Indústrias automotivas alertam para riscos decorrentes das novas restrições de exportação da China
Grupos da indústria automotiva expressaram preocupação em relação às consequências das recentes medidas adotadas pela China para restringir as exportações de terras raras, afirmando que tais medidas podem levar a uma situação de caos nas cadeias de suprimento.
Novas restrições de exportação
Na semana passada, o Ministério do Comércio da China anunciou a ampliação das restrições à exportação de terras raras e tecnologias correlatas, com o objetivo de prevenir o "uso indevido" desses minerais em setores sensíveis, como o militar. Desde então, o governo de Pequim defendeu a política, afirmando que não tem medo de uma guerra comercial com os Estados Unidos, mesmo após o ex-presidente Donald Trump ter ameaçado impor tarifas de 100% sobre as importações chinesas.
Apesar de um acordo firmado em julho, que tinha a intenção de agilizar as remessas para a região, a indústria automotiva da Europa já vinha enfrentando consideráveis perturbações devido às restrições de exportação de terras raras impostas pela China no início de abril.
Consequências para a indústria automotiva
A Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA), principal lobby da indústria automobilística do país, informou que as novas regulamentações da China devem ter "consequências de longo alcance para as entregas dos produtos afetados à Alemanha e à Europa", assim como para seu transporte subsequente.
Um porta-voz da VDA comunicou à CNBC, na terça-feira, que as recentes restrições de exportação da China atingirão particularmente as indústrias de baterias e semicondutores, e, consequentemente, também a indústria automotiva. A associação fez um apelo aos formuladores de políticas em Bruxelas e Berlim para que abordem a questão de maneira "enfática" com a China, a fim de encontrar rapidamente uma solução viável.
"Os fatos são que as restrições de exportação da China sobre terras raras e ímãs permanentes, implementadas em abril deste ano, já agravaram significativamente a situação de fornecimento de terras raras e materiais estratégicos. As novas medidas vão ainda mais longe", ressaltou o porta-voz da VDA.
Importância das terras raras
Os metais de terras raras são componentes essenciais para a produção de veículos elétricos, além de diversas aplicações de alta tecnologia, incluindo eletrônicos e soluções de energia renovável. A expectativa é que a demanda por terras raras e minerais críticos cresça exponencialmente nos próximos anos, à medida que a transição para fontes de energia limpa acelere.
A China se destaca como a líder indiscutível na cadeia de suprimentos de minerais críticos, representando aproximadamente 60% da produção mundial de minerais e materiais de terras raras. Autoridades dos Estados Unidos já alertaram anteriormente que essa situação apresenta um desafio estratégico à medida que o mundo se volta para fontes de energia mais sustentáveis.
Reservas exauridas
Roberto Vavassori, presidente do lobby italiano de fabricantes de autopeças ANFIA, afirmou, em evento realizado na terça-feira, que, embora os fabricantes tenham conseguido manter a produção quando a China restringiu os suprimentos durante o verão, as reservas de metais de terras raras agora estão em risco de se esgotar.
"Esse buffer já não está mais presente", disse Vavassori em uma conferência realizada em Milão, segundo informações da Reuters. A ANFIA não respondeu a um pedido de comentário da CNBC.
Rico Luman, economista sênior do setor de transporte e logística do banco holandês ING, observou que a nova repressão da China às exportações pressiona a cadeia de suprimentos. "A China domina 90% da capacidade de refino global e, portanto, isso representa um verdadeiro gargalo", destacou Luman em e-mail enviado à CNBC.
"Na cadeia de suprimentos, ainda existem estoques, como no grande armazém da Tradium perto de Frankfurt, então não espero quedas imediatas significativas neste momento", acrescentou.
"Mas as terras raras incluem uma variedade de elementos, e alguns podem ter dificuldades na entrega. E, no futuro, a relaxação do fornecimento depende fortemente das próximas negociações com a China", completou Luman.
Fonte: www.cnbc.com


