Conflitos no Irã geram o maior bloqueio comercial na região desde a pandemia

Conflitos no Irã geram o maior bloqueio comercial na região desde a pandemia

by Fernanda Lima
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Retaliações do Irã e Impacto no Golfo

Os ataques retaliatórios do Irã na região do Golfo resultaram na maior interrupção comercial desde a pandemia, levando ao fechamento de aeroportos, à paralisação das operações portuárias e provocando reações em cadeia nos mercados financeiros.

Esses ataques foram uma resposta a uma ofensiva conjunta EUA-Israel contra o Irã e afetaram todos os principais países do Golfo, que ao longo de décadas se esforçaram para se estabelecer como um dos centros de negócios mais confiáveis do mundo.

A situação se agravou em Dubai, uma cidade cuja moderna identidade foi moldada para se proteger de conflitos na região. Originária como uma pequena vila de pescadores, a cidade de Dubai utilizou recursos modestos provenientes do petróleo para desenvolver portos, aeroportos e centros comerciais, antes de se transformar, na década de 1990, em um destino de turismo de luxo, além de imóveis e serviços financeiros.

Em análise sobre o impacto econômico, Vijay Valecha, diretor de investimentos da Century Financial, comentou que “regionalmente, o impacto entre as economias (do Golfo) é misto”. Segundo ele, “os preços elevados do petróleo oferecem uma margem fiscal para produtores como Arábia Saudita e Catar, fortalecendo receitas e liquidez. No entanto, comércio, logística e turismo, especialmente nos Emirados Árabes Unidos, enfrentarão pressão se os riscos de transporte marítimo aumentarem ou se o sentimento regional enfraquecer.”

Desempenho do Mercado de Ações

No início das negociações de domingo, os mercados de ações do Golfo apresentaram quedas significativas. O índice de referência da Arábia Saudita caiu mais de 4% logo na abertura, fechando em uma desvalorização de 2,2%. Omã registrou uma queda de 1,4% e o Egito perdeu 2,5%, ambos diminuindo suas perdas anteriores. A bolsa do Kuwait decidiu suspender as negociações até novo aviso. Os mercados dos Emirados Árabes Unidos, que normalmente fecham aos domingos, estavam programados para reabrir na segunda-feira.

De acordo com Mohammed Ali Yasin, diretor executivo da Ghaf Benefits, uma empresa de Abu Dhabi, “os mercados continuarão frágeis e voláteis enquanto as ações militares estiverem ativas”. Ele destaca que, “normalmente, em eventos desse tipo, são os investidores institucionais internacionais que iniciam a pressão de venda, enquanto os locais tentam suavizar as quedas optando por ações líderes”.

Entre as principais empresas localizadas nos Emirados Árabes Unidos estão a desenvolvedora de Dubai Emaar Properties e o varejista Majid Al Futtaim. O país também se tornou um polo atrativo para fundos hedge globais e grandes bancos que buscam proximidade com os vastos reservatórios de riqueza soberana administrados pela ADIA e Mubadala.

Interrupções Durante o Ramadã

A interrupção nas operações comerciais ocorreu em um momento particularmente delicado no calendário empresarial do Golfo, coincidindo com o mês sagrado islâmico do Ramadã. Durante esse período, eventos como iftars corporativos e suhoors – refeições comunitárias que marcam o início e o término do jejum diário – são considerados essenciais para o networking na região.

Uma série de e-mails analisados pela Reuters revelou que encontros programados pela Emirates, em Dubai, pela empresa de energia Masdar, Mubadala e pela instituição educacional GEMS, além do Departamento de Habilitação Governamental, foram cancelados ou adiados.

Diante de uma cultura corporativa onde os relacionamentos sustentam as negociações, a perda dos eventos de networking programados para o Ramadã representa um custo menos visível, mas considerável, à já existente disrupção econômica.

As greves também afetaram áreas residenciais nas proximidades da Marina de Dubai e da Palm Jumeirah, resultando na incêndio de um hotel Fairmont e danos ao emblemático Burj Al Arab. O Fairmont, que havia recentemente sido adquirido por 325 milhões de dólares por um grupo de investimento do Kuwait chamado Arzan Investment Management, era visto como um sinal do aumento da demanda por serviços de hospitalidade no Golfo, tornando os danos um reflexo visível do impacto sobre a economia turística em expansão da região.

Após os ataques, os Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia emitiram novas recomendações de viagem para o Golfo, solicitando que seus cidadãos adotassem medidas de cautela extrema e evitassem viagens não essenciais. Aeroportos importantes de trânsito, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, no Catar, foram fechados ou sofreram severas restrições no domingo, enquanto grande parte do espaço aéreo da região permanece em estado de fechamento.

Nos próximos dias, espera-se que equipes de grandes empresas internacionais sigam orientações locais sobre trabalho remoto. A autoridade federal do trabalho dos Emirados Árabes Unidos havia solicitado que as empresas implementassem acordos de trabalho remoto até 3 de março, recomendando que os trabalhadores permanentes se afastassem de áreas abertas, exceto nas funções essenciais que exigem a presença física dos funcionários.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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