem vencidos.
“Nossos ativos foram confiscados lá duas vezes, e você pode imaginar que reentrar pela terceira vez exigiria mudanças bastante significativas do que temos historicamente visto,” declarou o CEO da Exxon, Woods.
Wright afirmou que as dívidas que a Venezuela deve à Exxon e à Conoco precisam ser pagas em algum momento, mas não são uma prioridade imediata para a administração Trump. O foco da Casa Branca é estabilizar a economia venezuelana por meio das vendas de petróleo, explicou o secretário de energia.
“Estamos tentando promover uma transição da Venezuela para um lugar onde os americanos queiram fazer negócios, investir novo capital e desenvolver novas parcerias,” disse Wright.
No entanto, não está claro se a Casa Branca conseguirá convencer empresas como Exxon e Conoco a retornar à Venezuela sem uma mudança dramática no governo em Caracas.
“As grandes empresas de petróleo que se movem lentamente, que possuem conselhos corporativos, não estão interessadas,” afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, na quinta-feira, durante uma reunião no Economic Club de Minnesota. “Posso garantir que as empresas de petróleo independentes e indivíduos, pequenos investidores – nossos telefones estão tocando sem parar,” acrescentou Bessent. “Eles querem chegar à Venezuela imediatamente.”
Uso das Vendas de Petróleo como Alavanca
Os Estados Unidos assumiram o controle das exportações de petróleo da Venezuela como uma medida de pressão sobre o governo em Caracas, informou Wright. A Venezuela enviará dezenas de milhões de barris para os EUA, que a administração Trump venderá, mantendo os lucros em contas controladas pelos EUA, explicaram autoridades do setor de energia.
“Precisamos ter essa alavancagem e controle sobre essas vendas de petróleo para promover as mudanças que precisam acontecer na Venezuela,” comentou Wright.
O secretário de energia reforçou que os EUA não estão roubando o petróleo da Venezuela. Os rendimentos das vendas serão utilizados para beneficiar a nação de 30 milhões de habitantes, disse ele. Trump anunciou na quarta-feira que a receita do petróleo será usada para adquirir produtos fabricados nos EUA.
“Fui informado de que a Venezuela irá adquirir SOMENTE produtos fabricados na América, com o dinheiro que receberá de nosso novo acordo de petróleo,” publicou o presidente em suas redes sociais na quarta-feira.
As compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos para modernizar o setor de energia da Venezuela.
“Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os Estados Unidos da América como seu principal parceiro,” destacou Trump.
Fonte: www.cnbc.com

