Governo do Reino Unido quebra promessa de campanha com aumento de impostos e crescimento econômico reduzido

Governo do Reino Unido quebra promessa de campanha com aumento de impostos e crescimento econômico reduzido

by Ricardo Almeida
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Orçamento com Aumento de Impostos

A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, anunciou, no dia 26 de abril, um extenso orçamento que inclui um significativo aumento de impostos, o que resultará em um ônus maior para trabalhadores, poupadores e investidores. O objetivo dessa medida é proporcionar a Reeves uma maior folga para atender às metas de redução do déficit do país.

Projeções Econômicas

Recentemente, o órgão fiscal britânico revisou suas previsões de crescimento econômico, apresentando um revés para o primeiro-ministro Keir Starmer, que havia garantido em 2022 aos eleitores que aceleraria a economia do Reino Unido. O Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR) informou que o governo agora possui uma margem fiscal muito maior do que a prevista anteriormente, um dado que é monitorado atentamente por investidores que avaliam os riscos associados ao endividamento britânico.

O OBR indicou que os aumentos de impostos poderão atingir 26,1 bilhões de libras (aproximadamente US$ 34,5 bilhões) anualmente. Isso elevará a proporção de impostos em relação ao PIB do Reino Unido para 38,3% da produção econômica, estabelecendo um novo recorde desde a Segunda Guerra Mundial, embora ainda se mantenha abaixo da média de 41% da zona do euro registrada no ano passado.

No ano passado, Reeves já havia implementado aumentos de impostos que totalizavam 40 bilhões de libras, os maiores desde a década de 1990, sob a promessa de que tais medidas seriam excepcionais.

“Sem dúvida, enfrentaremos oposição novamente. Porém, até agora, não vi um plano alternativo que seja crível ou mais justo para os trabalhadores”, declarou Reeves.

Expectativas de Crescimento Reduzidas

A proposta de remover o limite de dois filhos para pagamentos de assistência a famílias de baixa renda foi desaprovada pela maioria da população britânica, segundo pesquisas de opinião. Entretanto, a iniciativa foi recebida com apreciação por alguns membros do Partido Trabalhista. A próxima eleição nacional está prevista para 2029, mas a autoridade de Reeves e Starmer já está sendo questionada dentro do partido de centro-esquerda.

O Instituto de Pesquisas Fiscais (IFS) salientou que o orçamento inclui um aumento nas despesas no curto prazo, enquanto um grande volume do esforço fiscal deve ocorrer em um futuro mais distante.

“Diante de uma contenção programada no período que antecede a próxima eleição, é compreensível encarar a situação com um certo ceticismo”, comentou Helen Miller, diretora do IFS.

De acordo com o OBR, a previsão de crescimento econômico foi reduzida, agora estimando uma média de 1,5% para os próximos cinco anos, 0,3 ponto percentual abaixo do que era esperado em março. Essa revisão foi atribuída a um crescimento de produtividade inferior ao esperado, que, segundo o OBR, é um reflexo do desempenho fraco observado anteriormente, influenciado por fatores como o Brexit.

Reeves comprometeu-se a demonstrar que o órgão está equivocado. “Este ano, superamos as previsões e faremos isso novamente”, afirmou.

No entanto, a análise do OBR sobre o orçamento e as expectativas sugere que o padrão de vida dos britânicos deverá apresentar pouco crescimento nos próximos anos, em parte devido ao aumento da carga tributária.

Mercado de Títulos Públicos

Os rendimentos dos títulos públicos britânicos de 30 anos, que são sensíveis a preocupações relacionadas ao endividamento, registraram uma queda significativa, de quase 12 pontos-base em um único dia, o que representa o maior recuo diário desde abril. Esse movimento sugere que os investidores estão, em sua maioria, confortáveis com o plano orçamentário apresentado.

A libra esterlina valorizou-se em relação ao dólar americano e ao euro. O OBR revelou que a margem fiscal, que corresponde ao valor adicional que pode ser gasto ou reduzido em impostos sem descumprir as regras fiscais, está em cerca de 21,7 bilhões de libras nos próximos quatro anos.

Em março, o OBR havia projetado uma margem de apenas 9,9 bilhões de libras, a qual foi impactada por previsões econômicas mais fracas, custos de empréstimos superiores ao esperado e a reversão do governo em relação a reformas do bem-estar que ocorreram em julho.

Ian Stewart, economista-chefe da Deloitte, comentou que a previsão do OBR de um aumento mais acelerado nos salários — e, em consequência, um crescimento nas receitas fiscais — “salvou” Reeves. “No entanto, os anúncios de hoje provavelmente afetarão o crescimento a longo prazo, uma vez que a chanceler está aumentando a carga tributária em 26 bilhões de libras por ano”, acrescentou Stewart.

O OBR também mencionou que uma extensão de três anos no congelamento dos limites de tributação de renda, que foi originalmente estabelecido pelo governo conservador anterior, geraria cerca de 8 bilhões de libras a mais no ano fiscal de 2029/30.

A generosidade nas isenções de impostos relacionadas a pensões foi reduzida, e as cobranças de seguridade social sobre contribuições de pensões fazem parte das novas medidas, rendendo quase 5 bilhões de libras. O aumento nas taxas sobre dividendos, propriedades e rendimentos de poupança geraria 2,1 bilhões de libras, conforme declarado pelo OBR, enquanto o chamado “imposto sobre mansões”, que se aplica a imóveis avaliados em mais de 2 milhões de libras, deve arrecadar 0,4 bilhão até 2029/30.

Reeves decidiu manter o congelamento da taxa sobre combustíveis e introduziu uma nova cobrança por quilometragem para veículos elétricos. Apesar dos aumentos, David Zahn, responsável pela renda fixa europeia na Franklin Templeton, um gestor de ativos com US$ 1,5 trilhão sob sua administração, acredita que Reeves terá que implementar novos aumentos de impostos no próximo ano.

“É uma oportunidade perdida, e ela simplesmente optou por adiar o problema”, afirmou Zahn.

Aumento de Gastos e Dificuldades no Crescimento

As despesas do governo deverão crescer continuamente ao longo dos anos como consequência das medidas do orçamento, atingindo um incremento de 11 bilhões de libras adicionais em 2029/30, principalmente para financiar iniciativas de bem-estar social.

Um instituto especializado em questões de redução da pobreza manifestou elogios pelo fim do limite de dois filhos, em conjunto com ações que visam a diminuição das contas de energia e o aumento do salário mínimo, que foi anunciado na terça-feira. “No entanto, ainda há muito a ser feito”, disse Alfie Stirling, diretor de análise e políticas da Fundação Joseph Rowntree. “Os custos de habitação e contas ainda são extremamente elevados, nossa rede de proteção social é frágil demais, e o ônus financeiro para os trabalhadores que cuidam de seus familiares é excessivo”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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