O corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic já era uma expectativa do mercado, mas a forma clara como o Comitê de Política Monetária (Copom) se comunicou foi a principal surpresa positiva dessa decisão. Essa é a avaliação de Luis Felipe Vital, chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública da Warren Rena, em entrevista ao Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
De acordo com o estrategista, o Banco Central diminuiu os detalhes que haviam gerado incertezas após a reunião anterior, reafirmou seu compromisso com a convergência da inflação para a meta e evitou antecipar quais serão suas ações na próxima reunião.
“Em relação à decisão, não houve novidade. O mercado estava amplamente posicionado para um corte de 25 pontos-base, o que de fato ocorreu. Contudo, o que eu considero uma surpresa positiva foi a comunicação”, afirmou.
Vital destacou que o comunicado foi mais direto e trouxe uma justificativa que se alinha com a decisão de redução dos juros. Para ele, a autoridade monetária também manteve a flexibilidade necessária em um cenário de incerteza que está acima do habitual.
Leia mais: Copom reduz taxa de juros para 14% ao ano; corte de 0,25 p.p. da Selic é o quarto consecutivo do Banco Central
Próxima decisão permanece incerta
O Copom não apresentou indícios sobre uma possível nova redução da Selic na próxima reunião. Na avaliação do estrategista, essa falta de indicação se deve ao fato de o Banco Central precisar ainda acompanhar fatores internos e externos antes de definir seus próximos passos.
Entre os fatores que devem ser considerados estão a política monetária dos Estados Unidos sob a presidência de Kevin Warsh, o conflito no Oriente Médio, a volatilidade dos preços do petróleo, a atividade econômica brasileira e as condições do mercado de trabalho.
Além disso, os dados atuais de inflação possuem resultados melhores do que o esperado, enquanto algumas projeções para os próximos anos pioraram.
No fechamento anterior à decisão, o mercado previa uma redução de 0,15 ponto percentual na próxima reunião, movimento que, segundo Vital, demonstrava divergência entre uma nova queda e a manutenção da taxa.
A Warren Rena, por outro lado, espera uma nova redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.
“Nossa expectativa é que, em razão da comunicação, o Banco Central continue a realizar cortes de 25 pontos na próxima reunião”, afirmou.
Preocupações com as expectativas de inflação
Vital destacou a desancoragem das expectativas de inflação como um dos principais desafios que o Banco Central enfrenta. Quando as projeções do mercado ficam acima do centro da meta, explicou, a taxa de juros tende a se manter elevada por um período prolongado.
O Banco Central projetou uma inflação de 3,2%, que está próxima ao centro da meta de 3%. No entanto, Vital observou que as projeções feitas em períodos de elevada incerteza tendem a ter um menor grau de confiança.
No Boletim Focus, a expectativa para a inflação em 2028 aumentou recentemente de 3,6% para 3,8%, conforme apontado pelo estrategista.
Ele também mencionou a política fiscal como um fator de risco. Medidas que incentivam a demanda podem dificultar o trabalho do Banco Central, apesar de o ritmo de implementação dessas ações ainda ser lento, segundo Vital.
Outro desafio consiste na resistência da atividade econômica e do mercado de trabalho, mesmo com a Selic em níveis elevados.
Para o estrategista, a combinação de expectativas de inflação, riscos fiscais, incertezas externas e uma atividade econômica resiliente justifica a cautela do Copom e a falta de sinalização definitiva sobre seus próximos passos.
Fonte: timesbrasil.com.br

