Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M)
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou uma alta de 2,73% no mês de abril, intensificando a tendência de crescimento observada em março, que tinha fechado com uma elevação de 0,52%. Com isso, o IGP-M acumula uma variação positiva de 2,93% no ano e uma alta de 0,61% nos últimos doze meses. Comparativamente, no mesmo período de 2025, o índice havia subido apenas 0,24% no mês, com um acumulado de 8,50% em doze meses, o que revela uma dinâmica inflacionária distinta. Essa taxa de crescimento em abril representa a maior alta mensal desde maio de 2021, quando o IGP-M havia apresentado uma elevação de 4,10%.
Influências Geopolíticas e Variações de Preços
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, todos os índices experimentaram influências diretas resultantes do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz, o que contribuiu de forma significativa para o avanço do IGP-M. No que se refere aos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas teve um aumento considerável de quase 6%, consequência do choque gerado pelo conflito armado. Além disso, repasses significativos foram observados em produtos da cadeia petroquímica, destacando-se itens como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, que têm grande relevância no varejo.
No varejo, os preços ao consumidor ainda refletem de maneira marcante o efeito dos combustíveis, com especial atenção para a gasolina, que registrou uma alta média de 6,3% em abril, e para o diesel, que teve um aumento de 14,9%. Os custos relacionados à construção continuam pressionados, devido principalmente ao aumento de materiais como massa de concreto, tubos e conexões de PVC, e blocos de concreto, que vêm sendo ajustados em razão do repasse dos custos elevados dos insumos.
Detalhamento do Índice de Preços ao Produtor e ao Consumidor
A aceleração do IGP-M foi, em grande parte, impulsionada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 3,49% em abril, superando os 0,61% registrados em março. Nos diferentes estágios de produção, os Bens Finais tiveram uma alteração que passou de 0,80% para 0,90%, enquanto os Bens Intermediários saltaram de 0,32% para 2,81%. As Matérias-Primas Brutas, por sua vez, apresentaram uma forte alta de 5,78%, resultado direto dos impactos dos aumentos de custo.
Em termos de consumo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve uma elevação de 0,94% em abril, acelerando em comparação aos 0,30% do mês anterior. Esse avanço foi abrangente, com destaque para o setor de Transportes, que saltou de 0,61% para 2,26%, impulsionado pelos combustíveis. Além disso, houve também aceleração nos setores de Saúde e Cuidados Pessoais, Alimentação e Habitação, enquanto Comunicação e Despesas Diversas apresentaram uma desaceleração.
Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou uma alta de 1,04% no mês de abril, superando os 0,36% de março. Esse aumento foi generalizado entre os vários componentes: Materiais e Equipamentos subiram de 0,28% para 1,40%, Serviços passaram de 0,24% para 0,97%, e a Mão de Obra teve um crescimento de 0,47% para 0,61%, indicando uma pressão constante sobre os custos do setor.
Repercussões no Mercado Financeiro
Com a aceleração do IGP-M, observa-se uma tendência que pode elevar a cautela dos investidores, especialmente em relação à trajetória da inflação e os impactos na política monetária. Um índice que demonstra maior pressão pode influenciar as expectativas sobre a manutenção de juros elevados por um período prolongado, o que por sua vez pode afetar negativamente ativos de risco na bolsa de valores. Em contrapartida, isso fortalece o interesse por títulos que estão atrelados à inflação. No mercado de câmbio, a percepção de um risco inflacionário pode ocasionar uma volatilidade adicional, especialmente em períodos de incertezas globais.
(fgv)
Fonte: br.-.com


