Desempenho do Dólar
O dólar apresentou mais um dia de desvalorização em relação a moedas fortes e emergentes. O mercado financeiro observa uma possibilidade de 100% de chance de que o Banco Central dos Estados Unidos, conhecido como Federal Reserve, promova uma redução na taxa de juros. O andamento das negociações comerciais com o Japão e a expectativa do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China também foram fatores que influenciaram a sessão.
Nesta terça-feira, 28 de junho, o dólar à vista (USDBRL) finalizou a sessão cotado a R$ 5,3597, o que representou uma queda de 0,20%.
Esse movimento seguiu a tendência externa observada no mercado. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis divisas globais — incluindo o euro e a libra — apresentava uma redução de 0,06%, situando-se em 98,717 pontos.
Fatores que influenciaram o câmbio
As questões geopolíticas, juntamente com a política monetária dos Estados Unidos, capturaram a atenção dos investidores e provocaram movimentações significativas no câmbio nesta terça-feira, 28.
Os agentes do mercado mostraram-se expectantes em relação à nova decisão de política monetária. O dia de hoje foi o primeiro da reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), que é o equivalente ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil.
É esperada uma redução na taxa de juros em 0,25 ponto percentual. A decisão será divulgada amanhã, 29 de junho, juntamente com uma entrevista coletiva do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os participantes do mercado acreditam que há 99,9% de chance de que o Federal Reserve realize essa redução de juros, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Na véspera, essa probabilidade era de 97,3%.
Além disso, o mercado está no aguardo de um possível acordo entre os Estados Unidos e a China, previsto para ocorrer na próxima quinta-feira, dia 30 de junho. A reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping será realizada na Coreia do Sul.
A perspectiva de uma política monetária mais acomodativa nos Estados Unidos, com um aumento no diferencial de juros entre Brasil e EUA, estimula o fluxo de investimentos em ativos que oferecem maior retorno, o que beneficia moedas emergentes. Ademais, a expectativa de um entendimento entre os líderes da China e dos Estados Unidos também contribui para aumentar a propensão ao risco, favorável ao câmbio”, declarou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em uma nota.
Contexto Fiscal no Brasil
No cenário brasileiro, as questões fiscais novamente se tornaram um ponto central nas discussões.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que, caso se faça necessário, o governo poderá enviar ao Congresso Nacional uma proposta complementar ao projeto de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes que recebem até R$ 5 mil mensais. Essa medida visa evitar perdas na arrecadação e garantir a neutralidade fiscal da proposta.
“Se houver a confirmação de um déficit ligeiramente superior ao que a Fazenda estima, em torno de R$ 1 bilhão ou R$ 2 bilhões, o Senado pode contribuir aprovando um projeto complementar para não comprometer a neutralidade fiscal do projeto, que deverá ser analisado nesta semana”, informou Haddad em entrevista a jornalistas na sede do Ministério da Fazenda, após uma reunião com o relator do projeto no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL).
Haddad também mencionou que a pasta está avaliando previsões da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, que estima uma perda de arrecadação em torno de R$ 1 bilhão — quantia considerada “facilmente ajustável” pelo ministro, em contraste com os cálculos da Fazenda, que preveem uma redução na receita em cerca de R$ 4 bilhões.
Fonte: www.moneytimes.com.br


