CSN não pode mais se dar ao luxo de aguardar o preço ideal por seus ativos.

CSN não pode mais se dar ao luxo de aguardar o preço ideal por seus ativos.

by Fernanda Lima
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Anúncio de Venda de Ativos da CSN

Em 15 de janeiro, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) divulgou um programa de venda de ativos com o objetivo de arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para solucionar de forma “definitiva” sua questão de endividamento. O plano incluiu a entrega do controle da CSN Cimentos e a venda de uma parte significativa da sua divisão de infraestrutura, que abrange ferrovias e terminais portuários. Após mais de seis meses, a pressão financeira levou a empresa a uma situação em que não poderia mais esperar pelo preço ideal.

Rebaixamento da Nota de Crédito

O alerta mais severo ocorreu na sexta-feira, 31 de julho. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito internacional da CSN, passando de B para CCC+, um nível que indica um risco substancial de crédito. Além disso, a Fitch manteve o rating sob observação negativa, afirmando que só será possível considerar a retirada dessa observação, ou mesmo uma elevação da nota, quando houver clareza sobre a capacidade da empresa em concluir a venda de ativos e utilizar os recursos para a diminuição de suas dívidas.

Testes de Propostas da CSN Cimentos

De acordo com informações veiculadas pelo jornal Valor e reproduzidas pela Reuters, o primeiro teste para a CSN será no dia 7 de agosto, quando a entrega das propostas vinculantes pela CSN Cimentos está prevista. Mais de uma dúzia de ofertas preliminares foram apresentadas, incluindo interesse de empresas como Sinoma, Huaxin, Italcementi e Votorantim. No entanto, J&F e Suzano Holding optaram por não continuar na disputa. Para coordenar esta operação, a CSN contratou o banco Morgan Stanley e está estimando uma avaliação de cerca de R$ 10 bilhões para a transação.

Alteração no Cronograma

O cronograma já sofreu atrasos; inicialmente, esperava-se que as propostas vinculantes fossem recebidas até o final de junho, mas o prazo foi prorrogado para agosto. A própria CSN havia informado que esperava a assinatura do contrato, a aprovação pelo CADE e a entrada dos recursos até o final de 2026, embora os prazos possam variar de acordo com o comprador. Para gerenciar a venda de uma participação na área de infraestrutura, a CSN também contratou os bancos Bradesco e Citi.

Situação Financeira da CSN

A urgência da situação foi evidenciada no balanço patrimonial divulgado em 31 de março. Segundo metodologia da Fitch, a CSN registrava R$ 50,4 bilhões em dívidas financeiras. Quando incluídos adiantamentos de clientes e operações de forfaiting, o passivo ajustado somava R$ 57,4 bilhões. Apesar de ter R$ 12,4 bilhões em caixa e aplicações, somente R$ 3 bilhões estavam alocados na holding, sendo que quase 80% do capital disponível estava fora do Brasil.

Necessidades de Refinanciamento

A holding enfrenta grandes obrigações de refinanciamento, com aproximadamente R$ 4 bilhões previstos para 2026, R$ 5 bilhões em 2027 e R$ 10 bilhões em 2028. O montante de vencimentos para todo o grupo pode alcançar R$ 11,4 bilhões em 2028. A Fitch também estima que o fluxo de caixa livre deverá ser negativo durante os próximos três anos e que cerca de 40% do EBITDA da CSN será comprometido com o pagamento de juros.

Medidas Emergenciais

Diante da situação crítica, a companhia teve a necessidade de adiar algumas obrigações. Em 13 de abril, a CSN Inova Ventures contratou um empréstimo sindicalizado e garantido de US$ 1,2 bilhão, com um prazo de cinco anos, o qual foi destinado ao refinanciamento de dívidas com vencimento entre março de 2026 e dezembro de 2028. Este contrato prevê o aumento dos juros caso a venda da CSN Cimentos não seja concretizada até determinadas datas, cujos detalhes não foram divulgados publicamente.

Proposta de Troca de Títulos

No dia 30 de julho, a CSN apresentou uma nova operação emergencial. A companhia fez uma proposta aos seus credores para trocar US$ 1,3 bilhão em títulos que pagam juros de 6,75% ao ano e vencem em 28 de janeiro de 2028. Para cada US$ 1.000 oferecidos, o investidor receberá US$ 253,85 em dinheiro e US$ 746,15 em novos papéis, que terão vencimento em agosto de 2030 e juros de 11% ao ano.

Com a adesão total à troca, a CSN pagaria até US$ 330 milhões em dinheiro e emitiria aproximadamente US$ 970 milhões em novos títulos. A despesa anual com os cupons referentes a esses papéis aumentaria de US$ 87,8 milhões para US$ 106,7 milhões, podendo recuar para cerca de US$ 101,8 milhões, caso a empresa consiga reduzir o principal em pelo menos US$ 200 milhões até fevereiro de 2028. A oferta foi apresentada à SEC.

Alavancagem e Projeções da Fitch

Conforme a Fitch, os novos papéis conterão um covenant de 4,5 vezes. Segundo os critérios da própria agência, a alavancagem líquida poderia atingir até 4,4 vezes em 2026 e 5,1 vezes em 2027, caso os desinvestimentos não sejam concretizados. No entanto, os documentos públicos não revelam a fórmula ou mecanismo de aferição desse covenant, impossibilitando uma afirmação sobre um possível descumprimento contratual em 2027.

Dependência dos Desinvestimentos

A análise da Fitch está fortemente atrelada à realização dos desinvestimentos. Em um cenário previsto pela agência, a venda de 100% da Cimentos e de 25% da infraestrutura poderia gerar R$ 16,2 bilhões, correspondendo a 28% da dívida existente em março. Caso tais vendas sejam efetivadas, a dívida líquida poderia cair para R$ 22 bilhões, resultando em uma alavancagem em torno de 2,6 vezes. Na ausência dessas operações, o endividamento ajustado permaneceria superior a R$ 60 bilhões em 2026 e 2027.

Além disso, a Fitch indicou que os motivos para um futuro rebaixamento envolveriam a incapacidade de vender ativos, a falta de aplicação dos recursos arrecadados para quitar dívidas e o insucesso em refinanciar, ainda em 2026, os títulos que têm vencimento em 2028. Em resumo, a agência não ordenou à CSN que aceitasse qualquer proposta, mas deixou claro que a empresa já não possui tempo financeiro para aguardar indefinidamente por uma oferta ideal. A CSN não comentou sobre a situação.

Fonte: veja.abril.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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