Cosan anuncia simplificação na estrutura corporativa
A Cosan (CSAN3) informou nesta sexta-feira, 14 de setembro, que irá implementar uma série de medidas com o intuito de simplificar sua estrutura corporativa. As mudanças incluem ajustes na diretoria, uma reestruturação societária que envolve o Grupo Radar e a deslistagem voluntária de suas American Depositary Shares (ADSs) da Bolsa de Nova York (NYSE).
Alterações na administração
Entre as mudanças anunciadas na administração da Cosan, destacam-se as renúncias de Rafael Bergman, que até então ocupava o cargo de diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores, e de Maria Rita de Carvalho Drummond, vice-presidente jurídica. A partir de 1º de setembro, essas alterações passarão a vigorar.
José Cezário Menezes de Barros Sobrinho será o novo diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores. O executivo já havia exercido a mesma função na Rumo (RAIL3), empresa investida pela Cosan. Após essa transição, a área jurídica irá responder diretamente ao novo vice-presidente financeiro.
Cosan vai incorporar parte de R$ 1,3 bilhão da Radar II
A empresa também convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com a finalidade de discutir ajustes no estatuto social e reestruturar a sociedade dentro do contexto do Grupo Radar.
A operação prevista consiste na cisão total da Radar II Propriedades Agrícolas, seguida pela incorporação de seu patrimônio pela Cosan e pela Mansilla Participações, que são suas duas acionistas.
A patrimônio líquido da Radar II está avaliado em aproximadamente R$ 2,57 bilhões, conforme laudo elaborado pela PwC, com base no balanço de 30 de junho de 2026.
Dado que Cosan e Mansilla possuem cerca de 50% da Radar II, cada uma deverá ficar com aproximadamente R$ 1,29 bilhão do patrimônio da companhia.
Importante ressaltar que a operação não acarretará aumento de capital para a Cosan, nem a emissão de novas ações ou a diluição dos acionistas existentes. Segundo informações da companhia, os ativos já estão registrados em seus balanços pelo método de equivalência patrimonial.
Conforme afirmou a Cosan, o objetivo principal dessa reorganização é reduzir custos, minimizar a burocracia e promover uma gestão mais eficiente dos ativos. Caso seja aprovada nas assembleias pertinentes, a cisão deverá entrar em vigor a partir de 1º de outubro de 2026.
A empresa estimou que os custos e despesas para a implementação dessa operação, que incluem auditoria, avaliação, assessoria jurídica, registros e publicações, serão de cerca de R$ 500 mil.
O que muda para o acionista?
De acordo com a Cosan, a reorganização do Grupo Radar não altera a participação dos acionistas, uma vez que não haverá emissão de novas ações, nem diluição das participações existentes.
Essa operação é, essencialmente, um movimento para eliminar um intermediário na estrutura societária. A Radar II será extinta e seus ativos, passivos, direitos e obrigações serão redistribuídos entre a Cosan e a Mansilla de acordo com suas participações respectivas.
Adicionalmente, a companhia não identificou riscos relevantes associados a essa operação, embora a efetivação dependa da aprovação dos acionistas da Radar II, da própria Cosan e dos sócios da Mansilla.
Adeus a Wall Street?
Outra decisão importante anunciada pela Cosan refere-se à deslistagem voluntária de seus ADSs da NYSE, onde esses papéis são negociados sob o código CSAN. Cada ADS corresponde a quatro ações ordinárias da companhia.
Após a conclusão deste processo de deslistagem, a Cosan também planeja solicitar o cancelamento do registro junto à SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.
A companhia soltou um aviso de que, embora a deslistagem dos ADSs ocorra, isso não resultará no cancelamento imediato do registro perante a SEC.
O processo seguirá um cronograma regulatório que ainda será divulgado, com detalhes sobre o tratamento do programa de ADSs e as alternativa disponíveis para os investidores que mantêm esses ativos.
Cosan passa a projetar cobertura de juros
Além da reestruturação societária, a Cosan também começou a divulgar uma projeção para a cobertura de juros do serviço da dívida.
Segundo a empresa, a estimativa é que esse indicador atinja uma faixa entre 0,8 vez e 1,2 vez até o final de 2026, com base nas premissas apresentadas no resultado do segundo trimestre.
Esse indicador é essencial, pois reflete a capacidade que a companhia tem de cobrir suas despesas financeiras com os recursos que gera em suas operações. Quanto maior for essa cobertura, maior a margem financeira disponível para honrar os juros da dívida.
A Cosan afirmou que irá atualizar o mercado caso ocorram mudanças em suas projeções, além de destacar que as estimativas atuais são baseadas nas expectativas da administração e podem ser alteradas diante de variações nas condições macroeconômicas e de mercado.
Fonte: www.moneytimes.com.br
